terça-feira, 30 de agosto de 2016

Eu quero a lista de caloteiros da CGD

Se a Geringonça quer acabar com o sigilo bancário para nos cobrar mais impostos,
 eu quero saber quem caloteou a CGD em 5160 milhões € e quem foi que concedeu esse créditos que acabaram por não ser pagos.
Se há a lista dos devedores ao Fisco e à Segurança Social, calotes no valor de 5160 milhões € penso que merecem também ser publicitados para todos nós compreendermos como andaram de mãos dadas os decisores políticos e os caloteiros.
Ou será que agora já não interessa aos comunas e esquerdistas saber quem é o "grande capital"?


Destapa tudo que 5160 milhões € é muita massa para meter no bolso de alguns desconhecidos.

Será que o PCP comprou a Quinta da Atalaia com um calote à CGD?
Pois não sei e gostava de saber.
Até dou de barato que essa lista só inclua, como os devedores aos Fisco, os que calotearam em mais de um determinado valor, Ao fisco é a partir de 7500€ mas até dou de barato que sejam só os caloteiros com mais de 1000000€ de calote.
Mas quero saber quem são e se foi o Vara que lhes deu a massa.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A vaca leiteira, a crise dos vaqueiros e a vaca da caixinha

Os produtores de leite voltaram a fazer uma marcha lenta. 
Diziam eles, e um deles eu conheço-o de criança (o Agostinho da Marinha), que o preço do leite tem caído ao longo dos anos o que é incompatível com a subida do custo de vida.
Fui então buscar dados sobre a evolução do preço do leite e os dados indicam que, apesar de a tendência ser uma pequena subida ao longo dos anos, atualmente está em 0,274€/litro, 15% abaixo da tendência e 11% abaixo do preço médio dos últimos 20 anos (0,31€/litro).

Fig. 1 - Preço nominal do leite, 1996:2016 (dados: EU)

 Mas houve a inflação.
Aplicando a taxa de inflação no consumidor aos preços do leite no produtor, observamos uma queda ainda maior. Comparando o preço médio em 1996 com o preço médio em 2016, a queda foi de 37%.

Fig. 2 - Preço real do leite (constante de 1995), 1996:2016 (dados: EU e IPC do INE)

O problema é que o preço nos nossos parceiros estar ainda menor.
Se compararmos o preço do leite pago ao produtor nos países da União Europeia, o preço em Portugal está 7% acima do observado nos nossos parceiros o que, com as fronteiras abertas, não deixa hipóteses para que o preço em Portugal aumente.

Fig. 3 - Relação entre o preço do leite em Portugal e na UE, 1996:2016 (dados: a partir de EU)

Mas o leite não se pode transportar!
Pis não porque o custo de transporte é na casa dos 0,12€/litro para chegar da França até aqui (fazer 2000km), um sobrecusto de 50% sobre o preço atualmente pago. Por isso, os produtores do centro da Europa não podem exportar leite para o nosso mercado (nem nós exportar para o deles). Mas existe o queijo e a manteiga que absorve metade do leite produzido e que tem facilidade de transporte e que, indiretamente, compete com o leite de beber. Por isso, não pode ser pago aos nossos produtores um preço superior ao que é pago nos restantes países da UE.
E, já agora, uma boa notícia, no Brasil o preço é na ordem dos 0,40€/litro (ver) pelo que não será competitivo ao Brasil exportar leite para cá.

E, agora, o que se poderá fazer relativamente aos nossos produtores de leite?
Há uns anos ouvíamos os esquerdistas e os lavradores "Deixem-nos produzir, acabem com as cotas leiteiras." As cotas acabaram e, talvez por causa disso, o preço do leite caiu. digo "talvez por causa disso" porque a produção de leite na UE não aumentou significativamente. Mas agora já ouvimos os mesmos esquerdistas e lavradores (a estes, podemos-lhes perdoar porque são pouco mais que analfas) "Proíbam a produção, voltem as cotas que estão perdoadas."
Mas a solução não está em cotas nem em subsídios. 

Está na diminuição dos custos de produção 
E isso passa pelo aumento do tamanho das explorações leiteiras.
No tempo em que era criança, na minha aldeia, os produtores tinham entre 2 e 6 vacas.Com o tempo, os que tinham apenas 2 acabaram e os que tinham 6 passaram a ter entre 10 e 15 vacas. Depois passaram a 50 e agora estão na casa das 100 vacas. 
Claro que há 40 anos havia mais de 100 produtores e hoje já só há 3 ou 4 (não sei bem porque não tenho andado por lá).

Temos que passar para as 1000 (ou 10000) vacas por exploração.

Mas em Portugal temos pequenos proprietários de terra!
Temos que separar a agricultura da pecuária criando uma "bolsa de forragem." Se o Estado se dá ao trabalho de ter lotas para o pescado, também pode criar um mercado para a transação de silagem de milho e palha de forma a que os donos da terra se possam especializar na produção de plantas que, depois, vendem aos pecuaristas. Também antigamente as galinhas e os porcos eram criados em casa com o milhito que os campos davam e agora são criados em grandes instalações.

Vamos à vaca da Caixa Geral de Depósitos.
Está falida o que é natural porque foi o braço direito do Sócrates, por um lado, a dar à manivela do "motor da economia portuguesa" e, por outro lado, a arranjar tachos para os amigos. O problema é que, se o BEZ, BCP, BANIF, BPN, BPP, etc., faliram com gestores competentes, nada mais poderia acontecer à CGD que não a falência com o Vara a chefiar aquilo a mando do Sócrates que levou todo o país à bancarrota.
Agora, é preciso metermos lá 5160 milhões €.
Se o discurso dos esquerdistas era que "O dinheiro dos contribuintes não vai salvar bancos", agora passaram ao "É uma grande vitória a CGD ficar nas mãos do estado."

Depois de ficarmos sem 5160 milhões €, o Estado vai ficar com uma Caixinha.

Lembram-se que o Passos Coelho não prestava por ter feito retificativos?
Batalhavam os esquerdistas que, durante os 4 anos que lá esteve, o Passos Coelho, dada a sua incompetência, teve que fazer 8 retificativos.
O Centêno, ministro das finanças, afirmou então a pés juntos que, no tempo dele, não seria preciso fazer retificativos.
Pois a Geringonça vai pelo mesmo caminho dos retificativos e, agora, já não é demonstrativo de incompetência mas antes pelo contrário.


Será que o Centeno não chega ao retificativo?
É que já falta pouco para 15 de outubro, o dead line para as medidas de austeridade que hão-de levar o défice de 2,2% do Costa para os 2,5% que a Europa nos impôs.
Não é erro, é verdade que para passarmos dos 2,2% do Costa para 2,5% vão ser precisas medidas adicionais de austeridade.
Aos poucos vamos sabendo, o IMI de quem apanha Sol e o IUC sobre os deficientes são apenas uma amostra.
O que me deixa mais descansado é saber que a estratégia do Costa é fundada em 12 sábios que nunca é demais recordar:

Elisa Ferreira, 
Fernando Rocha Andrade, 
Francisca Guedes de Oliveira, 
João Galamba, 
João Leão,  
João Nuno Mendes,  
José Vieira da Silva, 
Manuel Caldeira Cabral, 
Mário Centeno, 
Paulo Trigo Pereira, 
Sérgio Ávila e 
Vítor Escária


Dizem eles que o défice continua a cair.
Mas se a dívida pública continua a aumentar a grande velocidade, para onde é que vai o dinheiro?
Será que, daqui a uns anos, vamos ficar a saber que está na conta do Sócrates?

Só um bocadinho de Trump e da sua politica de imigração.
Vamos imaginar que temos 10000 presos e queremos reduzir esse número sem libertar os rpesos antes de cumprirem as suas penas. A única forma de o fazer é aligeirando o código penal.
Pelos vistos, a América tem 11 milhões de imigrantes ilegais. Então, a forma mais fácil de diminuir este número é alterando a lei de forma a que deixem de ser ilegais.
A imigração americana funciona com um sistema de pontos, por exemplo, quem tiver mais anos de escolaridade, tem mais pontos. contados os pontos, é atribuida autorização de entrada a todas as pessoas que tenham mais do que um determinado limite.  
Agora, se a Lei passar a incluir coisas como, por exemplo, "anos que tenha trabalhado para um empregador americano" ou "ter filhos nascidos nos USA", muitos dos 11 milhões de ilegais poderão passar a ser legais.
Mas tem um pequeno pormenor, os anos de trabalho na ilegalidade contarão para terem autorização de residência e de trabalho mas não contarão para pedir a cidadania americana (os anos começam a contar outra vez no zero).
Não acho que seja uma má solução pois, segundo Freedman (na sua obra Free to Choose), os anos de trabalho na ilegalidade são o mais forte sistema de formação, ajustamento à nova cultura e separação entre os bons e os maus.

O Trump está a recuperar.
Por já, o mais importante é a Florida onde uma sondagem o dá 43%/41%, novamente, à frente da Clinton (ver). É que sem esperança na Florida, o bicho está morto.


terça-feira, 23 de agosto de 2016

Porque será que Moçambique está a afundar?

Moçambique é um país muito pobre. 
E sempre assim foi, pelo menos desde há 70 mil anos, (i.e., desde que existe humanidade).
Se voltarmos aos meados do século XX quando a nossa natalidade era elevada, nem os portugueses mais pobres procuravam as terras moçambicanas como forma de fugir da miséria, preferiam o Brasil e, depois, a França. Em 1974 veio a independência, e a coisa só piorou quando os brancos com a 4.a classe foram substituídos pela oligarquia dos antigos combatentes da Frelimo analfabetos que, dada a sua baixa formação em tudo mas principalmente em economia, causaram grandes perdas no nível de vida das populações moçambicanas ao acreditarem que era possível "construir a sociedade sem classes".
Naturalmente, muitas desculpas foram apresentadas para que, nos 10 anos após a independência, o PIB per capita moçambicano tivesse caído mais de 50%. Se em 1974 já era uma miséria, em 1985 a coisa estava reduzida a metade.


Quadro 1 - PIB per capita de Moçambique, 1970:2015

Vão-me perguntar como arranjei os valores para 1970 e 1975!
Peguei nos valores de Ivan Kushnir (2011) que vi Crescêncio Francisco Guiamba (2013) e, comparando com os dados do Banco Mundial para 1980:1990, dividi por 2,001 que é a relação média verificada nos anos em que há sobreposição das séries, e voilá (ver).
O Kushnir (2011) é mais pessimista e refere uma perda de 55% entre 1974 e 1989 (ver, Quadro 2 abaixo) 

Mas isso foi um problema dos moçambicanos.
Não estou a defender, nunca defendi nem nunca defenderei que a descolonização de Moçambique foi um erro e que Portugal seria hoje uma grande potência mundial, com 20 ou 30 medalhas de ouro olímpicas, se se mantivesse unido.
Mesmo que fosse possível manter-se este país como nossa colónia (o que não era por questões legais, militares, económicas e demográficas), seria impossível manter numa mesma democracia um Portugal europeu com 10 milhões de habitantes com um nível razoável de rendimento e 30 milhões num Portugal moçambicano na maior das misérias. Se a Madeira nos dá um terrível prejuízo ...
Portugal Europeu era um barco condenado a ir ao fundo se não cortasse o cabo que o ligava a uma âncora com o triplo do seu peso. Às vezes imagino que, nesse Portugal imperial, o primeiro presidente eleito teria sido o Samora (pois Moçambique tinha mais eleitores do que Portugal europeu).
Por isso, isto que estou aqui a escrever é apenas para tentar dar um pequeno contributo para a melhoria da compreensão da situação dos moçambicanos já que sei que os intelectuais de lá se concentram mais em dizer mal de mim do que a dizer mal da oligarquia que os desgoverna (sim, constou-me que o Mia Couto gastou tempo a dizer mal de mim).

"Os problemas de Moçambique resultam totalmente de haver um professor racista em Portugal" disse o Mia.

Agora, a economia moçambicana está em fusão.
A moeda, o Novo Metical, está a desvalorizar rapidamente o que tem impacto negativo na vida das pessoas comuns via preço das importações. Quem tem os rendimentos em MZN, vê a sua vida andar para trás pois os bens importados aumentam de preço mas quem tem rendimentos em USD fica na mesma (até melhora um pouco pois os bens internos tornam-se mais baratos).

O Novo Metical está a desvaloriza 12,34%/ano face ao USD

A inflação moçambicana já ultrapassou os 20%/ano

Será que os problemas de hoje se devem à colonização (ou à falta dela)?
Quando Portugal decidiu em meados do Séc XIX (depois da independência do Brasil), colonizar territórios em África, não estava a pensar em criar países desenvolvidos mas sim em sugar esses territórios o mais que pudesse. Mas, no dia da independência, Moçambique não estava pior que em meados do Séc. XIX e, comparando as zonas mais intensamente colonizadas (litoral) com as onde praticamente não houve colonização (o interior), as primeiras não estavam pior que as segundas.
O problema esteve nos últimos 40 anos.
Em 1975 a China estava com um PIB per capita de 267USD, a Índia com 391USD e Moçambique com 142USD. Hoje a China está nos 6500USD, a Índia nos 1900USD e Moçambique nos 510USD
Será que se descobriu petróleo, gás natural ou algo caiu do Céu na China ou na Índia que tenha feito com que, de mais pobres, se tenham tornado muito mais ricos que Moçambique?


Evolução do PIB pc de Moçambique, Índia e China relativamente a 1974 
(Dados, WB e adaptados de Kushnir, 2011, em Guiamba, 2013).

Porque será que Novo Metical está a desvalorizar tanto?
É aqui que eu quero chegar.
Em termos económicos, a razão de ser é o enorme défice das contas com o exterior que se agregam na Balança Corrente, problema nascido na barriga da perna do Aires Ali, amamentado no peito do pé do Vaquinha e que, agora, rebentou nas mãos do Rosário que não sabe o que lhe há-de fazer.
Aires Ali + Vaquinha foram o Sócrates e, agora, o Rosário tem que ser o Passos Coelho.
E não estou a ver o Rosário a ser capaz de fazer de Passos Coelho, o mais provável é que vá pelo caminho mais fácil de inventar uma guerra qualquer e dizer que a culpa é da Renamo (falar dos Sul Africanos já não deve dar resultado, mas nunca há como tentar a ver se cola).

 Evolução da Balança Corrente de Moçambique
  
Um défice de 1500 milhões USD por trimestre é muito dinheiro.
Em Portugal seria pouco, no tempo de agonia do Sócrates, chegou aos 7 mil milhões USD mas para Moçambique, é "apenas" 40% do PIB o que traduz que a cada dólar de riqueza criada corresponde um consumo de 1,4 euros.
Como esse défice tem que ser financiado e não há como (a divida soberana em dólares está a exigir juros na casa dos 20%/ano), agora o nível de vida dos moçambicanos vai sofre um ajustamento violento em baixa.
Em Portugal foi preciso ajustar 10% e Moçambique precisa de ajustar 40%!

Evolução das reservas cambiais do Banco de Moçambique

Como não entram divisas emprestadas para financiar o défice com o exterior, as reservas cambias começam a reduzir e isso tem um impacto na evolução da cotação do metical porque o BC tem uma regra de condução da taxa de câmbio

Variação = k * (Reservas observadas - Reservas objetivo)

Se o objetivo é, por exemplo, 3000 M USD, quando as reservas estão acima deste valor o Metical valoriza e quando estão abaixo, desvalorizam cada vez mais depressa na tentativa de não acontecer o fim da convertibilidade.


A ignorância e a repressão são a mãe de todas as pobrezas.
Imaginem um país governado pela Catarina Martins, o Jerónimo de Sousa e o António Costa, assessorados pelos 12 sábios 
Elisa Ferreira, 
Fernando Rocha Andrade, 
Francisca Guedes de Oliveira, 
João Galamba, 
João Leão,  
João Nuno Mendes,  
José Vieira da Silva, 
Manuel Caldeira Cabral, 
Mário Centeno, 
Paulo Trigo Pereira, 
Sérgio Ávila e 
Vítor Escária 
e ainda com o apoio intelectual do Professor Doutor Louçã, eminente professor de economia numa universidade europeia.
Imaginem ainda que nesse país, alguém que diga que não há em lado algum evidência de que o aumento do défice público possa ser o motor do crescimento económico é perseguido pela polícia e leva com um processo disciplinar em cima porque destrói prestigio. 

Se as ideias dos esquerdistas fossem fortes, não teriam medo do contraditório.
Vamos imaginar que os esquerdistas, sejam moçambicanos ou portugueses, estavam certos de que a solução para todos os problemas era gastar mais e bater o pé às instituições internacionais. 
Se assim fosse, não teriam qualquer receio de que alguém dissesse o contrário pois, em resultado das novas políticas anti-austeridade, logo os factos demonstrariam, como elevadas taxas de crescimento, da justeza das políticas esquerdistas.

Se não há espaço para a contestação ...
Os esquerdistas não tendo contestação, conseguem convencer as pessoas que não têm formação na área da economia de coisas sem sentido. Não quero dizer que as suas intenções sejam más mas apenas que não sabem como fazer as coisas bem. 

Lembram-se do raciocínio dos 12 sábios do PS? 
Salários mais elevados => Mais consumo => Mais procura => Mais produção => Mais receita fiscal => Menos défice?
Lembram-se que quem dizia o contrário era apelidado de ignorante, anti-patriota, destruidor do prestígio da instituição onde trabalhava e neoliberal que queria sugar a classe trabalhadora?
Lembram-se que este raciocínio, falso, passou a ser uma verdade inquestionável, como que revelada por Deus? Diziam mesmo as minhas crianças "Mas é o Sr. Professor Doutor Louçã que o afirma e o reitor iminente" (de que já ninguém se lembra! Já sei, era o Nódoa! Que é que esse iminente reitor tem a dizer sobre a nossa economia estagnada que ele dizia ser causada pelo neoliberal Passos Coelho? Lembrei-me que ele é professor primário sabe-se lá como).

Se houver espaço para contestar ...
Se a comunicação social apresentar os argumentos da oposição, por um lado, quem manda terá que ter mais cuidado com o que diz e, por outro lado, tendo a oposição ideias fortes, acabarão por convencer os eleitores quando quem manda estiver errado, evitando o abismo.
Vejamos a Venezuela onde o chavismo é o grande exemplo de democracia para o nosso Bloco de Esquerda e onde o funcionário público que tenha metido o nome no pedido de referendo de destituição do motorista de autocarro foi despedido.
Vejamos também o Trump que, olhando para a comunicação social americana, o presidente Obama e todas as pessoas que têm mais de 1 neurónio na cabeça, dizem que o Trump é a encarnação do Diabo na figura de um touro enraivecido e a Clinton é a Virgem Maria que voltou à Terra.
Mas o homem tem a possibilidade de apresentar as suas ideias. No final, como só pode ganhar um, pode ser que perca ou ganhe mas está lá para dizer o que pensa.

Eu gostava que o Trump ganhasse.
Pois não gostei de ver o Obama, à moda de um país do terceiro mundo, a fazer campanha eleitoral pela seu indicado, numa visita de estado. Parecia os déspotas que indicam quem os deve suceder e, todos os outros, são indignos. Penso que deve ser por ser filho de queniano!
Está a recuperar nas sondagens mas está difícil.

O que pode agora fazer Moçambique.
Não é fácil fugir ao embate que ai vem por causa da necessidade de corrigir as contas externas, uma austeridade violenta apoiada com a ajuda do FMI, talvez um período de ajustamento de 2 anos, com um "empréstimo" de 6 mil milhões USD para que a queda não seja muito violenta.
E nesse período cai ter que seguir à risca e com convicção o que o FMI e o Banco Mundial aconselhar.
Há que aceitar que o caminho passa pela liberalização da economia.

E deixar de querer matar o Dlakama.
Bem sei que o Dlakama matou muita gente, ainda me lembro daquelas razias no comboio que liga Maputo à Africa do Sul. À escala ocidental, o homem é um criminoso de enorme dimensão mas também depois da Segunda Guerra Mundial muitos cirminosos foram reabilitados.
Deixem lá o homem em paz e concentrem-se em construir a paz e a prosperidade.

Temos que deixar de ser invejosos.
Custa muito ver outros a correr mais do que nós mas faz parte da natureza humana.
Também custa ver pessoas terem mais sucesso económico do que nós mas essas pessoas são a chave do desenvolvimento económico.
Há que aceitar que quem investe à procura do lucro é positivo para a sociedade e que deve ser acarinhado.
Há que aceitar que quem cria postos de trabalho, além do lucro, é um benfeitor do colectivo.

Mas estou pessimistas.
Se em Portugal, tantas e tantas pessoas acreditam em ilusões, quanto mais em Moçambique, onde a escolaridade média está nos 2 anos.
Vejo na minha bola de cristal um Moçambique pobre e subdesenvolvido muitos e muitos anos para o futuro.
Moçambique foi, é e ainda será pobre por muito muitos e muitos anos.

Uma pequena nota estatística sobre as medalhas olímpicas.
Não foram um bom resultado porque a Rússia estava muito desfalcada. Mas também é difícil, muito muito difícil, ser um dos 3 melhores do mundo.
Vou então agregar as medalhas dos últimos 40 anos num número e ver como se compara 2016 com as estatísticas. No cálculo dos pontos atribui 3^2 ao ouro, 3^1 à prata e 3^0 ao bronze (a análise não se altera se alterarmos a base).

  Ano Medalhas Pontos
  1976 0+2+0 = 6
  1980 0+0+0 = 0
  1984 1+0+2 = 11
  1988 1+0+0 = 9
  1992 0+0+0 = 0
  1996 1+0+1 = 10
  2000 0+0+2 = 2
  2004 0+2+2 = 8
  2008 1+1+0 = 12
  2012 0+1+0 = 3
  2016 0+0+1 = 1
Média de 5,64 pontos com desvio padrão de 4,59 pontos.

Então, obter 1 ponto em 2016 não é muito fora do aceitável, estando no limite inferior do intervalo central (5,64-4,59).
E, se há a borla dos russos, também há o problema da diminuição da natalidade (hoje há menos por onde escolher do que havia nos anos 1980).
Agora só temos que esperar que, para 2020, venham outros Obikwelu da Nigéria e Nelson Évora de Cabo Verde ou mulheres de fibra (e de bigode) como a Vanessa Fernandes ou a Rosa Mota.
Amigo Venceslau, vê lá se convences a Vanessa a ir a Tóquio buscar uma medalhita.


Vanessinha, já sabías que, se fosse um concurso de beleza, nunca trarias a medalhita.


Boa sorte Rafael.

Quadro 2 - Serie adaptada de Kushnir (2011) e Banco Mundial para o PIB per capita moçambicano 1970:2015 em USD de 2011


 Ano Kushnir(2011) WB Série
 1970 317 158
 1971 352 175
 1972 385 192
 1973 445 222
 1974 454 226
 1975 452 225
 1976 403 201
 1977 401 200
 1978 408 203
 1979 414 206
 1980 395 189 189
 1981 378 194 194
 1982 385 176 176
 1983 346 146 146
 1984 386 134 134
 1985 360 134 134
 1986 374 130 130
 1987 217 150 150
 1988 187 162 162
 1989 202 172 172
 1990 221 171 171
 1991 175 175
 1992 160 160
 1993 168 168
 1994 171 171
 1995 169 169
 1996 208 208
 1997 224 224
 1998 244 244
 1999 256 256
 2000 254 254
 2001 278 278
 2002 294 294
 2003 304 304
 2004 318 318
 2005 336 336
 2006 359 359
 2007 374 374
 2008 389 389
 2009 402 402
 2010 418 418
 2011 435 435
 2012 453 453
 2013 472 472
 2014 493 493
 2015 510 510

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O défice público no 1S2016 foi de 4,25% do PIB

Portugal é como a Turquia mas ao contrário.
Na Turquia, diz o Erdogan, todos são contra o governo sejam juízes, professores, soldados, jornalistas, funcionários públicos e empresários e, por isso, toca a mete-los na cadeira.
Em Portugal, vejo todos os dias, todos a favor do governo por actos e omissões.

Senão vejamos.
Olhando para as estatísticas do Banco de Portugal,  (ver)
. . . . . . . . . . . . . . . 31/12/2015 . . . . . 30/6/2016
Divida Bruta . .. . . 231345M€ . . . . . 240019M€
Depósitos . . . . .. . . 18646M€ . . . . . . 20395M€
Dívida Líquida .  . .218093M€ . . . . . 221996M€
Aumento na Dívida Líquida . . . . . . . . +3903M€

O PIB no primeiro semestre foi de 91840M€

Já posso calcular o défice público.
O aumento na dívida líquida traduz o défice das contas públicas. Como já sei o valor do PIB, posso agora calcular o défice em termos de percentagem do PIB.
   Défice = 3903M€/91840M€ = 4,25% do PIB

Porque será que ninguém fala deste número?
Porque será que de entre 
1. Elisa Ferreira,
2. Fernando Rocha Andrade, 
3. Francisca Guedes de Oliveira, 
4. João Galamba, 
5. João Leão, 
6. João Nuno Mendes, 
7. José Vieira da Silva, 
8. Manuel Caldeira Cabral, 
9. Mário Centeno,
10. Paulo Trigo Pereira, 
11. Sérgio Ávila e 
12. Vítor Escária (ver) não há unzinho destes 12 sábios do PS que seja capaz de vir explicar como é possível que um défice no primeiro semestre de 4,25% esteja de acordo com o orçamentado, isto é, acabarmos 2016 com 2,2%?
Como é possível o António Costa dizer que vamos ter 2,2% de défice em 2016 e a Comissão nos estar a obrigar a ter 2,5% do PIB? Quer dizer que o Costa vai ter que aumentar mais o meu ordenado!

Já sei a resposta.
É exactamente da mesma forma que um crescimento de 0,85% no primeiro semestre de 2016 está para o crescimento de 1,80% de 2016, mas ao contrário.

E como seria se não tivessem ido buscar a sapiência a estes 12 sábios?
O mais certa era estarmos como no tempo do Passos Coelho.

Não sei de Jesus foi visitado por 3 sábios ou se por 3 camelos

E eu é que sou o destruidor do prestígio da Ciência Económica.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Em 2007 o BES já estava falido, e o BCP?

O Observador disse que o Paulo disse que, em 2007, o BES estava falido (ver).
Isto faz-me lembrar o que o povo diz quando uma pessoa querida morre de cancro galopante "O médico disse que o cancro já lá estava há mais de 10 anos."
Se calhar, até eu já tenho o cancro a roer mas, vir um médico descobri-lo daqui a 10 anos, já quando estiver morto, não me parece que seja de grande ajuda. 
Com o Paulo Azevedo passa-se o mesmo, saber que o BES já estava falido na véspera das Crise do Sub-Prime, não me parece de grande visão pois hoje já todos sabemos isso e muito mais. Digamos que é Testemunha do Senhor Jeová das empresas concorrentes (que estão sempre a ver sinais de que o Mundo está mesmo para começar a acabar, tal como diz o Sagrado Livro do Apocalipse).

A economia e a liquidez.
A economia de uma empresa soma todos os activos e subtrai-lhe todos os passivos. Se der negativo, a empresa está falida, com uma situação líquida negativa.
Mas a empresa funciona perfeitamente enquanto tiver liquidez, enquanto em cada dia o dinheiro que entra em caixa for superior ao que sai. Quando o dinheiro em caixa chega a zero, a empresa entra em rotura de liquidez.
Se houvesse informação perfeita sobre a economia de uma empresa, quando esta está falida, imediatamente, entraria em rotura de liquidez. O problema é que existem formas de esconder a falência, o que se torna mais fácil nos bancos que recebem dinheiro das pessoas e que, depois, dizem que o têm aplicado de forma segura.

Mas não é disso que eu vou falar mas antes do BCP.
Vou-me colocar na abertura do mercado do primeiro dia de 2008. 
Nesse dia 2/1/2008, o cotação abriu a 2,93€ o que, multiplicado pelas 3588 milhões de acções, deu uma capitalização bolsista de 10500 milhões €.
O BCP valia em bolsa 10500M€ o que, tendo o mercado toda a informação, traduzia que em termos económicos, subtraindo o passivo ao activo, o BCP valia 10500M€.

Depois houve aumentos de capital.
Em Abr-2008, um aumento de 1299,9 M€
Em Mai-2011, um aumento de   990,1 M€
Em  Jun-2011, um aumento de   259,9 M€
Em Out-2012, um aumento de   500,0  M€
Em Jul-2014, um aumento de   2241,7 M€
Finalmente (parece que não é ainda finalmente),
Em  Jun-2015, um aumento de  387,5 M€

Somando os aumentos de capital, entre 1/1/2008 e hoje, dá um reforço de 5679M€, os accionistas meteram 4581 M€ e os investidores de obrigações subordinadas, mais 1098 M€.
Como, no entretanto, o BCP não aprece ter feito nada que destruísse valor, hoje o BCP deveria valer:
     10500+5680 = 16180M€


Qual era o valor do BCP em 1/1/2008?
O problema é que hoje não vale nada parecido com 16180M€.
Quem comprou uma acção na abertura do mercado em 2/1/2008 por 2,93€ e acompanhou os aumentos de capitais, meteu 1,27€, do total de 3,02€ que investiu, tem hoje 12,22 acções que valem 0,22€, uma perda de 94,7%.
Supondo alguém rico porque no dia 1/1/2008 tinha 1 Milhão € em acções do BCP e que foi aos aumentos de capital pedindo crédito, vendendo hoje tudo o que tem, fica com dívidas no valor 358 mil €. 
Então, subtraindo ao valor de hoje, 1070M€, os aumentos de capital, 5679M€, o valor líquido do BCP no princípio de 2008 era negativo em 4610M€:
 1070M€ - 5679M€ = - 4610M€
Uma situação líquida bastante inferior à do BPN (-3200M€) e do BES (talvez -3000M€, valor a apurar)

Os administradores estão lá para defender os interesses dos accionistas.
O BCP não estava em 2008 melhor que o BPP, o BPN, o BES, a PT e a OI sendo que a única diferença foi que as administrações não pensaram no melhor dos interesses dos seus accionistas.
Se a administração do BCP olhasse para os accionistas, nunca teria avançado com aumentos de capital e em 2008 teria pura e simplesmente declarado falência.
Pelo contrário e de forma criminosa relativamente aos accionistas, convenceram-nos com informação falsa de que a situação do BCP era positiva e recuperável.

O fim do sigilo bancário.
O que faz isto é termos no governo pessoas ignorantes e estúpidas que não têm a humildade de perguntar porque raio existe sigilo bancário.
É que, acabando o sigilo bancário, as pessoas passam a fazer pagamentos em dinheiro e a guardar o dinheiro em casa e em sistemas bancários paralelos o que aumenta os custos de transacção e o perigo para as pessoas.
Haverá empregados bancários que vão convencer as pessoas a criar contas paralelas, em que o dinheiro fica guardado no cofre do banco mas sem registo.  Talvez muitas destas pessoas guardem o dinheiro mas haverá mais e mais casos de burlas.
Também passará a haver transportadores de dinheiro para fazer pagamentos à distância.
O Fisco não vai conseguir meter a mão a ninguém e a nossa vida vai-se transformar num inferno com a vizinhança toda a saber que transfiro todos os meses 250€ para a menina da cabeleiraria.

É esta! Se as das finanças dizem ao marido que a tenho por minha conta, ele mata-me.

 E o pior é que o filhinho é mais parecido comigo que com o pai!

terça-feira, 16 de agosto de 2016

O emprego do Costa, Guantanamo do Obama e os transportes da Guiné

Hoje vou falar de 3 assuntos.
Vou falar da esperança que o Presidente Marcelo tem para o terceiro trimestre, de como o Obama acabou com o problema de Guantânamo e uns pensamentos sobre transportes marítimos que, a sua melhoria, pode ser o factor de desenvolvimento da "nossa" Guiné.

Os dados do crescimento e emprego.
O maior problema da Geringonça é que a realidade do primeiro semestre de 2016 é muito pior que as "palavras pessimistas e o mau agoiro" com que o Passos Coelho era presenteado pelos esquerdistas há 6 meses. Se o Passos Coelho dizia que em 2016 o PIB não cresceria mais de 1,4%, os dados indicam um crescimento de 0,85%!
Para atingir 1,8%, no segundo semestre a nossa economia terá que crescer 2,8%.

Mas o Marcelo está cheio de esperança.
Diz o presidente que, como o emprego cresceu no segundo trimestre, ainda não está tudo perdido. Sendo assim, vou ter que analisar a evolução do emprego e relaciona-la com o crescimento.

 Fig. 1 - Evolução do emprego (milhares) entre 1T2012 e 2T2016 (dados, www.ine.pt)

Na Fig. 1 marquei a vermelho a evolução do emprego no primeiro e segundo trimestres dos últimos 4 anos (período de expansão económica). Observa-se um aumento de 4720 empregos por mês, 0,1% por mês, 1,2% por ano.
Agora, vou pegar nesses 4 anos e ver como o semestre do Costa compara com os 3 semestres do Passos Coelho, Fig. 2.

 Fig. 2 - Evolução relativa do emprego (milhares) no tempo do Passos Coelho (2013:2015) e do Costa (2016), dados, www.ine.pt.

No emprego não há indicação de que o PIB vá disparar.
Vemos nos dados que o primeiro semestre de 2016 compara-se quase na perfeição como primeiro semestre de 2014, ano em que o crescimento da economia se ficou pelos 0,91%.
Por isso, e como as vacas voadoras não apagam incêndios (porque mijam pouco), também não vão fazer a economia crescer. Desta forma, o mais certo é acabarmos 2016 como o Passos Coelho acabou 2014, com um crescimento miserável de 0,9%.

O fim de Guantânamo.
O Presidente Bush criou Guantânamo para meter as pessoas mais perigosas contra os interesses americanos. No máximo, Guantânamo teve 780 prisioneiros, todos homens.
Entrou o Obama e mais nenhum homem, mulher ou criança foi transportado para Guantânamo.
Em alternativa, o Obama liquidou com um míssil, 45 mil pessoas, homens, mulheres e crianças, destruiu 5 mil carros e 3 mil casas.
O interessante é que ninguém fala dessas 45 mil pessoas abatidas sem julgamento (mesmo que sumário), sem se saber mesmo a identidade dessas pessoas e sem qualquer mandato da ONU ou de um qualquer tribunal mesmo que de uma tirania qualquer africana.
Matam-se 45 mil pessoas porque houve uns atentados na França e na Bélgica executados por franceses e belgas e não se levanta nenhuma voz contra este problema.
E o Obama ainda é visto como amigo dos muçulmanos!

É preciso construir paises.
O Obama é especialista em destruir países. Manda um drone e mata 10 ou 20 e, além disso, permite que a Rússia bombardeie os aliados americanos/europeus que estão no terreno.
Tem o Afeganistão, o Iraque, a Síria, o Yeman e a Líbia em níveis crescentes de violência e destruição.
Mas não se pode ter como estratégia para os países muçulmanos matar à bomba diariamente todas as pessoas que se opõem à estratégia mediática dos políticos europeus e americanos.
Reparemos que, assim que houve os atentados de París, os Holland respondeu não com novas políticas nos bairros franceses mas com bombardeamentos indiscriminados na Síria.
Mas o que é preciso é congelar os conflitos e construir países. 
Redividir os países do médio oriente em novas unidades políticas mais homogéneas e dar incentivos aos locais para a reconstrução, um pouco como foi feito no período 1945-2000.
Bem sei que o Saddam era ditador mas hoje morrem violentamente mais pessoas no Iraque num dia que no tempo do Saddam num ano.
Parece que o único objectivo americano (do Obama/Clinton) é destruir a Síria e o Iraque e entregar o que sobrar aos Russos e aos Iranianos.

Vou para África, para ver os transportes marítimos.
20km a norte da Guiné Bissau fica a cidade Zinguichor que, diz a wikipédia, tem um porto muito importante.
O porto foi melhorado com ajudas externas passando a aceitar barcos até 5,5 m de calado (profundidade) mas, coitadinho, não tem qualquer equipamento, isto é, não tem gruas pelo que  as cargas e descargas são feitas apenas à força de braços.

Fig. 4 - Porto de Zinguichor, Casamança, Senegal

Se isto é assim, como será o Porto de Cachéu?
Nos mapas da Guiné Bissau, há um porto "importante" no Norte, o Porto de Cachéu.
Cachéu é a capital da região mais populosa da Guiné Bissau, com cerca de 200 mil habitantes.
Fui lá fazer um visita (com o Google) e aquilo é mesmo deprimente, não passa de um rotunda com três barracões e um cais de atracagem com 20m.
O calado máximo é 1,80m com a maré vazia e 3,0 m com a maré cheia, nem dá profundidade para dar uns mergulhos.

 Fig. 5 - Porto de Cacheu, Guiné Bissau.
 
Quanto poderia custar uma viagem Bissau-Lisboa?
A GB é um dos países mais pobres do Mundo, estando na 12.a posição com um nível de vida que é apenas 5% do nosso (comparação em termos de PIB per capita em apridade do poder de compra, WB). Se, por exemplo, uma família de nivel média-baixa vive em Portugal com 1000€/mês (2 SMN), na GB terá que viver com o equivalente a 50€/mês. 
Além de ser muito pobre, o nível de vida não sai da cepa torta, com um crescimento inferior a 0,5%/ano.
Uma oportunidade de desenvolvimento da GB, à semelhança da castanha de caju que é responsável por 98% das exportações, são as frutas tropicais, a banana, o ananás, a manga e o abacate.
O problema são as dificuldades de transporte.

Vou fazer umas contas simples.

Vou imaginar um barquito com capacidade para 100 TEUs.
Obtive uns dados que indicam que um navio a 20 nós (36km/h), com 13000 TEUs precisa de 70000 cavalos de potência.
Como a potência é proporcional à área molhada, um navio com 100TEUs, à mesma velocidade, precisa de
       70000hp * (100/1300)^(2/3) = 2730 hp
Com um consumo de 0,150 litros/hp/hora, teremos 
      7230*0,15 = 410 litros/hora em combustível
Para percorrer 4000 km, o custo total do combustível será (a 0,65€/litro)
      410*4000/36*0,65€ =  30000€
Por TEU, serão 
      30000/100 = 300€

O custo do navio (2,5 M€) amortizado em 20 anos e com uma taxa de juro de 5%/ano e uma taxa de ocupação na ordem dos 55%, traduz-se em 1000€/dia.
Como a viagem a 20 nós demorará 4000/36/24 + 3 dias para carga/descaga, 8 dias, o barco acrescenta um custo de 80€/contentor TEU. 
Imaginando que a carga num sentido pondera 75% dos costos, o combustível mais o combustível totaliza
 1,5*(300 + 80) = 570€

Acrescentando 130€ para custos diversos e 340€ para a carga e descarga,  teremos 1000€/TEU, 4,00€/saca, 0,085€/kg.

Se a carga for de banana, o custo da viagem de 0,08€/kg traduz um incremento inferior a 25% ao preço à saida da produção.

Mas a viagem para a Europa tem problemas.
O principal é as viagens transatlanticas serem em navios enormes. No design actual o galgamento pelas ondas pode causar o viramento do navio e, por isso, quanto maior, mais seguro se torna.
Mas os países pobres, com estradas fracas que torna impraticável juntar a carga num porto que possa receber esses navios, é necessário um navio com uma filosofia diferente, que, para ser pequeno, possa ser galgado pelas ondas do oceano aberto.

Fig. 6 - Estou a imaginar um navio tipo centopeia, com um comprimento de 10x a largura.



Fig. 8 - Um perfil baixinho para poder ser facilmente galgado, quase como um submarino.

Naturalmente, um roboship.
Quando a ondolação estiver alta, a centopeia vai orcilar muito, com galgamento de ondas e podendo mesmo voltar-se. Por isso, e para reduzir os custos da tripulação, terá que ser um roboship guiado pelo GPS e pelo RADAR. Sim, porque o SONAR pouco pais serve que para medir a profundidade das águas.


Se a produtividade for 20 t/ha/ano.
Imaginemos que 50% do terreno é agricola e que produz 20 tonelados por hectar por ano. Então, para alimentar uma centopeia por semana (com 1200 ton de carga) serão precisos:
    1200*52 / 20 /0,5  = 6240ha
Esta "carreira" permitiria aumentar as exportações em 20 milhões € por ano.
Notar que a Guiné Bissau exporta menos de 150 milhões € por ano, apenas 80€ por pessoa por ano, muito pouco para conseguir pagar tudo o que precisa de importar!

Finalmente, os fogos florestais.
Arde cerca de 1% da floresta todos os anos, ligeiramente menos pelo que os custos para acabar com os fogos florestais não podem ser maiores que 1% da rentabildiade da floresta.
Se a floresta "natural" produzir 8000kg/ano que valem 240€/ano, não é racional gastar muito mais do que 2,40€/ano na prevençao dos fogos florestais.
 Mas os nossos governantes, não tendo capacidade nenhuma para fazer contas e tendo vivido semrpe na cidade, actuam como o Erdogam: para evitar um prejuizo de 1%/ano, impõem um custo muito superior aos desgraçados dos agricultores.

Eu vou esplicar porque os incêndios começam de madrugada.
É que isto já me aconteceu.
Os velhotes querem ter os matos limpos para fugir à ameaça das multas. Então, fazem queimadas mas, só depois do Sol se pôr para que ninguém veja o fumo, o que, no Verão, é lá para as 10h da noite.
Depois, lá para a meia-noite, já tudo queimado, junta-se o braseiro que sobra no meio da zona queimada e apaga-se com terra.
O problema é que, às vezes, as raizes mortas ficam a arder lentamente debaixo da terra e, passado umas horas, o fogo reaparece noutro sítio.
Isto já me aconteceu  mas a minha sorte é que a área tinha erva baixinha e estava cercada por um caminho de terra batida.
Mas, quando cheguei lá no outro dia, foi uma surpresa ver tudo ardido. E eu até tinha apagado tudo com água!

Fig. 9 - Para não queimar as mamocas, o melhor é a menina seguir o exemplo ao lado.

A geringonça destruiu mais floresta que os incêndios todos juntos.
Não existem dados certos sobre a produção da floresta mas a soma da madeira toda não andará muito longe dos 0,6% do PIB português, 1200 milhões€ por ano.
Se observarmos que, relativamente aos 1,5% do Passos Coelho, este ano a economia só vai crescer 0,9%, ai estão os 0,6% que engolem toda a produção da nossa floresta.
E não vejo bombeiros nem meios aéreos a combater a Geringonça.
 

 


sexta-feira, 12 de agosto de 2016

0,8% de crescimento? O INE está na mão da direita.

Quanto era a previsão dos 12 macacos para o crescimento?
Fui retomar o texto que os 12 sábios do PS escreveram (Uma década para Portugal). Na altura o meu sobrinho disse que o Excel do documento tinha exageros e, começando pelo Louçã e acabando com o processo disciplinar que o reitor da universidade do Porto lhe moveu, caiu o Carmo e a Trindade porque o coitadinho disse, na sua inocência, que o Excel do Gasparzinho tinha voltado à carga.
Mas vamos retomar essa folha de Excel (p. 95) de que apresento aqui apenas o importante para calcular a taxa de crescimento do PIB.

 
 Fig 1 - Três linhinhas do quadro da p. 95 do documento dos 12 sábios do PS.

   B7: 100
   C7: =C8/C4*100 e copiar em linha até G7   B8: =B7*B4/100
   C8: =B8-B3*B7/100 e copiar em linha até G8
   C9: =C7/B7-1 e copiar em linha até G9
  C10: =(1+C9)/(1+C5)-1 e copiar em linha até G10
  H10: =AVERAGE(D10:G10) e copiar em coluna para H5 e H9

A inconsistência está na média.
Os sábios indicavam um crescimento de 2,48% para 2015 que estava muito acima da previsão do Passos Coelho (o crescimento em 2015 fechou em 1,48%) mas o problema não vem dai.
A inconsistência vem de referir na p. 92 um crescimento médio para 2016-2019 de 2,6% e, depois, no quadro final, estar lá implícito um crescimento médio de 2,98%!

Mas eles são sábios (e logo 12) e eu não passo de um burro carregado de fruta.
 
Mas vamos então às previsões feitas em Abril de 2015
Défice para 2016 de 3,0%.
Crescimento do PIB real para 2016 de 2,44%.

Em quanto está o crescimento no primeiro semestre de 2016?
Diz o INE que está em 0,85%, 0,9% no primeiro trimestre e 0,8% no segundo trimestre.
E afinal era o Excel do Gasparzinho que se enganava?
Como estará o défice?
Não é possível ter uma previsão com o par 3,0% de défice / 2,44% de crescimento e, sem mais nada, vir dizer que vamos ter o par 2,2% de défice / 0,85% de crescimento.
Isto tudo está dependurado por 500 milhões de euros de ISP que não existem e mais 200 milhões de euros no tabaco que também não existem mas que a comunicação social acha muito interessante.
Anda hoje no JN dizia, sem qualquer reserva, que o consumo de combustíveis se manteve na mesma e que a receita em ISP aumentou quase 50%.
E de onde vêm esses 50% de aumento? De 0,06€/litro?

O INE está tomado pelos golpistas de direita.

Estou a imaginar a vontade de o Costa e demais esquerdistas fazerem ao INE (e a mim, pela mão do reitor e do gordo do BE da faculdade de letras) o que o Erdogan fez a tudo que mexe.
Ou será que o "outro caminho, o caminho do crescimento" esquerdista é mesmo termos 0,85% de crescimento enquanto que o "caminho da austeridade e da destruição" do Passos Coelho era termos 1,48% de crescimento?
Mas os esquerdistas diziam que 1,48% era poucochinho!

Que Deus não deixe que o justo adormeça enquanto os ímpio destrói o Templo.
Maria Clara

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Os prejudicados com a globalização

OK, já mostrei que o comércio é positivo. 
Num modelo com 2 setores (pão e salsichas) mostrei os ganhos da especialização no sector em que a região/país tem vantagens comparativas. Agora, vou mostrar porque nem toda a gente é a favor do comércio, isto é, da globalização apresentando um exemplo ilustrativo.

Vamos a Bissau, onde a banana é rainha.
Bissau é hoje uma cidade com 450 mil habitantes, mais do dobro da população da Cidade do Porto (200 mil) e quase a de Lisboa (500 mil). E pensar que em 1970 Bissau tinha 70 mil habitantes e o Porto 300 mil habitantes.
Vou supor que cada bissauano consume 200kg de banana por ano, 0,5kg/dia, ao preço de 0,50€/kg (90 mil ton/ano). 
Vou supor que, se o preço P aumentar, a quantidade consumida diminui segunda a reta:
       Consumo = 90 - 145*(P - 0,5)

Vou supor que custo de produção da banana é 0,20€/kg.
Vou supor que a produtividade é de 12,73 ton/ha/ano.
Vou supor que 10% do território á adequado para a produção de banana.
Vou supor que o custo de transporte é 0,01€/kg/km, CT.
(São apenas números razoáveis para calibrar o modelo)

Talvez por causa da pobreza, trajos carnavalescos em Bissau são reduzidos ao mínimo.


Vamos ao equilíbrio de mercado.
A 0,50€/kg, apenas as pessoas a menos de (0,50-0,20)/0,01 =  30 km é que irão produzir banana, uma área total de 706km2 onde se vão produzir as 90 mil toneladas, 706*100*10%*12,73/1000, consumidas todos os anos. Para um preço genérico P, a produção será dada pela curva ascendente:
   Produção = (pi()*((P-0,20)/CT)^2/4)*100*10%*12,5/1000

O equilíbrio de mercado será conseguido com o preço que iguala a produção ao consumo
   Produção = Consumo

Para um custo de transporte de 0,01€/km/km, o equilíbrio é P = 0,50€/kg e Quantidade = 90 mil ton, produzidas num raio de 30 km de Bissau.
O número de agricultores é 7070 (1ha cada).

Qual o lucro de um agricultor?
Sendo o preço de 0,50€ em Bissau, quem morar a 10km, conseguirá vender as bananas à porta do seu terreno a 0,50 - 0,01*10 = 0,40€/kg pelo que, para um custo de produção de 0,20€/kg, terá um lucro de 0,20€/kg
Quem morar a 27km de Bissau já só terá um lucro de 0,50-0,01*27 -0,20 = 0,03€/kg.
E quem morar a 30km (ou mais) terá lucro zero.

Agora, vou diminuir os custos de transporte para metade.
Vou imaginar que foram abertas estradas ou oferecidos camiões todo-o-terreno que facilitam os transportes de forma a que passam a custar 0,005€/kg/km.
Agora, o equilíbrio de mercado vai resolver a equação seguinte
    (pi()*((0,50-P)/0,005)^2/4)*100*10%*12,5/1000 = 200 - 300*(P - 0,5)

Com a redução para metade do custo de transportes, o preço da banana em Bissau diminuirá para 0,365€/kg e o consumo (e a produção) aumentarão para 110 mil ton.
O número de agricultores aumentará de 

Mais pessoas irão produzir.
Apesar de o preço ser mais barato, haverá mais produção porque os agricultores mais distantes já poderão produzir. Se antes a partir dos 30km não era rentável produzir, agora, essa distancia aumenta para os 33km
      ((0,365-0,20)/0,005) = 33,1 km
Passar de 30km para 33,1km faz com que o número de agricultores aumente de 7070 para 8600.

Qual o lucro de um agricultor na nova situação?
Sendo o preço de 0,365€ em Bissau, os agricultores mais próximos vão ficar pior.
A 10km de Bissau, 0,365 - 0,005*10 - 0,20€, terá um lucro diminuído para 0,12€/kg
A 27km de Bissau, 0,365 - 0,005*27 - 0,20€, terá um lucro igual (de 0,03€/kg)
A 30km de Bissau, 0,365 - 0,005*30 - 0,20€, terá um lucro aumentado para 0,02€/kg


Como vamos resolver o problema dos mais próximos?
Com a diminuição do custo do transporte, as pessoas de Bissau melhoram  porque o preço da banana diminui em 33% e os agricultores mais distantes também porque passam a ter acesso ao mercado de Bissau.
O problema é que os agricultores que moram a menos de 27km de Bissau ficam em pior situação.
Temos, por um lado, 450 mil bissauanos + 28750 agricultores que melhoram e, por outro lado,  temos 57250 agricultores que pioram (supondo, 1 agricultor por ha).

Qual é o problema?
É que  os 57250 agricultores vão bloquear as estradas de acesso a Bissau.
Assim que começarem a ver passar os camiões de longe, cortam as estradas, incendeiam os camiões e matam os motoristas.

O progresso é difícil de entrar.
Eu coloquei-me em Bissau porque os estimados leitores aceitam com maior naturalidade que isto aconteça num país atrasado como é a Guiné Bissau.
Antes da independência era atrasado e, desde então, tem-se mantido atrasado.
Bem sei que o desenvolvimento não tem um caminho fácil, que não depende tanto das pessoas de lá como pensamos pois esses países têm falta de capital, seja físico, seja humano.
Quando dizemos "são países mal governados" estamos a esquecer que o saber-se governar está dependente do "saber fazer" e isso é capital humano não só de quem governa mas principalmente de quem os escolhe.

Mas vamos ao que interessa.
O que eu queria mostrar eram as razões dos nossos agricultores quererem proibir o leite da Galiza, a carne da França ou as maçãs de Marrocos de entrar nos nossos supermercados.
Sempre que alguém quer proibir o comércio, isto é, o avanço da globalização, está a defender os seus interesses à custa dos consumidores e dos produtores que vivem mais longe.
E os custos de transporte também podem ser entendidos como a dificuldade na difusão de novas descobertas. Aqui, os que usam a tecnologia atual vão criar barreiras para que nova tecnologia possa entrar.

Vou fazer uma pequena pergunta.
Quando, em 1961, apareceu a nossa primeira auto-estrada, a velocidade máxima permitida era de 120km/h. O argumento para haver limite era a segurança (ou a falta dela).
Decorridos 55 anos, com os carros muitas vezes mais seguros, o limite de velocidade mantém-se o mesmo.
Não seria já tempo de aumentar o limite para os 160km/h?
Se comparar a segurança de um carro de hoje com um carro de 1960, penso que ainda fica mais seguro conduzir hoje a 160km/h do que era conduzir a 120 em 1960.


O carro típico de 1960
Mas são as barreiras ao progresso.
Lembram-se da ponte aérea Porto-Lisboa e Vigo-Lisboa? Então já ninguém fala disso?

Também termos os incêndios.
Os incêndios têm que se combater com contra-fogo, não é com umas mangueiritas a regar os matos.

É a Lei de Talião.
Apesar de, pensando no Trump, a imprensa interpretar muito mal esta lei concentrando-se no "olho por olho", de facto a Lei de Talião é exatamente ao contrário: a reação deve ser proporcional à ação.
Se alguém me chama FDP e não lhe posso dar um murro tendo antes que lhe chamar outros nomes.
 Se alguém me buzina e não lhe posso passar com o carro por cima mas antes dar também umas buzinadelas.
Se alguém me assalta a casa eu não lhe posso espetar um tiro de caçadeira na cabeça.
Também no fogo, eu não o posso combater com água.

 Mas, se querem continuar a brincar com a mangueirinha, força nisso.

 Por falar no Trump.
Por agora, as sondagens indicam que a coisa está a correr mal para os seus lados. Neste momento está 8,5 pontos abaixo da Clinton.

Média móvel das sondagens para as presidenciais americanas (dados)

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