sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Selminho zero, Câmara zero

Vamos a um bocadinho de história.
Nos princípios do Séc. XX, a escarpa da Arrábida era muito distante do Porto e, por ser muito inclinada, não tinha qualquer interesse económico. Além do mais, não havia a marginal que agora passa junto ao Rio Douro.
Na década de 1940 começou a pensar-se fazer uma nova ponte sobre o Douro (nesse tempo, para automóveis só havia a Ponte Luís I) e em Março de 1952 a Junta Autónoma das Estradas adjudicou ao Prof. Edgar Cardoso um ante-projecto para se fazer uma nova ponte sobre o Rio Douro ligando Gaia e o Porto. 

O Público diz que a CMP expropriou em 1949 um terreno com 2400m2 a Manuel Ferreira Pacheco para a implantação da ponte do lado Norte mas, no site da CMP não encontro referências a essa expropriação. Encontro referências a outra expropriação realizada em 1875 na "pedreira da Arrábida a José Carneiro Quaresma, António Pinto dos Reis e mulher, para conservação da nascente de água que alimenta uma fonte pública ali existente e para se fazerem lavadouros públicos" (Documento/Processo, 1875/12/02 – 1876/01/13).
Seja como for, os terrenos da escarpa da Arrábida foram expropriados seja para o encosto da Ponte da Arrábida seja para proteger uma fonte e construir uns tanques de lavar roupa.

Os terrenos não foram utilizados.
A ponte só precisou de uns 500m2 de terreno e, com a vinda das canalizações, a fonte da Arrábida acabou e os tanques foram destruidos. Assim, a CMP deixou de ocupar os terrenos expropriados para o fim que os tinha expropriado.
Como a escarpa não tinha valor económico, ninguém se interessou por tal abandono.

Alguém começou a utilizar os terrenos.
Em data não referida, Álvaro Nunes Pereira, figura verdadeira ou mitológica, ocupou os terrenos e passou a considera-los como seus.
Notar que os terrenos expropriados para a Ponte estão sem ocupação desde Junho de 1963, data da abertura ao trânsito e os terrenos expropriados para a fonte e para os tanques, talvez há muitos mais anos, não faço a mais pequena ideia.
Com certeza, em data que desconheço, Maria Irene Pereira Ferreira e João Baptista Ferreira ocuparam os terrenos e declararam numa escritura de usucapião que o fazem desde 1970. Esta data pode não ser verdadeira (direi mesmo que não o é) e serve apenas para à data da escritura terem 30 anos de posse pacífica.

Passados 2 meses, a Selminho comprou os terrenos.
Isto indicia que a escritura de usucapião foi "aconselhada" pela Selminho.
Disse-me o Marques Mendes que, depois de em 2000 ter sido levantada a hipótese de haver construção nesses terrenos (no mandato do Rui Rio, amigo do Rui Moreira), os da Selminho começaram a dar umas voltas pela escarpa e encontraram lá uns desgraçados, a Maria Irene e o João, a quem lhes propuseram comprar os terrenos por tuta e meia. Depois, trataram de tudo.

Olhem o facto interessante.
Se a Selminho comprou e pagou uns terrenos pelo preço justo e se esses terrenos não pertenciam aos declarados vendedores, a Selminho só tem que indignar-se contra os vendedores e pedir a devolução do preço pago.
Mas não, a Selminho não pediu nada aos alegadamente falsos vendedores.
Isso quer dizer que o preço paga foi uns tostões.
Alguém me sabe dizer quanto a Selminho pagou pelos terrenos da escarpa da Arrábida?

Agora, quem será o dono dos terrenos?
São os herdeiros dos Manuel Ferreira Pacheco, José Carneiro QuaresmaAntónio Pinto dos Reis e mulher.
Como a expropriação foi feita compulsivamente por uns tostões porque se destinava a determinado uso de interesse público e esse uso não se efectivou (no caso da Ponte) ou deixou de se fazer (no caso da fonte e dos tanques) e, agora, o expropriante quer dar outro uso aos terrenos (construção), em termos legais e morais a propriedade dos terrenos tem que reverter para os herdeiros dos expropriados.
A Câmara Municipal do Porto, presidida por alguém que se diz defensor da propriedade privada, tem que procurar saber quem são os herdeiros e devolver-lhe os terrenos exigindo apenas o pagamento do valor da expropriação actualizada ao presente e descontado o valor do uso que, entretanto, lhe deu.
Recordo que, no tempo do Salazar, as pessoas não tinham meios para se defenderem do Estado.
Alguém me sabe dizer o preço pelo qual os terrenos foram expropriados?  

A Casa do Medina.
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa comprou um andar por 650000€ e, anteriormente, os sogros tinham comprado o andar em frente pelos mesmos 650000€.
A questão não é se o preço é alto ou baixo, se a coisa foi adjudicada à Teixeira Duarte ou não.
A questão que coloco é:
Alguém me sabe dizer onde os sogros do Medina foram buscar os 650000€?
Alguém me sabe dizer onde o Medina foi buscar os 650000€?

Agora, vou acabar de fazer a minha sopa.
Tem cenoura (que vou triturar), couve lombarda, cebola, um pouco de óleo de milho e sal e está na minha panela de pressão que ouço daqui.
Vou desligar o fogão para perder a pressão antes da hora do almoço.



terça-feira, 12 de setembro de 2017

Os Rohingya entre o racismo e o nacionalismo

O racismo e a xenofobia é a arma dos esquerdistas.
Quando alguém diz alguma coisa que os esquerdistas não gostam, a armam para o destruir é a acusação de racismo e xenofobia, é-lhe metido na cabeça o carimbo RX.
As mentes fracas, que é a maioria do nosso país, com o título de que são anti-RX, tornam-se elas xenófobas pois excluem do seu convívio, emprego ou mesmo negócio todas as pessoas a que os esquerdistas meteram o carimbo RX na testa.
 
 
Infelizmente, no caso do André Ventura, o CDS-PP enfiou o barrete e a "candidata" a Lisboa foi na boleia sem tomarem consciência de que estavam a ser usados numa estratégia vil de que eu também fui e sou vítima.
 
O que será o racismo e a xenofobia?
É eu pensar que uma pessoa é inferior a mim apenas por pertencer a um grupo étnico ou cultural diferente do meu (ou ser mulher, panasca, bissexual, judeu, islâmico, ou outra cosia qualquer diferente do que eu sou).
Mas uma coisa é o que cada um de nós pensa, e desde que acabou a inquisição e a União Soviética que os crimes de pensamento deixaram de existir (pelo menos em teoria) e outra coisa são os actos que cada um de nós pratica.
Eu posso pensar que os ciganos são todos uns porcos mas, uma vez no mercado, se um cigano me tentar vender uma camisa por 1€ igual a outra camisa que um "branco" que tenta vender por 1,05€, eu compro a camisa ao cigano.
Uma coisa é o que eu penso, outra coisa é um descriminar negativamente alguém pelo simples facto de pertencer a um grupo que eu não gosto.
 
Já agora.
Eu acho que os islâmicos são potencialmente terroristas e um perigo para a segurança dos europeus.
Mas, estranhamente, a minha empregada domestica, a Madina, islâmica, balkar de Kabardino-Balkaria, ela e toda a sua família (que não conheço).
e tem a chave da minha casa! Pode lá entrar com o "terrorista" do marido e explodir-me a casa.
Mas se acho que, no colectivo, os islâmicos são um perigo, em termos pessoas, acho-a uma santa, incapaz de matar uma mosca.
E também o meu amigo do Judo que é da "cabeça da serpente" (isto é, é iraniano) também é um santo que até me convidou para o casamento.

Qual é a fronteira entre o Racismo e o Nacionalismo?
A portaria que regula a descolonização diz que as pessoas que viviam em Angola, Moçambique ou Guiné-Bissau são cidadãos português se um dos avós tiver nascido na Europa.
A ideia do "ter nascido na Europa" foi uma forma de ultrapassar a clivagem branco/preto.
Interessante que um dos meus companheiros de praia conheceu em Moçambique uma mulata filha de um grego a quem foi dada a cidadania portuguesa! E também um aluno que tinha, retinto da Guiné-Bissau, porque nasceu nos Açores antes do 25 de Abril, era português.
É uma realidade que existem os países e estes, à luz do direito internacional, têm total liberdade para escolher os critérios definidores de "cidadão nacional". Alguns favorecem o nascimento (é cidadão todo o que tiver nascido no território) enquanto que outros favorecem a ascendência (apenas é cidadão aquele cujos pais sejam cidadãos).
 
Vamos à Birmânia.
Muitos países têm na sua origem um grupo étnico-linguístico-religioso.
A França é dos falantes de francês, a Alemanha dos falantes de alemão e Portugal dos falantes de português.
No caso da Birmânia, agora chama-se Myanmar, é a fronteira da expansão dos indianos (bengalis) e do islão para Leste. Assim, tem de Ocidente o Bangladesh que é islâmico e bengali, e de Leste a Tailândia, o Laos  e a China (budista/xintoista).
No meio de 51 milhões de pessoas, pouco mais de 2 milhões são islâmicas, pessoas que migraram de ocidente para oriente ao longo dos séculos e de que fazem parte os Rohingyas.
Bem sei que já lá estão há muitos anos, mas não são originariamente dali.
 
Interessante notar que ...
foram os portugueses que levaram os Rohingias para ali, no Sec. XVII, vendidos como escravos.
Quem diria que a raiz daquele problema fomos nós?
Se fomos nós que criamos esse problema, o governo dos esquerdistas tem a obrigação moral de os trazer para cá! Penso que seriam óptimos no combate aos incêndios.
 
Quando houve a independencia da birmânia!
Se calhar, os territórios onde a maioria da população era islâmica/bengali talvez devesse ficar a pertencer ao Paquistão Oriental (actual Bangladesh) mas, por questões de pertença histórica, manteve-se na Birmânia que, agora, não os quer como seus cidadãos.
 
Problemas de nacionalismos.
Um problema como tantos que existem por esse mundio fora. 
Desde a invasão da Krimeia e Leste da Ucrânia pela Rússia, à guerra da China por ilhas perdidas no meio do nada ou o referendo da Catalunha, são tudo problemas de racismo e Xenofobia ou serão apenas nacionalismos?
Será que Israel dizer que é seu cidadão quem for filho de mãe judia independentemente do local de nascimento é racismo ou a pura definição do Estado de Israel como a pátria dos judeus?
 
É sempre difícil traçar a fronteira entre o que é perna e o que já é sapo
 
A culpa de Tancos foi do Passos Coelho.
O roubo do material militar de tancos nunca existiu, foi uma forma de o Passos Coelho dizer que comprou material de guerra sem o ter comprado e, desta forma, ter cortado um pouco mais sem que ninguém tenha visto.
E o corte na cerca não passou de uma forma das "guerreiras da vida" (masi conhecidas por putas) poderem entrar sem o ser pela porta da frente onde teriam que bater a pala aos comandantes.
Quanta empresa diz que compra materias primas e que depois, numa ssalto, inudação ou incêndio diz destruido para reduzir aos lucros?
E coitadinho da Geringonça que foi acusada de ter culpas no cartório quando estão completamente inocentes.
E os incêndios ou mortos de Pedrogão Grande também não aconteceram agora, foram terras queimasdas mortos que já estavam queimadas e mortos há muito ano mas que o Passos Coelho empurrou para a frente apenas para prejudicar o país de maravilha criado pelo Costa.
Por redução ao absurdo, vivemos uns tempos de absurdo.

Desejos de bom regresso ao trabalho e, quando alguma coisa lhe correr mal, diga isto mesmo ao patrão: "aparentemente, dei um empurrão ao computador ele avariou  mas, por redução ao absurdo, nunca avariou. De facto foi feito e comprado já avariado".
Pensem um pouco no vestido que antes de ser vestido já era vestido ou na pescada...

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

William Carvalho e A Selva

Há muito que queria ler A Selva. 
Quando andava no secundário, havia Os Emigrantes que era de leitura obrigatória (mas que eu não li!) e A Selva, publicado em 1930, de leitura aconselhável (que também não li!).
Bem, recordando esses tempos, não li nenhum dos livros obrigatórios. Se calhar, eu não era um aluno exemplar :-)
Neste mês de Agosto, a Ucraniana mandou-me um dos contos do Tchekov (O Homem na Caixa). Depois, movido pela curiosidade,  estive a ler A Estepe, publicado em 1888, que descreve uma viagem que o autor fez através da parte ocidental da Ucrânia (a que agora está em guerra). Há um relato da paisagem, a estepe, e de como as pessoas viviam lá, incluindo a miséria, a sexualidade e os judeus.
A Selva, 1930, é quase uma adaptação d'A Estepe não faltando a referencia à miséria, à sexualidade e mesmo aos judeus que eram uma ínfima minoria no Brasil (em comparação com a Ucrânia).
Talvez por essas semelhanças e por A Selva ter sido publicada 42 anos depois de A Estepe é que Tchekov é um dos grandes vultos da história da humanidade enquanto que Ferreira de Castro é "apenas" uma referência de trazer por casa.

Mas vamos à Economia d'A Selva.
Primeiro, os fundamentais.
1) Há homens no Maranhão e no Seará disponíveis para trabalhar.
2) Há fazendas de borracha na Amazónia que precisam de trabalhadores.
3) Um dia de trabalho produz mais riqueza na Amazónia (a recolher borracha) do que no Seará (na agricultura convencional). 

Estamos então em presença de um problema de afetação de recursos em que um recurso é "não transaccionavel" (a terra não pode mudar de sítio) e um recurso que é transaccionável (o trabalho pode mover-se).
Este problema seria instantaneamente resolvido se não houvesse "custos de transacção" (a viagem de 3000km).

N'A Selva, o contrato de trabalho incluia um empréstimo inicial.
O trabalhador começa por receber um empréstimo sem prestar garantias para ajudar a família a sobreviver e para a viagem. Este crédito é na ordem dos 2000$00.
Nos "tempos bons", este crédito corresponderia à facturação de 100 dias de trabalho (5 kg/dia de borracha a 4$00/kg). Nesses tempos, mesmo descontando a alimentação que era mais cara que o normal, ao fim de um ano a dívida estaria amortizada e, depois, era tempo de juntar para levar um pecúlio para arranjar mulher e criar filhos.
Mas, nos entretantos, os tempos pioraram. Ferreira de Castro aborda a questão da concorrência da Malásia mas tanbém quer dizer que a pobreza é motivada pela ganância dos patrões.

O problema foi a inovação tecnológica.
As fazendas brasileiras de borracha, onde o avô da minha mãe também trabalhou para, depois, se estabelecer como comerciante em Manaus, funcionaram muito bem até ter havido uma inovação tecnológica na Ásia!
Pelo lado da procura, estava tudo bem, a borracha era usada para fazer pneus (para bicicletas, carros e camiões) cuja produção estava em grande crescimento principalmente durante a Grande Guerra, 1914-1918.
O problema é a procura ter criado inovação tecnológica por parte dos ingleses. Não fossem eles os pais da Revolução Industrial.
E Ferreira de Castro fala da concorrência dos ingleses sem dar conta que essa concorrência apenas existe porque ocorreu uma industrialização do processo.

A tecnologia na Amazónia.
A planta produtora da borracha, a Hevea brasiliensis* Ficus elastica, faz parte da floresta tropical brasileira.
Sendo nativa, no Brasil a tecnologia era recolectora:
Partindo de um ponto à beira de um rio, desbravava-se um caminho pela mata dentro procurando encontrar  árvores da borracha. Este caminho era difícil de iniciar e precisava de constante manutenção.
Como a floresta era impenetrável e ainda não havia drones, não havia possibilidade de escolher previamente o percurso pelo que encontrar mais ou menos árvores era um processo de sorte e azar. Assim, uns caminhos acabavam por ser mais produtivos e outros menos.
O caminho dava uma volta voltando ao ponto inicial e deveria ter uma extensão que permitisse  ser percorrido de manhã (para colocar os copos) e novamente à tarde (para recolher os copos cheios). Em média, um caminho tinha cerca de 10 km com 20 ou 30 árvores produtoras, espaçadas entre si uns 500m.
Dada a pouca densidade das árvores produtoras e a dificuldade do percurso, mais de 80% do tempo de trabalho do trabalhador era perdido. Além disso, o período da cheia impossibilitava o trabalho durante grande parte do ano.

A árvore da borracha é vulgar nos nossos jardins

* A Hevea brasiliensis é nativa do Brasil e conhecida por "árvore da borracha do Pará". A árvore que temos nos nossos jardins e casas é a Ficus elastica e conhecida por "árvore da borracha indiana". 
Esta nota deveu-se à chamada de atenção do Pedro Alves que agradeço.
Acrescento que a árvore do Pará é mais produtiva pelo que é a planta usada nas plantações. 
Actualmente, a borracha natural, num total de 12700kt/ano é produzida na Tailandia (4380t/ano), Indonésia (3230t/ano), Vietname (1120kt/ano), China (820kt/ano), Índia (750 kt/ano) e  Malásia (700kt/ano) e praticamente nada no Brasil ( 200kt/ano). A produtividade é na ordem dos 1150kg/ha e o preço na ordem dos 1,20€/kg (ver fonte).

Qual foi a inovação tecnológica?
Os ingleses pegaram em plantas recolhidas na Amazónia e fizeram plantações na Malásia.
Primeiro, desmataram a floresta e, depois, plantaram a Ficus elastica numa malha regular 3 x 10 metros. Na plantação, a densidade das árvores é 1000 vezes maior pelo que podem ser escolhidos os melhores terrenos (livres de inundação e mais próximos do alojamento) e o trabalhador não perde tempo a caminhar nem a desmatar o caminho. Desta forma, num dia de trabalho um malaio produzia 10 vezes mais do que produzia um trabalhador brasileiro e com menos esforço físico.
Se um brasileiro produzia 5 kg de borracha por dia, um malaio produzia 50kg.

Na Malásia, a plantação permitia muito maior produtividade

O problema não estava na exploração do trabalhador.
Estava na concorrencia que a industrialização colocou aos produtores tecnologicamente atrasados.
Interessant Ferreira de Castro nunca ter colocado a questão "Como conseguem os malaios produzir a preços tão baixos?"
O problema das fazendas brasileiras estava na elevada produtividade das plantações concorrentes, com uma diferença de 10 para 1,o que induziu quedas nos preços de tal ordem que as fazendas brasileiras ficaram inviáveis e isto mesmo que o searense trabalhasse apenas para não morrer de fome.
Tanto era evidente que o negócio da borracha como era feito estava condenado que Ferreira de Castro colocou como últimas palavras do patrão antes de ser assassinado "não estou para meter aqui o dinheiro que ganho na criação de bois."

Vamos ao William Carvalho.
No caso de um futebolista, o contrato de trabalho também tem um crédito inicial.
O William quando era gaiato, tal como milhares de crianças portugueses, queria ser um novo "ronaldo" mas, para isso, tinha que ter um bom treinador e jogar numa equipa de futebol e que fosse competitiva.
Estranhamente, mesmo com o melhor treinador do mundo, um jogador não evolui sem "jogo nas pernas" e num ambiente competitivo.
O problema é que uma equipa só pode jogar com 11 e não se podem meter todos os "jovens promessas"  a jogar porque isso iria custar derrotas. Então, cada equipa só pode tentar alguns o que traduz um Custo de Oportunidade.

Vejamos o contrato da "jovem promessa"
O jovem promessa, sem formação nem jogo nas canetas, vale 600€/mês a jogar no Fanhões de Baixo.
Mas, com o devido apoio, pode vir a valer milhões.
Então, o Sporting, antes de lhe dar a formação ao potencial craque, faz um contrato de longo prazo.
Supondo que o jogador tem 12 anos e que vale hoje, num horizonte temporal até aos 35 anos, uma média de  600€/mês. Então, o valor actual do jogador será de 75000€ (taxa de juro de 3%/ano)
   VA = 600*14 / 3%*(1-(1+3%)^-23)
Vamos supor que, por causa da concorrência, o sporting oferece um contrato até aos 35 anos de 1000€/mês, o que traduz um investimento acima do seu valor actual de mercado de 50000€.
A estes 50000€ acrescem as despesas de formação e o custo de oportunidade.

O Jogador joga muito.
Vamos supor que, chegado aos 22 anos, o jogador continua com os 1000€/mês mas que agora um clube estrangeiro está disponível a pagar 350 mil€/mês (até fazer 35 anos). Como o jogador tem um contrato de 1000€/mês com o Sporting então, pode ser trespassado por 43,5 milhões €.
Isto porque para o clube estrangeiro tanto dá pagar 350 mil€/mês como dar 43,5 milhões€ pela transferência ao Sporting e pagar 1000€/mês ao William.

O problema é que o jogador não vai querer jogar a ganhar 1000€/mês!
Existem estudos que dizem que o ser humano é invejoso.
Numa divisão, em que A determina a proporção e B aceita ou recusa, caso em que ambos perdem tudo, quando Adá a B menos de 30%, é quase certo que B vai recusar perdendo ambos tudo. Se A proposer 50%, é quase certo que B aceita.
Neste caso, se o William receber pelo menos 120 mil€/mês, quase com certeza que vai recusar, deixando de jogar.
Se a 1000€/mês o jogador vale 43,5 milhões€, a 120 mil€/mês desvaloriza para 28,5 milhões€.

Qual é o poder negocial do William?
O único poder é a greve de zelo, pura e simplesmente, recusar a transferência e deixar de jogar.
Como ganha o mesmo, e este é o problema da "economia igualitária socialista" defendida pelo esquerdistas, não se esforça.

O problema n'A Selva acabou por ser a falta de incentivos.
E é referido pelo autor.
Como o trabalhador nunca mais se libertava da dívida, pura e simplesmente, deixava de trabalhar. Só fazia o mínimo para não morrer de fome e ter direito a uma bebedeira de vez em quando.
Má tecnologia e errados contratos de trabalho levaram as fazendas de borracha à falência.

Como deveria ser o contrato de trabalho do seringueiro?
Além de dever informação que permitisse calcular o salário, devia haver uma partilha do resultado extraordinário do esforço do trabalhador de, pelo menos, 30%.
Assim, primeiro, deveria ser dito o rendimento esperado do trabalhador:

A) Em média, um seringueiro consegue recolher 1000kg/ano de borracha que é paga a metade da cotação de Belém que é actualmente de 5$00/kg.
B) Em média, os mantimentos para um ano custam 3000$00.

Depois, deveria ser dado um incentivo extra:

C) Metade de tudo o que conseguires produzir acima dos 1000kg, vai directo para a tua conta-poupança

Finalmente, uma claúsula de salvaguarda para partilhar o risco:

D) Se, por alguma razão, ao fim de 5 anos não conseguires saldar a dívida, esta será perdoada e ficas com o saldo da conta-poupança e ainda 10% de tudo o que facturaste.

É o salário por objectivos.
Em vez do contrato do jovem jogador ser 1000€/mês terá que ter ainda objectivos:
A) 1000€ por cada jogo realizado na equipa principal
B) 5000€ por cada golo marcado.
C) Uma claúsula de rescisão razoável.

Já me faz lembrar o André Carrillo.
Pressionaram o jogador, castigaram-no, proibiram-no de treinar e, no fim, pagaram um ano de salários, ele não jogou e receberam um monte de nada.
E o jogador também nunca mais se encontrou (porque o Benfica não tinha espaço para o meter).
Só espero que o Sporting tenha aprendido alguma coisa mas parece que não.

Se o Carrillo não tem sorte no jogo, tem sorte na mulher

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A economia dos hosteis

Os pobres tinham os albergues. 
No antigamente, o turismo eram peregrinações em romaria a lugares santos, fosse Santiago de Compostela, Bom Jesus de Braga, Fátima ou mesmo Roma e Terra Santa, para pagar promessas de milagres já recebidos ou a pedir proteção e coisas impossíveis aos santos.
Etimologicamente, peregrino é "aquele que vem do estrangeiro" e romaria "é um grupo de romanos em viagem à Terra Santa".
Fosse um "Valha-me Deus" ou um "Nossa Senhora me salve"  dito numa hora de aflição ou um "Milagroso Santo António desencrava a minha filha" e já estava criada a obrigação de fazer a viagem.
Como as pessoas tinham que pernoitar em algum lado porque, garante o povo, "A noite foi criada pela Coisa Ruim para que lá possa andar o que não pode andar de dia" (i.e., as coisas demoníacas e as almas danadas), uma das obra de misericórdia corporais da Santa Madre Igreja é "Dar albergue aos peregrinos" para que possam pernoitar debaixo de telhado.

À noite, o diabo anda à solta

Notar que, realmente, não foi Deus quem criou a noite! 
"No princípio criou Deus o céu e a terra (...) [e, então,] "havia trevas sobre a face do abismo (...) [Depois] disse Deus: Haja luz (...) e fez Deus separação entre a luz e as trevas (...) e às trevas chamou Noite" (Ge 1:1-5).
Motivado por a Noite ter sido criado por alguém que não Deus, talvez a Força do Mal, e contra essa força Deus nada poder fazer, durante muitos séculos discutiu-se se Deus é realmente Omnipotente e omnipresente. E ficou a dúvida até que Espinoza matou Deus.

Continuando. 
Nos tempos das peregrinações, as casas eram fracas, mais barraca que outra coisa, pelo que o peregrino se contentava a pernoitar com muito poucas condições. Bastava pão de centeio com um caldo de couves e alguns feijões engrossado com farinha regado com um copo de vinho carrascão para jantar, um balde com 2 ou 3 litros de água morna para tomar um banho, um monte de palha para fazer de cama e uma manta grossa para quebrar o frio para se ter um albergue de 5 estrelas.
E havia quem prometesse ir a "pão e água".
Lembro-me dos anos 1970 em que toda a gente da minha terriola foi a Fátima a pé, a minha mãe foi 5 vezes para ver se Deus lhe arranjava forma de poder criar os filhinhos. Depois de caminharem todo o dia o máximo que as forças permitiam, uns 40 km, assim que a tarde começava a morrer, os peregrinos batiam às portas das casas a pedir guarida sabendo-se que iam ficar todos à molhada, muitas vezes numa garagem ou num casebre de apoio à agricultura. Se a pessoa fosse daquelas que diziam "Não posso minha senhora, já tenho tudo lotado", logo era obrigada a continuar com "mas duas casas ali ao fundo vai conseguir arranjar, pergunte pelo Senhora Maria do Céu que ela tem bons cómodos onde vão poder passar a noite e por pouco dinheiro, é uma viúva muito devota de Nossa Senhora".
Chegados lá e ouvido da boca da senhora o sim, imediatamente começava a negociação à moda do cigano. Por um lado diziam os peregrinos "Não podemos dar mais do que 10 paus por cabeça porque estamos muito falhos de dinheiro" para logo a senhora contrariar com "Não posso fazer por esse preço, o mínimo são 20 paus por cabeça mas dou-lhes uma sopa quente" para logo, depois de proposta e contra-propostas sem conta, acabar o preço nos 13 paus, com a prometida sopa quente e ainda, pela manhã do dia seguinte, uma sande de queijo e marmelada com uma aguadilha de café, tanta quanto quisessem.
Dormia tudo à lota, homens num quarto e mulheres no outro, às vezes em casas diferentes, uns com os pés para cima e outros com os pés para baixo, pelo menos 4 em cada cama. 
Como bem sabia aquele descanso depois de horas e horas a pisar os pés, muitas vezes descalços.
No dia seguinte, mal o galo cantava e o burro zurrava, o povinho punha-se todo a pé, engolia a tal sande com a beberagem e já estava pronto para recomeçar a marcha rumo à santidade.
Ir da minha terra a Fátima eram 4 dias, de Coimbra a Santiago de Compostela seriam 9 dias enquanto que ir de Coimbra à Terra Santa já não era para qualquer um, obrigava a 200 dias, isto só para ir pois ainda era preciso outro tanto para voltar a casa.
Como o peregrino ia em marcha, naturalmente, só ficava uma noite em cada lugar.

Agora há os hosteis.
Um hostel é a versão moderna da albergaria improvisada e o turista faz o papel do peregrino dos outros tempos.
O turista não vai em agradecimento de uma graça recebida nem à procura de santidade, vai apenas para gastar o tempo e meter umas fotografias no Facebook e no Instagram.
Cada cidade, terriola ou lugar tenta identificar uma particularidade mais que não seja o nome para aproveitar uma fatia do mercado do "Tenho que ir lá tirar uma fotografia no meu smartphone".
Não se aposta mais no mercado da repetição. Se há 500 milhões de pessoas na União Europeia com possibilidade financeira para fazer pelo menos duas viagem de avião por ano em low-cost, se conseguirmos que 10% desses visitem a nossa terriola uma vez na vida mesmo que apenas para a "fotografia", vamos ter 3500 visitantes por dia a precisar de comer e dormir.

Como se faz um hostel.
Pega-se num imovel qualquer, uma casa, um apartamento, um anexo onde antigamente se guardava forragem ou gado, esteja em bom estado ou não pois o típico também tem clientela.
Depois, metem-se uns beliches, um quarto com 13 m2 aguenta com 6 hóspedes (3 beliches de dois andares e um pequeno armário com 6 divisões).
Depois, basta uma casa de banho com chuveiro.

Num hostel cabem 6 num quarto mas, à escala de Auschwitz, caberiam 60 

Serão os hosteis a galinha dos ovos de ouro?
Pelo menos em Portugal, os hosteis estão a ser vítimas de um grande ataque por parte do governo  e autarquias esquerdistas com taxas, taxinhas e impostos e ainda uma campanha de que este tipo de turismo está a retirar as casas do mercado de arrendamento para habitação.
Vejamos se então a economia de um hostel.

Vamos fazer hostel num T3.
Destinam-se 2 quartos e uma casa de banho para mulheres (12 lugares) e 1 quarto, a sala e a outra casa de banho para homens (12 lugares). Fica ainda a cozinha para fazer os hospedes poderem fazer cozinhar qualquer coisa simples.
Transformamos um T3 com 100m2 num hostel com 24 camas, uma média de 4m2 por cama.
No mercado de arrendamento, este apartamento se bem localizado e numa razoável cidade custa pelo menos 600€/mês.

Qual o preço de uma noite num hostel?
Estive a ver no Booking.com e o preço ronda os 10€/noite.
Para hoje, encontrei os seguintes preços (o mais baratos):
Roma => 9 €
Madrid, Londres, Berlim, Lisboa => 10 €
Paris => 14 €
Moscovo e Kiev => 3 €

Que margem dá cada hóspede?
Lavar a roupa e passar os lençóis, fazer a cama e arrumar a casa gasta pelo menos 20 minutos de tempo de trabalho. A 6,00€/h são 3,00€ por dormida.
Depois, acrescenta a água, eletricidade e internet, 1,00€ por dormida
Ainda temos o custo do Booking.com que vou assumir como 1€ por dormida.
Dá uma margem de 5,00€/dormida.

Vamos à conta final do lucro do negócio.
Era bom se a ocupação fosse a 100%
Lucro = 30 dias * 24 camas * 5€/dia - 600€/mês = 3000€/mês
O problema é a taxa de ocupação
   20% => 120€/mês
   25% => 300€/mês
   30% => 480€/mês
Este lucro vai ser o pagamento para a pessoa que recebe os hóspedes (o hostel está aberto 24 horas por dia), zelar pela segurança das pessoas e dos bens.
24 camas já é um negócio grande, equiparado a um pequeno hotel e não dá nem o salário mínimo.
Só dá para um casal de chineses. A mulher faz as camas e arruma a casa (ai meu Deus, que estou a ser sexista) enquanto o homem lava e passa os lençóis e faz a segurança.
Já estão a ver porque é que em todos os hosteis está um chinês: é o patrão que dorme no meio dos hospedes abatendo 2 camas à lotação.

Aquilo do "livro para meninas" é uma perigosa loucura dos esquerdistas.
Se não pode haver descriminação de género, porque obriga a lei a haver casas de banho para homens e para mulheres nos establecimentos comerciais e industriais?
Porque há provas físicas diferentes para homens e para mulheres quando se candidatam à tropa, PSP ou GNR?
Porque é que a maior parte das lojas de roupa são para mulheres?
Porque é que os homens têm que usar fato escuro e gravata e as mulheres não?

E quanto será a taxa de ocupação?
Aqui é que está o problema maior.
Uma colega minha perguntou-me "O que achas de eu fazer um hostel? Herdei uma casa em Espinho com 8 quartos e gostava de rentabilizar aquilo".
Se consultarmos o Booking.com hoje às 22h, o mês mais forte do turismo, em Paris ou Londres, há N hosteis com vagas disponíveis.
Se nesses locais existem vagas, será que em Espinho se consegue uma ocupação média de 20%?
Eu ainda disse à ucraniana "Os teus pais podiam vir por ai abaixo e explorarem o hostel" mas a moça não tem cabeça, fez de conta que não ouviu.
Só dá para monhés.

Deixem os hosteis em paz.
Porque não são eles que estão a ter ganho por causa do turismo.
Quem está a ter ganho são os outros, cafés, restaurantes, táxis, e outros apoios ao turista, que exploram as massas que esmagaram o preço da estadia.
Assim, cobrar taxas é a esses e não às albergarias pois o 1€/dia que cobra Lisboa são 10% do preço de uma estadia e os 2€/dia que o Porto quer cobrar é uma aberração.

O hostel não dá nada mas ser muito bom viver em Portugal porque há muita caça

Finalmente, será que o MPLA ganhou as eleições em Angola?
Concerteza que sim e com maioria absoluta.
Será que o MPLA foi o partido mais votado nas eleições de Angola?
Se em 1992 o MPLA não conseguiu 50%, ia conseguir agora, depois de 25 anos de desgaste executivo, conseguir 61%?
Concerteza que não e perdeu por muitos.
Mas nunca jamais os esquerdistas, sejam angolanos, venezuelanos, cubanos ou portugueses, deixarão o poder podendo mantê-lo mesmo que por meios violentos.
Acontece é que os nossos esquerdistas ainda não atingiram esse patamar pois de democratas não têm nada.

Boas férias e tratem bem o chinês.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Fogos florestais: o progresso obriga à mudança

A "tecnologia" do incêndio florestal. 
As árvores são formadas por celulose (tem outras moléculas mas simplifiquemos) que é açúcar  polimerizado que oxida continuamente (é o normal envelhecimento da madeira e de tudo que é orgânico), libertando energia:
      (n)C6H10O5 + O2 => CO2 + H2O + Energia (4kcal/g)
Esta reação nas condições normais de humidade e temperatura é muito lenta, demorando milhares  de anos a oxidar uma simples folha de papel (que é feita quase integralmente de celulose).
Claro que existem fungos que conseguem realizar esta oxidação muito mais rapidamente (o apodrecimento) e mesmo animais (por exemplo, as térmitas) mas, mesmo assim, a oxidação ocorre de forma muita lenta e incompatível com um incêndio pois, a 60.ºC, os seres vivos morrem (acontece a pasteurização).

Aumentando a temperatura, a velocidade de oxidação acelera.
Se abaixo dos 100.ºC a oxidação é muito muito lenta, acima dos 300.ºC a celulose começa a decompor-se muito mais rapidamente em carvão (sólido) e em gases (simplificadamente, metano e monóxido de carbono).
      C6H10O5  + Calor => Carvão (C) + gases (CH4 e CO)
Quando mais elevada for a temperatura, mais rápida é esta decomposição que se chama "destilação".
Agora, o carvão arde ficando em brasa (a combustão mantém-se estável porque a camada exterior da "pedra" não deixa o oxigénio  entrar) mas os gases ardem muito rapidamente chegando a explodir.
A elevada temperatura, uma folha de papel que demoraria milhares de anos a oxidar, oxida numa fração de segundo.

Um incêndio é um "reator" com uma reação em cadeia.
Para que aconteça a decomposição da madeira, a temperatura tem que se manter acima dos 300.ºC o que acontece quando o carvão está a arder "por baixo".
Sem a temperatura fornecida pelo carvão, a madeira não liberta gases e não se transforma em mais carvão necessário para alimentar o "reator".
Os gases, porque atingem elevadas temperaturas, também ajudam a fornecer o calor necessário para que a madeira se continue a decompor.

 Fig. 1 - Esquema de uma fogueira ativa

A frente de fogo.
Tem a vegetação rasteira, muito fina e seca, a fornecer calor para que os arbustos e copas das árvores libertem gases inflamáveis que vão criar temperaturas muito elevadas (por irradiação) que ajudam a propagação do incêndio junto ao chão.
A dinâmica é favorecida em terrenos a subir e a favor do vento.


Fig. 2 - Esquema da frente de incêndio

Qual o efeito da água no "reator"?
A água arrefece o "reator" o que, por um lado, para a reação acelerada de oxidação do carvão e, por outro lado, evita que a madeira liberte mais gases combustíveis.
É semelhante a, quando no campismo fazíamos uma fogueira (bem sei que agora é proibido), ao efeito de espalharmos o material (deixaria de haver temperatura suficiente para a reação em cadeia continuar).

O contra-fogo é a tecnologia "inversa" à água.
Não arrefece a "reação em cadeia" na hora em que ela está a acontecer mas, queimando previamente parte da vegetação rasteira, deixa de haver densidade de combustível suficiente para que a temperatura atinja os valores necessários para que o fogo se auto-alimente.
Assim, quando a frente de fogo chegar a uma área previamente "tratada" com o contra-fogo, não consegue continuar.

Agora, a minha proposta para controlar os fogos florestais.
Usar água é pouco eficiente no combate aos fogos florestais porque:

A) A água tem pouca capacidade de apagar fogos o que obriga a transportar continuamente grande quantidades e a grandes distâncias (em camiões e aviões).

B) Tem que haver estradas até ao local o que é impossível porque a frente de fogo é dinâmica, e o transporte aéreo é muito caro.

C) O dinamismo da frente de incêndio obriga a que seja preciso repetidamente combater o incêndio (o que regamos agora de nada vai servir daqui a um minuto porque o fogo caminha para a frente).

D) Como a dinâmica é incerta, não é possível fazer um planeamento dos meios (os bombeiros têm que ficar à espera da chegada da frente de fogo).

Contra-fogo com uma tela de pano ignífugo.
Um pano ignífugo é uma tela feita em fibra de vidro, leve e barata, que serve de barreira à propagação de calor, chama e não arde.
Quando temos uma "estrada" estreita onde se vai fazer o contra-fogo, há o problema de haver um atravessamento ao longo da linha em chamas e ainda de o sapador sofrer muito calor.
O pano ignífugo vai fazer uma muralha com 3 metros de altura e uma extensão de 100 metros o que dá tempo para que a linha de contra fogo se afaste da "estrada".
Como o pano evita a passagem de calor, a necessidade de meios para evitar os atravessamentos tornam-se muito reduzidos podendo mesmo ser feito sem necessidade de água.
Naturalmente, eu proponho uma tela com 3 metros de altura e 100 m de extensão mas isso terá que ser determinado por experimentação no terreno.
Esta tela não será de difícil uso (mesmo com vento) porque pode ser usado na horizontal (deitada sobre o material a queimar).

Fig. 3 - Esquema de contra-fogo com tela ignífuga


Quanto custará a tela ignífuga?
Estive a ver uns preços e anda na ordem dos 5€/m2.
3 m x100 m = 300 m2 que custarão 1500€.
Pensando que terá um sistema de suporte e controlo (pegas, pilares e apoios), ficará nos 3000€.
E a tela pode ser usada vezes sem conta.

Na frente de fogo.
E tecnologia da tela ignífuga também pode mesmo ser usada como auxiliar das mangueiras de água na frente de fogo, situação em que será apenas necessário usar água no que passar por baixo da tela e não a apagar o fogo diretamente.

Fig. 4 - O contra-fogo faz-me lembrar que nem tudo o que está queimado é feio





terça-feira, 8 de agosto de 2017

Robôs: os novos inimigos dos esquerdistas

Como os robôs são máquinas ...
E como máquinas são capital e capital lembra capitalistas, ai está o inimigo público a abater pelos esquerdistas.
É o grande capital que vai tomar conta dos robôs e, com isso, tomar conta dos indefesos trabalhadores.
Por causa disso, mais impostos sobre o capital em particular, sobre os robôs.
Já uma taxa de 100€/mês sobre as máquinas de lavar roupa porque estão a destruir o emprego das mulheres de limpeza.

O que seria o homem sem tecnologia?
Há cerca de 5000 anos, no fim da idade da pedra, quando as pessoas viviam da recolha e caça, estimo que vivessem no território do atual Portugal continental um máximo de 3000 pessoas.
Essa população seria formada por famílias com 5 pessoas, 2 adultos e 3 crianças.
As famílias organizavam-se em clãs, cada um formado por 20 famílias.
E haveria uns 30 clãs espalhados pelo território que agora é Portugal.
Apesar de haver poucas pessoas, mesmo assim, passavam fome e necessidades materiais de toda a espécie, incluindo naturalmente, a doença.
Esta minha estimativa não tem fonte sólida (ver aqui) mas também pouco interessa para aqui.

Hoje somos 10000000 pessoas.
Hoje, apesar de viverem 3330 pessoas do território em que vivia apenas 1 pessoa, é inquestionável que  vivemos com muito mais qualidade de vida.
E isto não se deve ao facto de sermos mais inteligentes, fortes, altos ou bonitos que os nossos antepassados pré-históricos mas deve-se apenas à tecnologia e ao capital que se foram acumulando ao longo dos séculos.

Um pequeno modelo com capitalista.
Para compreendermos como funciona a nossa economia com especialização capitalista / agricultor vou apresentar uma pequena economia agricultura com apenas duas pessoas: o capitalista que produz "terra arável" e o agricultor que "cultiva a terra".
Será matematicamente muito simples e "estática" no sentido de que os indivíduos trabalham sempre 10h/dia.

Vamos à caracterização do meio ambiente:
1 - Inicialmente existe um baldio com 1000 unidades de área onde cada "recoletor" consegue obter 0,1 kg de alimentos por cada hora de trabalho.
2 - Se o baldio fosse transformado em "terra arável", nesses 1000 ua seria possível o "agricultor" produzir 1,0kg de alimento por hora (tecnologia proporcional).
3 - São precisas 100 horas de trabalho para transformar 1 ua de baldio em 1 ua de "terra arável".
4 - A "terra arável" regride para baldio à razão de 5% por ano.
5 - A "função de bem-estar", U, diz que uma pessoa vive melhor se comer mais (Y é a produção diária) e se trabalhar menos (T é o trabalho diário) segundo a seguinte relação:
  U = Y^0.5 - T^0.5
Atualmente trabalham ambos 10h/dia tendo um nível de vida igual a (1/10)^0.5 = 0,32

A especialização capitalista / agricultor.
Os recoletores reúnem-se e fazem um contrato em que um deles vai ser o capitalista (transforma o baldio em terra arável que passa a ser sua) e o outro vai ser seu empregado recebendo metade do que produzir como agricultor.
Depois de muitos anos de investimento, com 10h/dia de trabalho o equilíbrio atual é haver 730 m2 de terra arável onde o agricultor produz 7,3kg/dia dos quais recebe 3,65kg/dia de salário.
Agora, o nível de vida aumentou para (3,65^0.5 = 0,60

O capitalista demorou muitos anos de trabalho para acumular os 730 m2 de terra arável.
Inicialmente teve que trabalhar 20000h sem nada receber (endividar-se e passar fome) para poder ter os 200m2 que tornaram  a agricultura mais rentável que a recoleção. 
Depois, ainda teve que trabalhar muito mais até atingir os 730m2 de equilíbrio.
Claro que agora o agricultor esquerdista pode dizer "a terra arável a quem a trabalha" esquecendo que este capital apenas existe porque o capitalista trabalhou e poupou ao longo dos anos.
Se o agricultor expropriar metade de capital (para dizer que é justo) passando ambos a ser agricultores, não haverá nenhum problema no curto-prazo mas, o problema surge de cada ano 5% desse "seu" capital desaparecer até voltar tudo a ser baldio.

Vamos então aos robôs.
Um robô não é nada mais que uma máquina/ferramenta.
Se, inicialmente, uma máquina/ferramenta era uma vara endurecida na fogueira, depois uma pedra atada com cabedal a uma vara e por ai fora, agora um robô é o mesmo conceito mas tendo um computador como "cérebro". 
Um robô não é em nada diferente do cão domesticado que o caçador usava na pré-história: o cão acabou com a atividade de "batedor humano" com muita vantagem.
Mas que primitivo quereria que o seu filho fosse batedor humano?
Como exemplo de robôs temos a máquina de lavar roupa (que libertou a mulher da cozinha), o multibanco (que transfere dinheiro a qualquer hora do dia sem custos) ou uma máquina de soldar chapas (que diminuiu radicalmente o custo de ter um automóvel).

Será que os robôs vão acabar com os empregos?
Claro que não, isso é uma tontaria que a esquerda abraça e que está ao nível dos programas do canal História onde pessoas aparentemente sadias defendem que descendemos de répteis vindos do Espaço.

Os robôs vão acabar com os taxistas.
Isto é uma verdade como a canalização acabou com os aguadeiros (pessoas que vendiam água), as garrafas de gás acabaram com as carumeira (mulheres que cortavam caruma nos matos do interior para ser vendida nas cidades) e os tratores acabaram com os fazedores de carros de bois.
Mas não ouço ninguém a defender essas profissões talvez porque já passou algum tempo desde que desapareceram.
Vão acabar os taxistas e muitas outras profissões que conhecemos hoje mas isso é o normal progresso da humanidade, outras surgirão. Por exemplo, é do meu tempo o aparecimento dos portageiros nas auto-estradas e é do meu tempo o seu fim.
O certo é que cada vez teremos empregos mais agradáveis e onde seremos mais produtivos.

A próxima revolução está nos veículos sem condutor.
Já há veículos que circulam em auto-estrada sem condutor.
Parece pouco mas, mais do que transportar um passageiro que não quer conduzir, já permite que um camião vá de um "terminal TIR" até outro "terminal TIR" sem intervenção humana.
Isto vai ser uma revolução na logística, ser possível dizer a uma palete de carga "vai até ao terminal TIR de Estugarda num máximo de 36 horas" e pronto, ser a palete a "procurar" a melhor forma de chegar lá.

O trânsito nas cidades.
Aparentemente o problema dos congestionamentos dentro das cidades é haver muitos carros a circular.
Mas se repararem bem, o problema está nos carros parados e estacionados que ocupam bem mais de metade do espaço que deveria ser usado para a circulação automóvel.
O veículo autónomo (e que se deve vir a chamar apenas "autónomo" tal como o "veículo automóvel" se reduziu a automóvel) vai ter a capacidade de, sem ninguém lá dentro, desaparecer para se enfiar num estacionamento longe da vista.
Agora não em apetece escrever mais sobre isto mas pense como seria possível enfiar milhares de autónomos baixinhos em cavescom apenas 1,60 m de pé-direito, todos encostadinhos. Na área onde hoje cabe um automóvel estacionado, no futuro caberão 50 autónomos.

Eu tenho este robô em casa! Será que corro perigo de vida?







quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Serão os automóveis elécticos o futuro à nossa espera?

Como estamos de férias, tenho que falar de algo levesinho. 
Estive ontem um bocadinho na praia e posso garantir que as portuguesas estão com corpos muito bonitos.
Quanto aos homens, não reparei!
Será que é por causa do imposto que o Costa meteu nas bebidas com açúcar?
Quanto aos carros, a industria (ou a comunicação social) está a caminhar em dois sentidos que considero ter pouco potencial para melhorar as nossas vidas e poderiam concentrarem-se em algo mais valioso.

Será que os carros elétricos são o futuro?
Peguei na minha fatura deste mês, retirei os 3,02€ da "contribuição audiovisual" e calculei o preço da energia elétrica que foi de 57,23€ / 228kwh = 0,251€/kwh.
Pensando que a carga da bateria e descarga têm um rendimento aproximado de 80%, a energia de um veículo elétrico colocada na roda sem considerar o ISP (imposto sobre os produtos petrolíferos) é de 0,30€/kwh.

Vejamos o preço dos combustíveis fósseis.
Para podermos comparar com os automóveis que usam combustíveis fósseis temos que retirar o ISP.
Na primeira semana de Agosto o gasóleo está cotado a 1,663 USD/gallon o que se traduz em 0,37€/litro. Acrescentando despesas de distribuição e IVA teremos, sem ISP, um preço na ordem de 0,50€/l.
Cada litro de gasóleo tem 9,0kwh de energia e o motor diesel tem um rendimento de 35% (potência colocada na roda) o que dá 3,15kwh/litro.
então, o preço da energia produzida com gasóleo será de 
0,50€/litro / 3,15 kwh/litro = 0,16€/khw.

Não pode ser!
A energia na roda de um automóvel elétrico custa 0,30€/kwh enquanto que a energia na roda de um automóvel a gasóleo custa 0,16€/kwh.
O gasóleo custa metade da eletricidade.
O problema é a desinformação e os impostos (o ISP e o IVA sobre o ISP).
A gasolina fica um pouco mais cara, 0,22€/kwh, porque o motor tem menor rendimento mecânico.

Vejamos agora as contas apresentadas na comunicação social.
Os nossos automóveis têm uma bateria de chumbo com uma capacidade de armazenamento de 0,6 kwh que permite uma potência de 150w durante 4 horas, suficiente para um ciclista a circular a 20km/h em estrada plana. Assim, a nossa bateria totalmente carregada dá para percorrer 80km de bicicleta.
A bateria de chumbo tem como principal vantagens usar um material que existe em abundância na Natureza (o chumbo) e ter uma potência de pico muito elevada (750w) mas tem as desvantagens de o chumbo ser venenoso (é um metal pesado) e de pesar 13kg (1kwh por 20kg).
Em comparação, os carros elétricos e híbridos usam baterias de Lítio que é uma matéria-prima rara.
O ZOE, o carro elétrico da Renault, tem uma bateria 67 vezes mais capaz, com 40kwh cujo carregamento custará cerca de 12€ (um preço de 0,25€/kwh e um rendimento de 85%). 
Se compararmos com Gasóleo, esta bateria é equivalente a 12 litros de combustível que, sem ISP, custariam na ordem dos 6,00€.
O ZOE anuncia que consegue percorrer 400km com 40kwh o que se equipara ao anúncio de um consumo de 3,0litros/100km dos carros Diesel de gama equivalente.
Mas, como sabemos, o mínimo que consegui fazer no meu carrito 107 foi um resvalar de 10% (4,2litros/100km para um anúncio de 3,8litros/100km).

E ainda falta o preço, a duração e o peso.
A bateria de lítio pesa cerca de 10kg/kwh o que dá 400 kg para a bateria do ZOE (também tem baterias menores).
Mais peso quer dizer que o caro elétrico vai gastar mais energia!
Só permite cerca de 400 carregamentos totais e 800 carregamentos meios o que dá para 160000km se não houver resvalar muito grande no consumo.
A bateria é muito cara.

E o aquecimento?
Por cada kwh na roda, o motor diesel produz 2 kwh de calor à borliex. Assim, um carro diesel a 60km/h que gasta 3,0l/100km produz além dos 5,7 kw na roda, mais de 10kw de calor que pode ser usado para aquecer o interior do nosso automóvel.
Nos carros elétricos, o aquecimento vai roubar energia à bateria o que faz com que, nos dias frios no Norte da Europa, pelo menos metade da energia da bateria tenha que ser usada no aquecimento.
Assim, no Inverno o consumo duplica e a duração da bateria reduz-se a metade.

Será que a eletricidade não produz CO2?
Eu gasto mais ou menos 60 litros de gasolina por mês que precisaria de 160kwh de energia electrica.
Isso corresponde a 70% da energia que eu gasto em minha casa.

Dados actualizados.
Fui ver dados à wikipedia e diz o seguinte:
A autonomia de uma bateria de 40kwh é de 300 km (e não de 400 km).
A bateria custa 79€/mês para um percurso máximo de 12500km/ano, 40 cargas/ano, o que dá 24€ por cada carregadela mais os 12€ pela electricidade!
O peso do ZOE é de 1428kg que compara com os 912kg do Clio.

Concluindo?
Para já, veículo electrico eficiente terá que ser uma bicicleta porque os motores a explosão pequenos não funcionam bem.
O preço da eletricidade terá que ser muito menor, na ordem de 1/3 do preço atual, para que os automóveis elétricos se tornem competitivos face aos automóveis normais.
Não tem a ver com baterias nem com autonomia mas apenas com o custo do combustível que é muito mais barato se usarmos gasóleo.

Mais importante é o preço da bateria.
Uma bateria de lítio tem um preço com IVA de 300€/kwh, 12000€ num veículo com autonomia inicial de 300km (40khw e um consumo de 0,13khw/km).
A bateria vai perdendo capacidade. Se for substituida quando atinge 50% da capacidasde inicial, conseguem-se aproximadamente o equivalente a 750 recargas o que dá, numa bateria normal de 24khw  (que custa 7200€) qualquer coisa como 140 mil km.
Isto dá um custo da bateria (sem consumo de electricidade) ligeiramente superior a 5€/100km.
Assim, para os veículos electricos serem competitivos face aos veículos a conbustíveis fósseis (sem ISP), o preço da bateria tem que descer dos actuais 300€/khw para 100€/khw (que é o preço das baterias de chumbo mas que pesa muito mais, uma de 40kwh pesaria 1100 kg)
Só acho estranho ninguém fazer estas contas.
Será que estou enganado?
Que os investidores que meteram milhares de milhões de euros na Tesla estão malucos?
Lanço aqui o desafio para que os esquerdistas que anunciam que eu não digo coisa com coisa.

Cuidado com o Sol que é como o Amor, mata devagarinho.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

O modelo de combate aos fogos florestais está errado

🙏A floresta não rende quase nada.
As estatísticas mostram que a área florestal e de mato ardida tem uma média de 125 000 ha por ano o que representam 1,4% do território nacional (ver).
Estes 1,4% traduzem que um terreno arde a cada 70 anos.
Em termos económicos, se tivermos um pinhal de 10000m2 com 500 árvores com 30 anos avaliados em 4000€ (um rendimento de 133€/ano) e a madeira queimada perder 50% do valor, um seguro contra incêndio custará qualquer coisas como 30€/ano/ha.
Comparando com a despesa de "limpar o mato", é melhor gastar os 30€/ano no seguro pois este dinheiro só dá para 3 horas/ano de limpeza que não dá nem para aquecer a roçadoura.
Resumindo, em termos médios, um hectare de pinhal rende 100€/ano.
Para se ver quão miserável é o rendimento da floresta, para cobrir o meu custo salárial seriam precisos 650 ha de pinhal o que é uma enormidade.
E eu a trabalhar 24h por dia, 7 dias por semana não conseguiria limpar esses 650ha de pinhal de forma a evitar o risco de haver um incêndio florestal!
 
Fig. 1 - O meu custo salarial corresponde a um pinhal do tamanho de grande parte da Cidade do Porto
 
Gastam-se 200 milhões€/ano em combate florestal.
Se a floresta, como dizem, rende 1300 milhões €/ano este custo corresponde a 15% do rendimento da floresta o que traduz que o decisor político pensa que os meios de combate reduzem a área ardida em pelo menos 90%.
Vejamos de onde tirei este número.
Para ser economicamente racional, gastam-se os 200 milhões porque, se não se combatesse os incêndios, o rendimento da floresta seria inferior a 1100 milhões€.
  Rendimento Potencial sem incêndios = 1300/(1-1,4%) = 1320
Daqui tira-se que o risco de incêndio, x, resolve a desigualdade seguinte
  1320*(1-x) < 1100  <=> x > 1100/1320 - 1 =16,7%
A redução terá que ser de pelo menos 16,7%/(16,7%-1,4%) - 1 = 91,5%

Venham mais 4 aviões.
O Costa resolveu a guerra da propaganda encomendando mais 4 aviões com capacidade para combater fogos florestais.
Mas ninguém ainda deu conta que o modelo de combate aos fogos florestais está errado?
Que daqui a nada se gasta mais dinheiro a combater os fogos florestais que todo o prejuizo possível de acontecer?
Se um ha rende 100€/ano, como se pode obrigar os velhinhos do interior a cortar o mato?
E para quê gastar tanto dinheiro se o mato não tem qualquer valor?
 
Ordenar a floresta não é destruir o coberto vegetal.
Ordenar será dividido a zona florestal em favos e desenhadas "faixas de corta-fogo" onde, em caso de incêndio num favo, possa ser garantido que o fogo não sai dessa área.
Se os favos tiverem 1000 ha e a faixa de conta-fogo de 25 metros, teremos um desmatamento de 1,6%.
Naturalmente, o combate ao incêndio seria apenas na faixa de corta-fogo e o corta-fogo feito contra o vento e a subir.
Deixar os bombeiros à espera que a frente de fogo chegue é uma perda de tempo pois vai passar e um perigo de vida.

Fig. 2 - O contra-fogo deve ser feito contra o vento para "cortar" o caminho à frente de fogo.
Os bombeiros garantem com os auto-tanques que o contra-fogo não atravessa a "faixa de contra-fogo" o que é muito mais simples do que enfrentar a frente de fogo.
 


 Fig. 3 - Em terreno inclinado, o contra-fogo deve ser feito a subir (e contra o vento).
É mais fácil um contra-fogo em terreno acidentado (exactamente o mais difícil de apagar com meios convencionais) porque a inclinação ajuda a encaminhar o contra-fogo.
 
Será que alguma vez veremos corta-fogos?
Não acredito nisso.
Claro que deveria ser feito um ensaio de combate com contra-fogo massivo mas não temos governantes com estaleca para isso.
O que veremos é mais e mais aviões, helicópteros, autotanques e bombeiros.
E também veremos mais e mais incêndios florestais porque há cada vez menos pessoas nas zonas florestais e a floresta cada vez rende menos.
 
Fig. 4 - Só vos peço que não pensem mais em fogos e que descansem a mente com um pouco de ioga.
iooooooooooooooooooooooooooo
Que par de pés ;-)

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Os fogos florestais, os ciganos e o estupor moral

Estes 3 pontos têm em comum a desinformação dos esquerdistas.
Os esquerdistas falam muito em direitos liberdades e garantias mas, de facto, o que eles defendem são sociedades como o Maduro está a construir na Venezuela ou os Castro criaram e mantêm em Cuba (talvez seja mais desconstruir).
Claro que os problemas que hoje se vivem na Venezuela não resultam da tentativa dos chavistas de fazerem uma "democracia popular onde o homem não mais explora o homem" mas sim da agressão do imperialismo americano.
Apesar de na franja dos ignorantes e mamantes das pensões dos pais as ideias esquerdistas entrarem como a salvação da humanidade, não conseguem explicar porque não fogem pessoas dos USA para a liberdade de Cuba e da Venezuela.
 
Vamos aos fogos florestais.
Ensinou-nos o Maquiavel que, para manter o povinho obediente ao seu príncipe, é preciso arranjar um "inimigo do povo" (que não se possa defender) a quem meter as culpas todas. Depois, bradando "não é culpa minha, eu nem sabia de dada" esfola-se o "inimigo do povo" na praça pública e já estão os problemas todos resolvidos e com o povinho a aplaudir.
No caso dos fogos florestais, os esquerdistas arranjaram o Eucalipto Globus e a Portugal Telecom como "inimigos do povo".
Dizem os esquerdistas que os incêndios acontecem por causa dos eucaliptos. O problema é que eu fui ver as estatísticas e esta afirmação é completamente falsa.
Entre 1996 e 2014 (ver os dado do ICFN) arderam em média 125 mil ha por ano dos quais apenas 15,4% foram eucaliptal.
 
Então querem saber o que são os "fogos florestais"?
Em 50,2 % é matagal que resulta da degradação da floresta mediterrânica/atlântica original depois de séculos de pastoreio seguido de abandono em que não aconteceu a recuperação natural da floresta por  o solo ser muito pobre em nutrientes.
É formado por erva, arbustos e árvores pequenas de que a acácia é cada vez mais visível. Pode ser muito denso (o Maqui) ou mais espaçado (o Garrigue).
Os matagais não têm qualquer rentabilidade económica.
 
E a Portugal Telecom.
É completamente falso que os incêndios sejam maiores por causa da falha de comunicações porque quando não havia telecomunicações os incêndios não eram tão grandes nem causavam tantas vítimas mortais. Nem no tempo do Salazar em que nem sequer havia telefone.
 
Em 2016 arderam 160 500 ha (até 15 de outubro).
Em 2016, tendo a geringonça herdado a mesma proporção de eucaliptal que no período 1996/2014, arderam mais 35000 ha que a média.
Concerteza que a culpa não foi da geringonça, só pode ter sido do Passos Coelho ou de outra coisa qualquer.
 
Querem saber porque há fogos florestais?
Porque a Natureza é mesmo assim e assim tem sido ao longo dos milhares de milhões de anos que dura a vida na terra.
Tanto é assim que os fetos têm o tronco debaixo da terra, as ervas guardam os nutrientes nas raízes  e  as sementes das árvores das florestas de climas temperados só germinam depois de um incêndio.
Porque pensam que a luz vermelha e laranja a piscar são usadas como sinal de perigo?
Porque imitam o fogo e os animais (sim, nós somos animais) têm gravado nas suas mentes que o fogo é o maior dos perigos, coisa que foi metida nas nossas mentes pelo processo evolutivo. 
 
Será possível acabar com os fogos florestais (e com a erosão das praias)?
É possível mas não vai lá com bombeiros, aviões, telecomunicações nem o fim do eucalipto. Vai lá com a destruir de toda a vegetação usando pastoreio e queimadas.
Se for usado pastoreio de ovelhas e cavalos, nenhuma árvore resiste porque são comidas em pequeninas e a casca arrancada em grandes (pelos cornos das ovelhas e as barrigas dos cavalos). Ficam apenas as giestas que os pastores queimam em Setembro (queimavam porque agora não há pastores).
Era essa a paisagem despida que tínhamos até aos princípios do século XX, árvores muito raras e terra nua.
O "problema" é que isso aumenta muito a erosão o que é bom porque combate a erosão costeira.
 
Os ciganos.
A melhor forma de acabar com os ciganos é obrigar as crianças ciganas a ir à escola.
Foi isso que fizeram com os nativos da Austrália.
Claro que o politicamente correcto é dizer que somos todos iguais e que os ciganos são portugueses como os outros mas todos sabemos que não é assim.
Quando vamos sozinhos na rua de madrugada e nos aparecem ciganos ou africanos pela frente (não posso dizer pretos senão levo mais dias sem ordenado, apesar de também haver brancos e indianos em África) , sentimos um frio miudinho na espinha.
Isto não é ser racista pois é uma resposta biológica.
Apoio a 100% do Ventura no sentido de que temos que falar disto.
Temos que pensar porque as nossas cadeias estão cheias de ciganos.
Que políticas de empowerment têm que ser feitas para que isto deixe de acontecer.
Se os ciganos são 0,7% dos portugueses, nas cadeias só pode haver 0,7% de ciganos.
Há algum guarda prisional, juiz, professor ou médico que seja cigano?
É capaz de haver um ou dois que eu não conheço mas teria que haver 0,7%.
 
O "estupor moral" do Ronaldo.
Uma vez mais os esquerdistas indignaram-se com uma frase, desta vez do Dr. Gentil Martins.
Mas será que os esquerdistas se esqueceram que o que o Ronaldo fez é crime em Portugal? E é crime porque os esquerdistas dizem que é "a exploração da mulher pelo homem, a mercantilização da mulher no seu mais puro estado".
Se todas as pessoas acham que fez muito bem, e eu sou uma das pessoas que acham, porque não se permite que isso seja feito em Portugal?
Eu meti uma petição à Assembleia da República (e que deu origem à actual legislação das barrigas de aluguer) a pedir a liberalização do uso dessa tecnologia.
 
As motivações do Gentil Martins são válidas.
Porque é uma questão religiosa.
O Gentil é da velha guarda, um homem temente a Deus e aos ensinamentos da Santa Madre Igreja que dizem que a maternidade é algo divino.
Não é apenas o Gentil Martins que diz isso mas toda a Igreja.
São contra isso e também contra o aborto, o divórcio, a fornicação recreativa e muitas mais coisas.
Se a nossa Constituição diz que temos que respeitar os ciganos, pretos e demais também diz que temos que respeitar as convicções religiosas de cada um.
 
Lembram-se do homem que "se entregou a Deus"?
Em Novembro de 2015 houve uma inundação em Lagoa-Algarve em que morreu um homem. O ministro foi logo lá e disse aquilo em que sempre acreditou "Deus nem sempre é amigo ... entregou-se a Deus e Deus com certeza que lhe reserva um lugar adequado".
Apenas um homem morreu, já com 80 anos, e grelharam o Sr. Ministro Calvão da Silva (mais conhecido por "o padreco") só porque falou em Deus quando deveria ter falado da Portugal Telecom e das folhas de eucalípto que entopem as canalizações.
Um morto e não 64 como nos fogos de Pedrogão Grande!
O Costa é mesmo um artista da propaganda.
 
Agora que estamos em praias, recordo que nós portugueses somos conhecidos por adorarmos a beleza feminina da zona de transição entre as pernas e as costas (apesar de a imagem não parecer paritária, a segunda e a quarta são travestis e a terceira é arraçanada de cigana e vietnamita).
 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

A Ucraniana foi-se e mais coisas

Foi por vontade de Deus.
Disse a minha mãe abaixo dos seus 86 anos e continuou:
"Pior seria se a quisesses mandar embora e ela não nos saísse da porta a chorar e a berrar."
Uma coisa que tenho aprendido na vida é que não existe nada que, por si só, nos faça feliz. Quando olhamos para um carro, um barco, uma bicicleta ou uma mulher e pensamos "aquilo fazia-me feliz", estamo-nos apenas a tentar enganar pois, se tivéssemos aquilo, continuaríamos exactamente no mesmo estado de felicidade em que estamos.
Claro que ela é boa mas vou-vos mostrar o email que recebi esta manhã, depois de eu a tentar ajudar com o acesso a uma base de dados bibliográfica de forma totalmente desinteressada,  para verem o quão é uma pessoa infernal:
"
i told you that i connected to VPN many times, but i cant load article from SCOPUS.com, its preview version, not full access. Am i idiot that cant repeat same as i was doing from residence? i was loading a lot from scopus.com system!!!
How many times i have to repeat that?
Please enough talk about Scopus. In spite of identify problem what can be problem or ask somebody, you repeat the same. If you not able or have no wish to help with that, just say it.
Its ridiculous.
I am tired repeat the same, so please no more about Scopus.
"
O crescimento económico.
É uma regularidade estatística que, ao longo do ciclo económico, os períodos de crise são acompanhados por aumento do desemprego e os períodos de expansão acompanhados por diminuição do desemprego.
Se, por exemplo, a economia contrai 10%, não é por cada um dos trabalhadores ficar 10% menos produtivo mas por haver menos 10% de pessoas a trabalhar.
Serve isto para dizer que, por um lado, nem a crise do tempo do Passos Coelho foi tão grave nem o crescimento pós 2013 é tão bom como os esquerdistas querem fazer crer.
Diria mesmo que nem a estagnação da década 2000/2010 do Socratismo foi tão estagnação como parece à primeira vista.
De facto, o que traduz o "verdadeiro" crescimento económico é quanto cada um de nós é capaz de aumentar na nossa produção individual (a que se chama produtividade) e isso, infelizmente, não está a aumentar.
Em termos numéricos, apesar de não vermos crescimento económico desde 2000, no período 2000-2010 o crescimento da produtividade foi de 1,8%/ano e está a cair desde 2010, -0,7%/ano no governo do Passos e -0,1%/ano nos últimos 5 trimestres do Costa.
Fig. 1 - Evolução da produtividade desde que entramos no Euro (dados INE, cálculos do autor)

Fig. 2 - Evolução da produtividade (detalhe da Fig. 1)
Para termos um crescimento na "tendência" de 2000/2008
Teríamos que crescer em 2017 um valor próximo dos 4,6%
O problema é que nem próximo vamos lá chegar.
Lembram-se do primeiro país da Zona euro a falir, a Irlanda?
Qual foi o crescimento da Irlanda no 1.º Trimestre de 2017?
7,2%
O problema já identificado no Observador (Alberto Gonçalves, Uma experiência do Terceiro Mundo, 8/7/2017) é que o Costa, em presença de um mau resultado (um crescimento poucochinho) ataca com desgraças maiores (o período de ajustamento do Passos Coelho) quando teria que comparar com a tendência de longo prazo.
Mas o homem é um artista (não repito as palavras do Alberto Gonçalves para não sofrer outra suspensão).
O mundo florestal.
Eu Li algures que a floresta portuguesa contribui com 1300 milhões € por ano para o nosso PIB o que representa 0,7% da riqueza criada em Portugal.
Eu até penso que representa menos pois ainda ninguém fez um estudo sobre o valor do "recurso natural" sem incluir o trabalho e a maquinaria utilizada na sua criação e extracção.
Será errado considerar nas contas as exportações da industria papeleira e mesmo da cortiça pois grande parte da matéria prima é importada e as exportações têm valor industrial incorporado.
Vamos imaginar que desistimos como país completamente da exploração da madeira e transformamos a nossa "cultura florestal" em verdadeira floresta não comercial (sem pinheiros nem eucalíptos e com uma grande diversidade de espécies) ou em terrenos de pastoreio com Etíopes como pastores (mandamos vir 10 mil apenas para trabalhar como pastores).
Qual será o prejuízo para o país?
0,7% a menos no PIB.

Alguém mandou as pessoas para aquela estrada, para a morte.
Alguem lembrou-se de cortar a autoestrada e um GNR qualquer desviou o trânsito para aquela estrada.
E as pessoas, vendo o fogo, avançaram pensando "vou conseguir passar".
O problema é que não conseguiram e, agora, está tudo caladinho e assim continuará.

Vamos a isso, esquerdistas que eu apoio!
Penso que não faz sentido ter na mão dos privados 60% do nosso território para produzir 0,7% do PIB.
Vamos lá a uma proposta legislativa para  expropriar todos os terrenos florestais e converte-los em floresta virgem, sujas e desordenadas como a Mãe Natureza gosta para o bem do Ambiente.
Por agora é tudo.
Estou cansado de aturar gajas.
Vou ter que me virar para homens, o problema é que, havendo uma zanga, eles têm a mão pesada.
És lindinho mas tens escoliose
Apócrifo da Silva

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