segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O fim dos taxis está muito próximo

A geringonça está a preparar a machadada final nos táxis.
Os táxis são uma tecnologia muito antiga, do tempo em que as carroças eram muito caras e de manutenção difícil, quase ninguém sabia conduzir e o custo da mão de obra (do cocheiro) era baixo.
Ao longo das décadas tudo isto mudou, o que foi contrariado pelo aumento das restrições legais à profissão de taxista.
Para avaliarem a facilidade de manter um carro funcional, na segunda-feira passada fui à oficina mudar o óleo ao meu carro sendo que a anterior vez que o tinha feito tinha sido em Abril do ano passado, há 17 meses, 26 mil km atrás, sem nunca nada mais fazer do que meter gasolina (talvez 1600€).

Vejamos o custo do transporte individual.
O meu carro custou 10000€ e dá para 300000km. Somando um consumo de 4,5litros/100km, com amortização, combustível, seguro, manutenção e portagens, o custo fica ligeiramente abaixo dos 0,15€/km.
Este custo é metade do preço de uma viagem em autocarro nos STCP (Porto) ou na CARRIS (Lisboa) que têm uma média de 0,30€/km e um oitavo do preço de uma viagem de táxi que andará numa média de 1,2€/km (incluindo a bandeirada).

Mas eu sou o condutor e não levo dinheiro!
Sou o condutor mas isso não me causa desgaste nenhum relativamente a ir sentado no lugar do morto.
Aposto mesmo que pelo menos 80% das pessoas que precisam de transportes não fazem qualquer sacrifício em conduzir o veículo.

By the way
A minha ucrhanianhazinha gostou do meu carrinho, tendo mesmo dito "Your car is huge inside, I could live in it" o que é bom indicativo. Olhando para um carro tão pequenino e dizer "It is huge" liberta-me um pouco do pior dos pesadelo de um homem pode viver: ouvir "You pendrive is enormously small".
Pelo lado das ucrhanihanazinhass, o pior pesadelo é que lhes digam "Your boobs are so tiny looking like a  par of fried eggs."

Mas vendo os ovos, não se saber se a carne é ou não gostosa
 
Porque será que ainda existem táxis?
Não parece ter lógica económica que existam clientes para carros com condutor quando quase todos nós somos capazes e até sentimos gosto em conduzir.
Para existir tem que haver algum problema.
Mas antes de falar desses problemas, vou explicar a economia dos táxis.

O mercado fechado.
O mercado de táxis é fechado no sentido de que o número é limitado por lei e o preço é igual em todos.
1 => Existe limite na quantidade.
2 => Não é possível fazer descontos no preço.

Estas duas condições traduzem que os taxistas fazem um cartel o que, apesar de estar regulamentado por lei, é contrário à lei da concorrência.
Ao formarem um cartel, quem sofre são os clientes que têm que pagar um preço mais elevado e andam menos de táxi do que andariam se o mercado fosse concorrencial.

Quem ganha com o mercado fechado?
Podemos pensar que são os taxistas atuais.
Se qualquer pessoa pudesse pegar no seu carro e fazer transportes de passageiros, o preço do transporte iria por ai abaixo fazendo como os salários dos condutores fossem cada vez menores.
Se hoje, por exemplo, ser taxista rende 6€/h, este valor diminuiria e, no final, só pessoas disponíveis para ganhar menos é que continuaria a fazer transportes. Por esta razão é que em Londres só se veem indianos a conduzir táxis.

(POR FAVOR, NÃO LEIA O QUE VEM A SEGUIR: escrevi indiano como um termo genérico para "Pessoas oriundas de países onde o salário médio está abaixo de 100€/mês e que imigram para o ocidente à procura de uma vida melhor sujeitando-se a trabalhar como taxistas por tuta e meia e, as mulheres, a trabalhar deitadas e a casar com o Pinto da Costa ou com professores decrépitos que já lá só vão com dose de 100 mg de Viagra".)


Quem ganha não são os taxistas mas os detentores das licenças.
Vamos supor que o custo sem condutor de um táxi é 0,25€/km e que faz uma média de 100km/dia a 1,00€/km. Neste caso o táxi tem uma margem de 100€/dia-25€/dia = 75€/dia.
Se um motorista estiver disponível para trabalhar por 60€/dia então, depois de pagos todos os custos, o dono da licença ganha 15€/dia o que, para uma taxa de juro de 5%/ano, traduz que a licença vale 112 mil€ (uma obrigação perpétua, =15/((1+5%)^(1/365)-1).)

Vamos imaginar o liberalizar do mercado (a quantidade e o preço).
O preço do transporte irá diminuir e o tempo de paragem também o que fará com que a margem que antes era de 75€/dia, vai diminuir até aos 60€/dia, altura em que o valor da licença cai a zero.
Nesta primeira fase, quem perde são os donos das licenças.

Na segunda fase, os motoristas que exigem rendimento mais elevado, vão sair para atividades alternativas enquanto que vão entrando pessoas que estão disponíveis a trabalhar ganhando menos. Começarão a aparecer mulheres, jovens estudantes, indianos, africanos e mais pessoas "marginais" porque atualmente, com o GPS nem é preciso saber as ruas da cidade nem sequer compreender bem o português (o cliente pode mesmo escolher diretamente no GPS para onde quer ir).

Qualquer das limitações é fundamental.
O principal justificação para que a licença tenha valor é a limitação da quantidade de táxis (por exemplo, um máximo de uma licença por cada 1000 eleitores) mas a impossibilidade de negociar preço também é importante para aumentar o seu valor (é um cartel)

Agora a Geringonça vai limitar as limitações à entrada de novos operadores.
Se deixarmos entrar qualquer um com o preço que quiser (ver, projeto legislativo), os preços vão inevitavelmente cair até que apenas as pessoas disponíveis para trabalhar ao salário de equilíbrio concorrencial (baixo rendimento horário) ficam no mercado.
Vejamos se o que a Geringonça pretende impor aos transportadores (a que chama TVDE) é suficiente para restringir as entradas
  A) Carros só podem ter um máximo de 7 anos => não me parece
  B) Condutor tem que fazer 30h de formação => não me parece
  C) Têm que ter seguro idêntico ao dos taxistas => não me parece
  D) Não podem andar na via BUS => não me parece
  E) Não têm benefícios fiscais => não me parece
Nenhuma destas limitações me parece um limite à entrada pelo que serão incapazes de manter a atual situação de cartel.

É como a escravatura.
Quem tem licenças vai perder a aparente riqueza que elas aparentemente representavam mas os condutores  sem licença não perdem nada.
Comparemos emtão com a escravatura.
Imaginemos que, em mercado concorrencial, um trabalhador livre ganha 500€/mês e que nesse mesmo mercado livre um escravo custa 200€ em comida e alojamento (não ganha nada).
Apesar de o escravo parecer mais barato 300€/mês, não é assim porque é preciso comrpar o escravo e, em concorrência, o preço de compra do escravo vai traduzir o valor atual de todos esses 300€ que o homem livre iria receber a mais (63 mil € para uma taxa de juro de 5%/ano e 40 anos de trabalho).
Além desta igualdade, acontecia que o escravo não tinha incentivos para trabalhar (trabalhava pouco e só a poder de porrada)
Foi por isto que a escravatura acabou e não por a humanidade se ter tornado mais humana.

Como vejo os transportes públicos do futuro.
Para verem que não estamos sob uma limitação tecnológica mas apenas legal, vou trabalhar com carros iguais ao meu, i.e., que precisam de condutor.
Vou pensar como vai funcionar o mercado dividindo-o em veículos e clientes.

A) Do lado dos veículos
Pessoas compram carros para alugar sem condutor.
Vão a um stand e compram um carro qualquer, novo ou usado, grande ou pequeno, da marca que quiserem e da cor que bem entenderem, a gasolina, gasóleo, GPL, gás natural ou elétricos.
O carro terá apensa que ter um GPS capaz de transmitir a localização do veículo.
Poderá haver pessoas que têm um veículo e outras que têm 1000.
Estou a imaginar que o veículo tem uma luzinha que pode ser vermelha (ocupado) ou verde (livre).

Regista-se o carro em sites de aluguer de veículos sem condutor.
O registo vai servir para ligar a parte dos veículos à parte dos passageiros.
No registo, o dono vai dizer informação que ajude o passageiro a escolher o veículo.
Vai ter que introduzir as características do veículo e quanto quer pelo transporte.
O preço do transporte pode ser simples (0,50€/km), mais elaborado (1,00€ + 0,30€/km + 0,05€ por minuto) ou ser um modelo complexo que incluía, entre outras variáveis, os quilómetro percorridos, tempo da viagem, hora do dia, consumo de combustível, portagens, número de passageiros e peso transportado e que esteja aberto a dar "promoções em cartão".
 O preço será transparente para o cliente através de um simulador.
A cada momento, o site vai interrogar o GPS do carro para saber onde este se encontra.

A) Do lado dos passageiros
Quando o cliente precisa de um carro ...
Procuram nos sites especializados que lhes fornecerão um apanhado dos carros disponíveis com a distância a que estão estacionados, as suas caraterísticas e o preço da viagem pretendida. A pessoa escolhe o veículo e dirige-se para o local onde o mesmo está estacionado.
O cliente também se pode dirigir diretamente a um veículo estacionado que esteja livre (com a luzinha verde) e, usando um ecrã tátil localizado numa janela, perguntar-lhe qual é o preço da viagem que pretende fazer.

Quando chega ao carro, enfia o Multibanco na ranhura e arranca.
O cliente enfia o multibanco na ranhura que tem na porta e marca o código o que faz as vezes da chave. A porta abre-se e, a partir dai, pode por o carro a trabalhar e fazer a sua viagem, desde o ponto em que está até onde bem entender. 
No final da viagem, estaciona o carro num sítio qualquer e, assim que fechar a porta, a sua conta bancária é debitada e o recibo eletrónico emitido. 

Onde está o problema tecnológico para que isto não exista?
Em lado nenhum mais que não seja na necessidade de haver no mercado um seguro contra todos os riscos.
Pode acontecer o cliente arranhar a pintura, rasgar os estofos, ter um acidente ou mesmo roubar o veículo e desmonta-lo para vender as peças. Se eu tiver 1000 carros que custaram 10 milhoes€, a perda de um carro será de apenas 0,1% pelo que todos os riscos se podem diversificar e traduzir numa parcela, talvez 0,05€/km, a somar aos 0,15€/km mas, se tiver apenas um carro, o risco fica relativamente grande. A forma de ultrapassar este problema é o mutualismo, o aparecimento de seguros contra todos os riscos que ultrapassem esta "falha de mercado."
Talvez seja preciso o cliente identificar-se com o Cartão de Cidadão, talvez seja preciso que a conta bancária tenha um saldo mínimo mas tudo vai passar, para além da liberalização da legislação, pelo aparecimento de um seguro que cobra os riscos do aluguer de veículos sem condutor.

As eleições americanas estão a chegar a um ponto de empate.
Hoje é o primeiro debate entre o Trump e a Clinton.
Interessante que, depois de a Cinton ter em Abril uma vantagem de 9 pontos percentuais, agora os dois candidatos estão taco a taco. Na sondagem das sondagens que eu vou construindo, hoje a Clinton está com uma vantagem de 0,7 pontos percentuais, com um erro de previsão na ordem dos 2,4 pontos percentuais.
A Clinton ainda tem vantagem que é mais significativa se descermos ao nível dos estados mas tudo está em aberto.

Evolução da média das sondagens sobre as presidenciais americanas Trump/Clinton

Finalmente, o défice público.
Não tenho confiança nas contas da Geringonça e, mesmo que estejam correctas, o importante, como diziam os esquerdistas quando o Passos Coelho era primeiro ministro, é a taxa de crescimento da economia e a dívida pública (que é o que temos que pagar).
Mesmo assim, estou a ler na televisão que a odéfice foi menor em 81 milhões que o ano passado.
Ora fazendo uma conta simples, se o ano passado o défice foi de 3,1% e este ano queremos que seja 2,5%, teria que haver uma redução de 0,6% PIB que, em 7 meses, precisaria de uma redução de 650 milhões €.
     185*7/12*0,6% =  650 milhões€.
Com uma poupança de 81 milhões €, atira o défice para os tais 3% que o FMI referiu.
Mas vamos aguardando que a Geringonça vai-se estatelando como está a acontecer ao PSOE.
E, no entretanto, o meu salário vai sendo "reposto".

Não tenho visto a menina porque tem estado doente.
Estive a calcular o índice de massa corporal e tem 17,7.

O imc desta deve ser muito maior que 17,7.

Um abraço

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

A bomba nuclear norte coreana e o défice abaixo dos 2,5% e o crescimento nos 1,8%

São tudo coisas que queremos acreditar.
Eu ainda quero acreditar que, um dia, aparecerá uma gaja toda boa, de olhos azuis, bater à porta do meu gabinete a oferecer-se para ser minha amante.
Todos queremos acreditar que a Miss Mundo vai terminar com as guerras e fome no mundo mas, pensamos depois, "Tu eras boa era para fazer aquilo que eu sei" (pensou o Trump e assim o fez).

Numa viagem de avião ...
O Sr. Comandante avisa "Tenho a dolorosa obrigação de vos avisar que ambos os motores pararam e, como estamos no meio de nenhures, o avião vai cair dentro de 10 minutos. Façam o que precisarem fazer pois as vossas vidas chrgaram muito brevemente ao fim.
Uma jovem bem jeitosa levanta-se e grita "Por favor, eu sou uma menina e eu não quero morrer antes de alguém me fazer uma mulher de corpo inteiro, fazer aquilo que vocês homens sabem"
Levantou-se um homem nos seus 30 anos e ofereceu-se logo "Vamos ali para traz que eu faço-a já uma mulher"
Chegados lá atrás o homem tirou a camisa, tirou as calças e disparou logo "Queres ser uma mulher de corpo inteiro? Passa isto a ferro e cuidado com o duplo vinco senão ainda levas no focinho."

Será que a Coreia do Norte tem a bomba atómica?
Nem pensar nisso. 
O problema da BA de hidrogénio tem uma dimensão mínima de 225 kt e uma verdadeira Bomba H tem uma potência na ordem de 15000 kt e a coisa que rebentou foi anunciado que estava abaixo das 10kt.
E foi anunciado que a explosão aconteceu exactamente ao mesmo tempo que um terramoto para não ser possível medir no exterior qual a verdadeira potência da anunciada bomba.
O bicho esteve à espera que acontecesse um terramoto e, pumba, foi ai que rebentou a bomba.



E porque será que toda a gente dia que acredita?
Para ver se o bicho se convence que estamos convencidos de que ele tem a bomba o que, talvez, o faça acabar com essa toleira de tentar fazer bombas atómicas.

O défice e o crescimento são outra brincadeira.
Já estou como o cigano que vende coisas a partir da carroça 
"O défice numa loja qualquer é 2,2% mas para para o estimado freguês não vai ser 2,2%, 2,3% nem 2,4%, vai ser mesmo 2,5%. Mas como o freguês me parece estar enteressado, faço um défice de 2,5% e um crescimento de 1,8% se levar os dois em conjunto."
Não vai ser nada disso e só não compreendo porque a UTAO teima em dizer que o défice vai ser de 2,6% e o crescimento de 1,0% quando nem perto disto vão estar. Mas vamos esperar para ver onde a coisa vai cair que será, naturalmente, na cabeça do contribuinte.

Será que a Sobretaxa do IMI vai cair só no "grande capital"?
Naturalmente que não pois, se os esquerdistas tributarem apenas os ricos, como só há meia dúzia, a medida não dá receita nenhuma.
Agora, vai ser tudo uma questão de definição de rico. Lembrem-se que, antigamente, ser rico era ganhar o Salário Mínimo Nacional (530€/mês, 14 meses por ano) mas que, no governo do Sócrates, isso foi alterado para o Índice de Apoios Sociais (419,22€/mês, 12 meses por ano). Sim sim, e foi esse mesmo do olhinho, o Vieira da Silva que reduziu o patamar de rico de 7420€/ano para 5030,62€/ano, uma redução de mais de 30%. 
Agora vai ser igual, vão cortar as unhas até  eu me tornar um exemplo de "grande capital" (eu tehnho mhais de cinhquenta mhil euhros no bahnco!).
 
Aghora, a quehstão da muhlher vinhda de leshte.
Vhou ter que mehter um haga no mehio de cahda palahvra pahra que eshta parhte do texhto não poshsa ser tradhuzida pelo guhogla.
Nhão é que apahrecheu meshmo umha jovhem, vinhda de um pahís do lehste, pahra tenhtar fazher-me fehliz? De cahsa dehla ahté ao mheu gabhinete tehve que fahzer quahtro mhil, duzhentos e dohze quilhomehtros.
A coithadinha tehm trinhta e um anhos, ohlhos cinzehntos claros que shão azhul mahrinho ao shol, pehsa quahrenta e sehte quilos, é dohutorahda em ecohnomhia e prohfessohra nuhma univehrsidahde ucrhaniana e, conhfessohu-me, dehpois de fahzer umhas conhtas ao câmhbio da horha, "nhão pohsso anhdar de auhtocharro porhque gahnho cehnto e thrês euhros pohr mhês."
Dihgo-vos qhue é em bhom e ahté cenhto e três euhros por mhês ainhda lhos pohsso dhar, pesno que sehrá fáhcil amohrtizha-los.
Fihquei meshmo com pehninha, a coitahdinha até me mohstrou a carhteira onhde tihnha tohda a sua forhtuna que pouhpou ao lonhgo de tohda a suha vihda, mehia dúhzia de nohtas de vinhte euhros.
O intehressahnte é qhue mhe cohnheceu neshte blohgue!  Diz que tradhuziu no guhgla e qhue, por parhtilhar das mihnhas idheias, decihdiu vhir phor ai abhaixo.
(Teshtei o tehxto no guhogla e a mhoça nhão vhai meshmo conhseguir trahduzir eshta pahrte) 


O mhais cerhto é acabarhmos arraçahnados um cohm o ouhtro, com umha dúzhia de fihlhinhos.

A Clinton tem uma saúde de ferro.
Andei a pesquisar na internete e até encontrei quem dissesse que tinha SIDA. Desde demência até embolia pulmunar, encontrei de tudo.
Já o Trump, tem a mulherzinha para atestar que "Estar tudo em ordem" (tahmhbém vehio de lehste).

O Bill Clinton também está caquético, sempre com a boca aberta. Deve ser a maldição Lewinsky!

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A vitória do Trump e a derrota da CGD

Não acham estranho que o presidente mexicano tenha convidado o Trump? 
Sendo certo, segundo os opinion makers, que o Trump vai perder por muitos, para que se deu o Presidente Enrique Peña Nieto ao trabalho de convidar o Trump para uma "visita de estado" com direito a uma conferência de imprensa conjunta?
Será que o Nieto é louco ao ponto de atribuir alguma probabilidade à hipótese estrambólica de o Trump vir a ser o próximo presidente americano?
Para responder a esta questão, fui ao www.realclearpolitics.com ver como andam as sondagens a 2 meses das eleições (que serão no próximo dia 9 de novembro).

Desde março, foram apresentados 179 resultados.
Mas são sondagens muito diferentes. Umas são inquéritos num site, outras são o acompanhamento semanal de uma painel (fixo) enquanto que outras são perguntas feitas pelo telefone. Também umas têm s
o dois candidatos e outras têm 4.
Num primeiro passo, homogeneizei os valores considerando apenas 2 candidatos e dividindo a abstenção e os votos nos outros candidatos proporcionalmente pelos 2 candidatos.
Num segundo passo, fiz uma média móvel ponderada pelo tamanho da amostra (dividi por 10 as sondagens em sites por não terem o mesmo rigor estatístico), considerando o peso de 10% à última sondagem.

O que observo 
é que, desde abril (mês 4), as intenções de voto estão sempre a subir mas que há dois incidentes que causam um trambolhão, o primeiro, em princípios de junho (mês 6) e o segundo em finais de julho (mês 7). Também observo que em meados de julho o Trump ultrapassou ligeira a barreira dos 50%, altura em que o Obama foi dizer numa visita de estado que "o Trump não é adequado para ser presidente da América e é mesmo um perigo para a ordem e paz mundiais."

Fig. 1 - Evolução das sondagens americanas (Trump vs. Clinton, média móvel de 179 valores, realclearpolitics)

Afinal, o Trump pode mesmo ganhar.
Pois se olharmos para as sondagens, em abril a Clinton tinha uma vantagem de quase 10 pp, depois, foi oscilando e agora está com uma vantagem de apenas 2 pontos percentuais, vantagem essa que se está a esfumar muito rapidamente.
Lá para finais de setembro, o Trump vai ultrapassar outra vez a Clinton e, se não houver mais nenhum sobressalto, chegados a novembro, o Trump vai mesmo ganhar e ser o próximo Presidente dos Estados Unidos da América do Norte.

O que eu quero falar sobre a caixa Geral de Depósitos tem a vem com o Slimani.
Como todos sabem, o Slimani é um jogador de futebol que o Sporting "despediu" por 30 milhões €.
Quer isto dizer que, o Sporting para dispensar os serviços do Slimani, o moço teve que pagar 30 milhões €.
Agora, para a CGD dispensar um colaborador tem que lhe pagar, em média, 233mil€ por cabeça.
Sim, diz a comunicação social que estão guardados 700milhões € para despedir 3000 trabalhadores

O que será que vos diz esta comparação?
Que o Slimani produz mais do que o salário que estava a ganhar no Sporting e, pelo contrário, os colaboradores da CGD recebem mais ordenado do que produzem.
Assim, o Slimani era um activo para o seu empregador enquanto que os colaboradores da CGD são um passivo.

Será que a geringonça não tem o dever de proteger os contribuintes?
Fui fazer uma simulação para a indemnização por despedimento colectivo (ver, simulador). 
Um trabalhador que ganhe 3000€/mês e que tenha 20 anos de serviço, tem direito a 48458€.
Se eu fosse despedido (em despedimento colectivo, tenho 27 anos e 4 meses de serviço) teria direito a 88104€.
Sendo assim, que contas está a fazer a geringonça e qual o fundamento legal para, em média, ir entregar 233 mil € a cada cabeça?
Será que a Geringonça é livre de entregar o valor que bem entender a quem bem entender?
Eu penso que não, que tem que se limitar ao que diz a Lei pois, caso contrário, estaremos em presença do esbanjar de recursos públicos que pertencem a todos nós.

Será que eu mereço o ordenado que recebo?
Claro que não e prova disso é que no meu emprego estão mortinhos por me despedir e, mesmo assim, eu não me voluntario a sair dali.
Penso mesmo que, no dia em que eu deixar de lá aparecer, vão mandar foguetes ao ar e estourar garrafas de champanhe. Mas o problema é que se, por um lado, os esquerdistas me odeiam, por outro lado, como sou funcionário público, defendem os meus direitos. E eu tenho direitos.
E qual será o meu futuro?
O mais certo é atribuírem-me cada vez menos trabalho até que fique totalmente sem fazer nada, em casa, a receber o mesmo, incluindo o subsídio de refeição (já estive assim 20 meses). Assim como o meu professor Augusto Rocha e Silva que esteve anos e anos sem nada fazer mas que, infelizmente, acabou por não resistir e "morrer num acidente estúpido" (suicidou-se da mesma forma que o Primo Levi! Não acham muita coincidência ter também caído no vão das escadas?).

Fig. 2 - Primo Levi, à volta de 1950


Finalmente, as prioridades da minha vida.
Quando eu andava pelas igrejas, diziam-me que tinha que fazer um "exame de consciência" para, assim, identificar quais são as prioridades da minha vida.
Depois de muitos anos a pensar, cheguei à conclusão que a minha prioridade é ser feliz.
Não é ter amigos, ser simpático, trabalhar, gostarem de mim como colega de trabalho, ser uma fodilhão de renome, nada disso, é ser feliz, eu próprio.
Vem isto a propósito de uma crónica que li no fim de semana num jornal qualquer (quando eu me lembrar do nome, escrevo-o aqui) que dizia, em resposta a uma leitora, que ter filhos era uma perda de tempo. Imaginei logo que a crónica era uma confissão sobre a sua má qualidade da autora enquanto filha.

A minha mãe disse-me apenas uma vez ...
Meu filho, eu dei-te a vida e criei-te o melhor que pude para que, agora que estou necessitada, trates de mim. Se tiveres que deixar de trabalhar, deixa pois eu estou primeiro porque te dei a vida e esses não te deram nada. Além disso, não te agradecem e eu, além de te agradecer em vida, quando chegar ao Céu, vou pedir a Deu por ti.
E assim eu faço desde há 23 anos, no principio estando ela válida e hoje, acamada e sem dizer coisa com coisa.
Claro que a minha mãe tem mais 5 filhos cuja primeira frase, por unanimidade, foi "mete-a no asilo que já nem sabe onde está".
Mas, se eu disse, "estarei sempre aqui", não é agora que vou abandonar o barco.

A questão que eu coloca.
Mas não terá um filho a obrigação de deixar o seu trabalho e uns anos da sua vida para ser escravo dos pais quando eles disso têm necessidade?

Por oposição, há o filho de uma colega minha.
A mãe está um pouco aflita com falta de dinheiro e o filho, pelo contrário, está médico e a ganhar balurdios, diz ela que mais de 3000€ por mês.
Não é que a mãe, esganada de dinheiro, lhe está a dar 850€/mês para ele pagar a prestação da casa e ele nada mais diz que não seja "preciso de juntar dinheiro para me casa"?
Isto é o que na minha terra se chama um grande filho da puta, não no sentido de que a mãe anda na estrada mas no sentido de que, filhos destes, dá gosto abortar.



Que Deus vos ilumine e guie no caminho da descoberta das prioridades da vossa vida. 
E, depois, cortem a direito com tudo o que se meter no meio do caminho para a felicidade.
Maria Clara

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Dívida e Défice, não bate a bota com a perdigota


O Estado gasta dinheiro, é a despesa pública.
Gasta massa em salários, pensões, aquisição de bens e serviços, subsídios.
Depois, estes gastos têm que ser financiados com impostos (IVA, IRS, ISP, IC, IMI) e taxas (TSU, ...) e, quando esta receita não é suficiente, tem que se endividar.
Naturalmente que se tem que verificar a igualdade seguinte:

   Despesa = Receita + Endividamento

Qualquer 4.a classe compreende isto.
Mesmo que seja uma 4.a classe muito fraquinha, daquelas (como a minha) feitas na "passagem administrativa" de 1975.

Fui ver a execução orçamental para Junho 2016.
Para já, no site da DGO só encontrei os dados para o primeiro semestre (ver).
    Despesa efectiva 39546,4M€
    Receita efectiva   36679,2M€

Diz a execução orçamental que o défice / endividamento foi de 2867,2M€
Eu, 4a classe atrasada, concluiu que o endividamento líquido no primeiro semestre deveria resultar desta diferença

   Endividamento = Despesa - Receita
   Endividamento = 39546,4M€ - 36679,2M€
Mas, diz o Banco de Portugal, que foi de 3903M€
Quem o diz é o Banco de Portugal (ver), fonte mais credível que a Geringonça, sobre o aumento da "Dívida na ótica de Maastricht líquida de depósitos da administração central".
Como é possível que o Estado tenha tido um défice de 2867,2M€, e, no entretanto, se endivide em 3903M€ e isto tudo bata certo?

3903,0M€ = 39546,4M€ - 36679,2M€ ?

Vamos fazer a prova dos nove às contas da Geringonça
Do lado da dívida temos 
    3+9+0+3+0 => 1+5 = 6
Do lado da despesa menos a receita temos 
    (3+9+5+4+6+4) - (3+6+6+7+9+2)  => (3+1)-(3+3) => 2
A prova dos 9 não bate certo.
Deve ser de ter feito a 4a classe nas novas oportunidades.

Terá a ver com o famoso aumento nos impostos sobre os combustíveis e o tabaco?
Mesmo assim, não chega.
Estamos a falar no primeiro semestre de um desvio de mais de 1000 milhões de euros entre o endividamento e o défice anunciado.


Mas sobre isto já eu tinha falado e ninguém comentou (ver
Mas o pior +e que, só em julho 2016, a dívida pública aumentou mais 2311M€!
Eu não posso estar a ler bem as estatísticas mas, aparentemente, é o que diz o Banco de Portugal.
Apenas em um mês, a dívida pública líquida passou de 221996M€ para 224307M€.
Só posso, e o BP, estar a delirar.
Não há ninguém capaz de perguntar aos especialistas em economia que aparecem na televisão e nos jornais como é possível que isto tenha acontecido?

 Lanço daqui uma pergunta directa aos 12 sábios do PS.
Estimados sábios
1. Elisa Ferreira,
2. Fernando Rocha Andrade, 
3. Francisca Guedes de Oliveira, 
4. João Galamba, 
5. João Leão, 
6. João Nuno Mendes, 
7. José Vieira da Silva, 
8. Manuel Caldeira Cabral, 
9. Mário Centeno,
10. Paulo Trigo Pereira, 
11. Sérgio Ávila e 
12. Vítor Escária
Para onde foram estes mais de 3000 milhões de euros de aumento da dívida pública do Estado que não aparece no défice orçamental?
Será que estão a fazer o TGV e não dizem nada a ninguém?
Será que estão a ajudar o Maduro?
Por favor, ajudem-me que eu estou a dar em maluco. 
Nem durmo a pensar "E se os meus alunos me perguntam para onde foi estes 3000 milhões € não orçamentados até julho e eu digo que não sei? Vou desprestigiar totalmente a universidade onde vendo aulas."

Já agora, porque será que ninguém pergunta por estes números?
Porque será? Terão os jornalistas medo que lhes aconteça o que está a acontecer aos seus colegas da Venezuela, a verdadeira democracia na óptica dos nossos esquerdistas e comunistas?
É que, desde 1 de janeiro de 2016 até 31 de julho de 2016, diz o Banco de Portugal que a Dívida Pública aumentou 6214 milhões de euros, qualquer coisa como 5,5% do PIB dos primeiros 7 meses.

É que, segundo as contas do Banco de Portugal, o défice dos primeiros 7 meses está acima dos 5% do PIB

Recordo que o Costa, no orçamento que diz estar a correr bem, tem lá que o défice para os 12 meses de 2016 vai ser de 4125M€ e que, até 31 de julho, já nos endividou em 6214M€.
Já está 2009M€ acima do orçamento todo de 2016.
E ninguém diz nada.

O défice? Não sei, não me lembro, ide-vos todos foder.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Eu quero a lista de caloteiros da CGD

Se a Geringonça quer acabar com o sigilo bancário para nos cobrar mais impostos,
 eu quero saber quem caloteou a CGD em 5160 milhões € e quem foi que concedeu esse créditos que acabaram por não ser pagos.
Se há a lista dos devedores ao Fisco e à Segurança Social, calotes no valor de 5160 milhões € penso que merecem também ser publicitados para todos nós compreendermos como andaram de mãos dadas os decisores políticos e os caloteiros.
Ou será que agora já não interessa aos comunas e esquerdistas saber quem é o "grande capital"?


Destapa tudo que 5160 milhões € é muita massa para meter no bolso de alguns desconhecidos.

Será que o PCP comprou a Quinta da Atalaia com um calote à CGD?
Pois não sei e gostava de saber.
Até dou de barato que essa lista só inclua, como os devedores aos Fisco, os que calotearam em mais de um determinado valor, Ao fisco é a partir de 7500€ mas até dou de barato que sejam só os caloteiros com mais de 1000000€ de calote.
Mas quero saber quem são e se foi o Vara que lhes deu a massa.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A vaca leiteira, a crise dos vaqueiros e a vaca da caixinha

Os produtores de leite voltaram a fazer uma marcha lenta. 
Diziam eles, e um deles eu conheço-o de criança (o Agostinho da Marinha), que o preço do leite tem caído ao longo dos anos o que é incompatível com a subida do custo de vida.
Fui então buscar dados sobre a evolução do preço do leite e os dados indicam que, apesar de a tendência ser uma pequena subida ao longo dos anos, atualmente está em 0,274€/litro, 15% abaixo da tendência e 11% abaixo do preço médio dos últimos 20 anos (0,31€/litro).

Fig. 1 - Preço nominal do leite, 1996:2016 (dados: EU)

 Mas houve a inflação.
Aplicando a taxa de inflação no consumidor aos preços do leite no produtor, observamos uma queda ainda maior. Comparando o preço médio em 1996 com o preço médio em 2016, a queda foi de 37%.

Fig. 2 - Preço real do leite (constante de 1995), 1996:2016 (dados: EU e IPC do INE)

O problema é que o preço nos nossos parceiros estar ainda menor.
Se compararmos o preço do leite pago ao produtor nos países da União Europeia, o preço em Portugal está 7% acima do observado nos nossos parceiros o que, com as fronteiras abertas, não deixa hipóteses para que o preço em Portugal aumente.

Fig. 3 - Relação entre o preço do leite em Portugal e na UE, 1996:2016 (dados: a partir de EU)

Mas o leite não se pode transportar!
Pis não porque o custo de transporte é na casa dos 0,12€/litro para chegar da França até aqui (fazer 2000km), um sobrecusto de 50% sobre o preço atualmente pago. Por isso, os produtores do centro da Europa não podem exportar leite para o nosso mercado (nem nós exportar para o deles). Mas existe o queijo e a manteiga que absorve metade do leite produzido e que tem facilidade de transporte e que, indiretamente, compete com o leite de beber. Por isso, não pode ser pago aos nossos produtores um preço superior ao que é pago nos restantes países da UE.
E, já agora, uma boa notícia, no Brasil o preço é na ordem dos 0,40€/litro (ver) pelo que não será competitivo ao Brasil exportar leite para cá.

E, agora, o que se poderá fazer relativamente aos nossos produtores de leite?
Há uns anos ouvíamos os esquerdistas e os lavradores "Deixem-nos produzir, acabem com as cotas leiteiras." As cotas acabaram e, talvez por causa disso, o preço do leite caiu. digo "talvez por causa disso" porque a produção de leite na UE não aumentou significativamente. Mas agora já ouvimos os mesmos esquerdistas e lavradores (a estes, podemos-lhes perdoar porque são pouco mais que analfas) "Proíbam a produção, voltem as cotas que estão perdoadas."
Mas a solução não está em cotas nem em subsídios. 

Está na diminuição dos custos de produção 
E isso passa pelo aumento do tamanho das explorações leiteiras.
No tempo em que era criança, na minha aldeia, os produtores tinham entre 2 e 6 vacas.Com o tempo, os que tinham apenas 2 acabaram e os que tinham 6 passaram a ter entre 10 e 15 vacas. Depois passaram a 50 e agora estão na casa das 100 vacas. 
Claro que há 40 anos havia mais de 100 produtores e hoje já só há 3 ou 4 (não sei bem porque não tenho andado por lá).

Temos que passar para as 1000 (ou 10000) vacas por exploração.

Mas em Portugal temos pequenos proprietários de terra!
Temos que separar a agricultura da pecuária criando uma "bolsa de forragem." Se o Estado se dá ao trabalho de ter lotas para o pescado, também pode criar um mercado para a transação de silagem de milho e palha de forma a que os donos da terra se possam especializar na produção de plantas que, depois, vendem aos pecuaristas. Também antigamente as galinhas e os porcos eram criados em casa com o milhito que os campos davam e agora são criados em grandes instalações.

Vamos à vaca da Caixa Geral de Depósitos.
Está falida o que é natural porque foi o braço direito do Sócrates, por um lado, a dar à manivela do "motor da economia portuguesa" e, por outro lado, a arranjar tachos para os amigos. O problema é que, se o BEZ, BCP, BANIF, BPN, BPP, etc., faliram com gestores competentes, nada mais poderia acontecer à CGD que não a falência com o Vara a chefiar aquilo a mando do Sócrates que levou todo o país à bancarrota.
Agora, é preciso metermos lá 5160 milhões €.
Se o discurso dos esquerdistas era que "O dinheiro dos contribuintes não vai salvar bancos", agora passaram ao "É uma grande vitória a CGD ficar nas mãos do estado."

Depois de ficarmos sem 5160 milhões €, o Estado vai ficar com uma Caixinha.

Lembram-se que o Passos Coelho não prestava por ter feito retificativos?
Batalhavam os esquerdistas que, durante os 4 anos que lá esteve, o Passos Coelho, dada a sua incompetência, teve que fazer 8 retificativos.
O Centêno, ministro das finanças, afirmou então a pés juntos que, no tempo dele, não seria preciso fazer retificativos.
Pois a Geringonça vai pelo mesmo caminho dos retificativos e, agora, já não é demonstrativo de incompetência mas antes pelo contrário.


Será que o Centeno não chega ao retificativo?
É que já falta pouco para 15 de outubro, o dead line para as medidas de austeridade que hão-de levar o défice de 2,2% do Costa para os 2,5% que a Europa nos impôs.
Não é erro, é verdade que para passarmos dos 2,2% do Costa para 2,5% vão ser precisas medidas adicionais de austeridade.
Aos poucos vamos sabendo, o IMI de quem apanha Sol e o IUC sobre os deficientes são apenas uma amostra.
O que me deixa mais descansado é saber que a estratégia do Costa é fundada em 12 sábios que nunca é demais recordar:

Elisa Ferreira, 
Fernando Rocha Andrade, 
Francisca Guedes de Oliveira, 
João Galamba, 
João Leão,  
João Nuno Mendes,  
José Vieira da Silva, 
Manuel Caldeira Cabral, 
Mário Centeno, 
Paulo Trigo Pereira, 
Sérgio Ávila e 
Vítor Escária


Dizem eles que o défice continua a cair.
Mas se a dívida pública continua a aumentar a grande velocidade, para onde é que vai o dinheiro?
Será que, daqui a uns anos, vamos ficar a saber que está na conta do Sócrates?

Só um bocadinho de Trump e da sua politica de imigração.
Vamos imaginar que temos 10000 presos e queremos reduzir esse número sem libertar os rpesos antes de cumprirem as suas penas. A única forma de o fazer é aligeirando o código penal.
Pelos vistos, a América tem 11 milhões de imigrantes ilegais. Então, a forma mais fácil de diminuir este número é alterando a lei de forma a que deixem de ser ilegais.
A imigração americana funciona com um sistema de pontos, por exemplo, quem tiver mais anos de escolaridade, tem mais pontos. contados os pontos, é atribuida autorização de entrada a todas as pessoas que tenham mais do que um determinado limite.  
Agora, se a Lei passar a incluir coisas como, por exemplo, "anos que tenha trabalhado para um empregador americano" ou "ter filhos nascidos nos USA", muitos dos 11 milhões de ilegais poderão passar a ser legais.
Mas tem um pequeno pormenor, os anos de trabalho na ilegalidade contarão para terem autorização de residência e de trabalho mas não contarão para pedir a cidadania americana (os anos começam a contar outra vez no zero).
Não acho que seja uma má solução pois, segundo Freedman (na sua obra Free to Choose), os anos de trabalho na ilegalidade são o mais forte sistema de formação, ajustamento à nova cultura e separação entre os bons e os maus.

O Trump está a recuperar.
Por já, o mais importante é a Florida onde uma sondagem o dá 43%/41%, novamente, à frente da Clinton (ver). É que sem esperança na Florida, o bicho está morto.


terça-feira, 23 de agosto de 2016

Porque será que Moçambique está a afundar?

Moçambique é um país muito pobre. 
E sempre assim foi, pelo menos desde há 70 mil anos, (i.e., desde que existe humanidade).
Se voltarmos aos meados do século XX quando a nossa natalidade era elevada, nem os portugueses mais pobres procuravam as terras moçambicanas como forma de fugir da miséria, preferiam o Brasil e, depois, a França. Em 1974 veio a independência, e a coisa só piorou quando os brancos com a 4.a classe foram substituídos pela oligarquia dos antigos combatentes da Frelimo analfabetos que, dada a sua baixa formação em tudo mas principalmente em economia, causaram grandes perdas no nível de vida das populações moçambicanas ao acreditarem que era possível "construir a sociedade sem classes".
Naturalmente, muitas desculpas foram apresentadas para que, nos 10 anos após a independência, o PIB per capita moçambicano tivesse caído mais de 50%. Se em 1974 já era uma miséria, em 1985 a coisa estava reduzida a metade.


Quadro 1 - PIB per capita de Moçambique, 1970:2015

Vão-me perguntar como arranjei os valores para 1970 e 1975!
Peguei nos valores de Ivan Kushnir (2011) que vi Crescêncio Francisco Guiamba (2013) e, comparando com os dados do Banco Mundial para 1980:1990, dividi por 2,001 que é a relação média verificada nos anos em que há sobreposição das séries, e voilá (ver).
O Kushnir (2011) é mais pessimista e refere uma perda de 55% entre 1974 e 1989 (ver, Quadro 2 abaixo) 

Mas isso foi um problema dos moçambicanos.
Não estou a defender, nunca defendi nem nunca defenderei que a descolonização de Moçambique foi um erro e que Portugal seria hoje uma grande potência mundial, com 20 ou 30 medalhas de ouro olímpicas, se se mantivesse unido.
Mesmo que fosse possível manter-se este país como nossa colónia (o que não era por questões legais, militares, económicas e demográficas), seria impossível manter numa mesma democracia um Portugal europeu com 10 milhões de habitantes com um nível razoável de rendimento e 30 milhões num Portugal moçambicano na maior das misérias. Se a Madeira nos dá um terrível prejuízo ...
Portugal Europeu era um barco condenado a ir ao fundo se não cortasse o cabo que o ligava a uma âncora com o triplo do seu peso. Às vezes imagino que, nesse Portugal imperial, o primeiro presidente eleito teria sido o Samora (pois Moçambique tinha mais eleitores do que Portugal europeu).
Por isso, isto que estou aqui a escrever é apenas para tentar dar um pequeno contributo para a melhoria da compreensão da situação dos moçambicanos já que sei que os intelectuais de lá se concentram mais em dizer mal de mim do que a dizer mal da oligarquia que os desgoverna (sim, constou-me que o Mia Couto gastou tempo a dizer mal de mim).

"Os problemas de Moçambique resultam totalmente de haver um professor racista em Portugal" disse o Mia.

Agora, a economia moçambicana está em fusão.
A moeda, o Novo Metical, está a desvalorizar rapidamente o que tem impacto negativo na vida das pessoas comuns via preço das importações. Quem tem os rendimentos em MZN, vê a sua vida andar para trás pois os bens importados aumentam de preço mas quem tem rendimentos em USD fica na mesma (até melhora um pouco pois os bens internos tornam-se mais baratos).

O Novo Metical está a desvaloriza 12,34%/ano face ao USD

A inflação moçambicana já ultrapassou os 20%/ano

Será que os problemas de hoje se devem à colonização (ou à falta dela)?
Quando Portugal decidiu em meados do Séc XIX (depois da independência do Brasil), colonizar territórios em África, não estava a pensar em criar países desenvolvidos mas sim em sugar esses territórios o mais que pudesse. Mas, no dia da independência, Moçambique não estava pior que em meados do Séc. XIX e, comparando as zonas mais intensamente colonizadas (litoral) com as onde praticamente não houve colonização (o interior), as primeiras não estavam pior que as segundas.
O problema esteve nos últimos 40 anos.
Em 1975 a China estava com um PIB per capita de 267USD, a Índia com 391USD e Moçambique com 142USD. Hoje a China está nos 6500USD, a Índia nos 1900USD e Moçambique nos 510USD
Será que se descobriu petróleo, gás natural ou algo caiu do Céu na China ou na Índia que tenha feito com que, de mais pobres, se tenham tornado muito mais ricos que Moçambique?


Evolução do PIB pc de Moçambique, Índia e China relativamente a 1974 
(Dados, WB e adaptados de Kushnir, 2011, em Guiamba, 2013).

Porque será que Novo Metical está a desvalorizar tanto?
É aqui que eu quero chegar.
Em termos económicos, a razão de ser é o enorme défice das contas com o exterior que se agregam na Balança Corrente, problema nascido na barriga da perna do Aires Ali, amamentado no peito do pé do Vaquinha e que, agora, rebentou nas mãos do Rosário que não sabe o que lhe há-de fazer.
Aires Ali + Vaquinha foram o Sócrates e, agora, o Rosário tem que ser o Passos Coelho.
E não estou a ver o Rosário a ser capaz de fazer de Passos Coelho, o mais provável é que vá pelo caminho mais fácil de inventar uma guerra qualquer e dizer que a culpa é da Renamo (falar dos Sul Africanos já não deve dar resultado, mas nunca há como tentar a ver se cola).

 Evolução da Balança Corrente de Moçambique
  
Um défice de 1500 milhões USD por trimestre é muito dinheiro.
Em Portugal seria pouco, no tempo de agonia do Sócrates, chegou aos 7 mil milhões USD mas para Moçambique, é "apenas" 40% do PIB o que traduz que a cada dólar de riqueza criada corresponde um consumo de 1,4 euros.
Como esse défice tem que ser financiado e não há como (a divida soberana em dólares está a exigir juros na casa dos 20%/ano), agora o nível de vida dos moçambicanos vai sofre um ajustamento violento em baixa.
Em Portugal foi preciso ajustar 10% e Moçambique precisa de ajustar 40%!

Evolução das reservas cambiais do Banco de Moçambique

Como não entram divisas emprestadas para financiar o défice com o exterior, as reservas cambias começam a reduzir e isso tem um impacto na evolução da cotação do metical porque o BC tem uma regra de condução da taxa de câmbio

Variação = k * (Reservas observadas - Reservas objetivo)

Se o objetivo é, por exemplo, 3000 M USD, quando as reservas estão acima deste valor o Metical valoriza e quando estão abaixo, desvalorizam cada vez mais depressa na tentativa de não acontecer o fim da convertibilidade.


A ignorância e a repressão são a mãe de todas as pobrezas.
Imaginem um país governado pela Catarina Martins, o Jerónimo de Sousa e o António Costa, assessorados pelos 12 sábios 
Elisa Ferreira, 
Fernando Rocha Andrade, 
Francisca Guedes de Oliveira, 
João Galamba, 
João Leão,  
João Nuno Mendes,  
José Vieira da Silva, 
Manuel Caldeira Cabral, 
Mário Centeno, 
Paulo Trigo Pereira, 
Sérgio Ávila e 
Vítor Escária 
e ainda com o apoio intelectual do Professor Doutor Louçã, eminente professor de economia numa universidade europeia.
Imaginem ainda que nesse país, alguém que diga que não há em lado algum evidência de que o aumento do défice público possa ser o motor do crescimento económico é perseguido pela polícia e leva com um processo disciplinar em cima porque destrói prestigio. 

Se as ideias dos esquerdistas fossem fortes, não teriam medo do contraditório.
Vamos imaginar que os esquerdistas, sejam moçambicanos ou portugueses, estavam certos de que a solução para todos os problemas era gastar mais e bater o pé às instituições internacionais. 
Se assim fosse, não teriam qualquer receio de que alguém dissesse o contrário pois, em resultado das novas políticas anti-austeridade, logo os factos demonstrariam, como elevadas taxas de crescimento, da justeza das políticas esquerdistas.

Se não há espaço para a contestação ...
Os esquerdistas não tendo contestação, conseguem convencer as pessoas que não têm formação na área da economia de coisas sem sentido. Não quero dizer que as suas intenções sejam más mas apenas que não sabem como fazer as coisas bem. 

Lembram-se do raciocínio dos 12 sábios do PS? 
Salários mais elevados => Mais consumo => Mais procura => Mais produção => Mais receita fiscal => Menos défice?
Lembram-se que quem dizia o contrário era apelidado de ignorante, anti-patriota, destruidor do prestígio da instituição onde trabalhava e neoliberal que queria sugar a classe trabalhadora?
Lembram-se que este raciocínio, falso, passou a ser uma verdade inquestionável, como que revelada por Deus? Diziam mesmo as minhas crianças "Mas é o Sr. Professor Doutor Louçã que o afirma e o reitor iminente" (de que já ninguém se lembra! Já sei, era o Nódoa! Que é que esse iminente reitor tem a dizer sobre a nossa economia estagnada que ele dizia ser causada pelo neoliberal Passos Coelho? Lembrei-me que ele é professor primário sabe-se lá como).

Se houver espaço para contestar ...
Se a comunicação social apresentar os argumentos da oposição, por um lado, quem manda terá que ter mais cuidado com o que diz e, por outro lado, tendo a oposição ideias fortes, acabarão por convencer os eleitores quando quem manda estiver errado, evitando o abismo.
Vejamos a Venezuela onde o chavismo é o grande exemplo de democracia para o nosso Bloco de Esquerda e onde o funcionário público que tenha metido o nome no pedido de referendo de destituição do motorista de autocarro foi despedido.
Vejamos também o Trump que, olhando para a comunicação social americana, o presidente Obama e todas as pessoas que têm mais de 1 neurónio na cabeça, dizem que o Trump é a encarnação do Diabo na figura de um touro enraivecido e a Clinton é a Virgem Maria que voltou à Terra.
Mas o homem tem a possibilidade de apresentar as suas ideias. No final, como só pode ganhar um, pode ser que perca ou ganhe mas está lá para dizer o que pensa.

Eu gostava que o Trump ganhasse.
Pois não gostei de ver o Obama, à moda de um país do terceiro mundo, a fazer campanha eleitoral pela seu indicado, numa visita de estado. Parecia os déspotas que indicam quem os deve suceder e, todos os outros, são indignos. Penso que deve ser por ser filho de queniano!
Está a recuperar nas sondagens mas está difícil.

O que pode agora fazer Moçambique.
Não é fácil fugir ao embate que ai vem por causa da necessidade de corrigir as contas externas, uma austeridade violenta apoiada com a ajuda do FMI, talvez um período de ajustamento de 2 anos, com um "empréstimo" de 6 mil milhões USD para que a queda não seja muito violenta.
E nesse período cai ter que seguir à risca e com convicção o que o FMI e o Banco Mundial aconselhar.
Há que aceitar que o caminho passa pela liberalização da economia.

E deixar de querer matar o Dlakama.
Bem sei que o Dlakama matou muita gente, ainda me lembro daquelas razias no comboio que liga Maputo à Africa do Sul. À escala ocidental, o homem é um criminoso de enorme dimensão mas também depois da Segunda Guerra Mundial muitos cirminosos foram reabilitados.
Deixem lá o homem em paz e concentrem-se em construir a paz e a prosperidade.

Temos que deixar de ser invejosos.
Custa muito ver outros a correr mais do que nós mas faz parte da natureza humana.
Também custa ver pessoas terem mais sucesso económico do que nós mas essas pessoas são a chave do desenvolvimento económico.
Há que aceitar que quem investe à procura do lucro é positivo para a sociedade e que deve ser acarinhado.
Há que aceitar que quem cria postos de trabalho, além do lucro, é um benfeitor do colectivo.

Mas estou pessimistas.
Se em Portugal, tantas e tantas pessoas acreditam em ilusões, quanto mais em Moçambique, onde a escolaridade média está nos 2 anos.
Vejo na minha bola de cristal um Moçambique pobre e subdesenvolvido muitos e muitos anos para o futuro.
Moçambique foi, é e ainda será pobre por muito muitos e muitos anos.

Uma pequena nota estatística sobre as medalhas olímpicas.
Não foram um bom resultado porque a Rússia estava muito desfalcada. Mas também é difícil, muito muito difícil, ser um dos 3 melhores do mundo.
Vou então agregar as medalhas dos últimos 40 anos num número e ver como se compara 2016 com as estatísticas. No cálculo dos pontos atribui 3^2 ao ouro, 3^1 à prata e 3^0 ao bronze (a análise não se altera se alterarmos a base).

  Ano Medalhas Pontos
  1976 0+2+0 = 6
  1980 0+0+0 = 0
  1984 1+0+2 = 11
  1988 1+0+0 = 9
  1992 0+0+0 = 0
  1996 1+0+1 = 10
  2000 0+0+2 = 2
  2004 0+2+2 = 8
  2008 1+1+0 = 12
  2012 0+1+0 = 3
  2016 0+0+1 = 1
Média de 5,64 pontos com desvio padrão de 4,59 pontos.

Então, obter 1 ponto em 2016 não é muito fora do aceitável, estando no limite inferior do intervalo central (5,64-4,59).
E, se há a borla dos russos, também há o problema da diminuição da natalidade (hoje há menos por onde escolher do que havia nos anos 1980).
Agora só temos que esperar que, para 2020, venham outros Obikwelu da Nigéria e Nelson Évora de Cabo Verde ou mulheres de fibra (e de bigode) como a Vanessa Fernandes ou a Rosa Mota.
Amigo Venceslau, vê lá se convences a Vanessa a ir a Tóquio buscar uma medalhita.


Vanessinha, já sabías que, se fosse um concurso de beleza, nunca trarias a medalhita.


Boa sorte Rafael.

Quadro 2 - Serie adaptada de Kushnir (2011) e Banco Mundial para o PIB per capita moçambicano 1970:2015 em USD de 2011


 Ano Kushnir(2011) WB Série
 1970 317 158
 1971 352 175
 1972 385 192
 1973 445 222
 1974 454 226
 1975 452 225
 1976 403 201
 1977 401 200
 1978 408 203
 1979 414 206
 1980 395 189 189
 1981 378 194 194
 1982 385 176 176
 1983 346 146 146
 1984 386 134 134
 1985 360 134 134
 1986 374 130 130
 1987 217 150 150
 1988 187 162 162
 1989 202 172 172
 1990 221 171 171
 1991 175 175
 1992 160 160
 1993 168 168
 1994 171 171
 1995 169 169
 1996 208 208
 1997 224 224
 1998 244 244
 1999 256 256
 2000 254 254
 2001 278 278
 2002 294 294
 2003 304 304
 2004 318 318
 2005 336 336
 2006 359 359
 2007 374 374
 2008 389 389
 2009 402 402
 2010 418 418
 2011 435 435
 2012 453 453
 2013 472 472
 2014 493 493
 2015 510 510

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