domingo, 7 de outubro de 2012

Será o "outro caminho" diferente da "austeridade"?

A Retórica.
Dizem os pensadores clássicos nos tratados sobre a Retórica que uma forma de combater as ideias dos adversários é atirar conceitos difusos, confusos e variados. É uma cortina de fumo que se lança no meio da batalha para esconder o que parece impossível de esconder, por exemplo, um carro de combate.
Os comunas, socialistas e demais bacocos do PSD e CDS que são opositores ao governo do Pedro Passos Coelho usam estas técnicas milenares atacando com
 1) O caminho da austeridade não está a funcionar.
 2) É preciso seguir outro caminho, o caminho do crescimento.

Mas será que existe algum fundo de verdade no que dizem?

Neste poste vou mostrar que Portugal não vive em austeridade e que a "política de austeridade" é exactamente o mesmo que "a política do crescimento".
Finalmente, mostrarei que o endividamento externo leva ao empobrecimento.

Num dos mais famosos frente-a-frente da história
Jesus usa figuras de retórica para tentar confundir Pilatos (Jo 18, 33-38).
Primeiro, à pergunta de Pilatos 
 - Que fizeste?
Jesus responde a uma anterior questão:
 - Sou rei ... mas não deste mundo" .
Ora "ser rei" era um conceito conhecido mas que fica confundido com "não deste mundo".
Alguém dizer que era rei à revelia de Roma era um crime de usurpação de funções mas não ser "rei do Carnaval".
Depois, Jesus ataca com um conceito difuso.
- É para dar testemunho da verdade que nasci (Jo 18, 37).
Se tivesse nascido para ser rei, teria nascido para governar. Então, com uma cortina de fumo, desvia-se um pouco mais do crime de se apelidar rei.
Finalmente, acrescenta-lhe confusão semântica
- Tudo o que é da verdade ouve a minha voz (Jo 18, 37). 
O que é que isto quer dizer? Já não tem nada a ver com a discussão (de ser rei) e prende o pensamento de Pilatos.
Que a verdade é feita por partes ("tudo que é" são as diversas componentes da verdade) e ouvem?
Afirmará Jesus a capacidade de alterar a verdade?
A verdade é a opinião das pessoas (as coisas não ouvem)
Quererá dizer que tudo o que disser passa a ser a verdade?
Pilatos, conhecendo a Retórica e tendo já formada a sua convicção, sabe que não mais pode "vencer" o debate.
Contra-ataca perguntando
- Que é a verdade?
E, sem ouvir a resposta (era um diálogo de surdos),  publicou a sentença:
Não acho nele qualquer crime. (Jo 18, 38).

Fig. 1 - Como as pessoas não querem pensar, a confusão favorece quem não tem ideias. Serão pernas? Dedos? A cabeça de um cavalo?


Vamos aos conceitos que estão em discussão
1) O que é a "política de austeridade"?
2) Será que vivemos em "austeridade"?
3) O que é a "política de crescimento"?
4) Será que a "política de crescimento" é uma alternativa à "política de austeridade"?

1) O que é uma política de austeridade?
Uma política é uma estratégia de governação em que existe pelo menos uma alternativa.
Por exemplo, para emagrecer, umas pessoas adoptam a política de comer menos e outras a política de fazer mais exercício físico. Como existem duas opções técnicas, a escolha de uma delas em desfavor da outra é uma decisão política.
Pelo contrário, para pouparmos no consumo de combustível do nosso carro apenas existe a solução técnica de andar mais devagar.


Fig. 2 - Isto é austeridade e da boa.

Austeridade é consumir pouco quando se podia consumir muito.
Austeridade será a política de pouco consumo e muita poupança (seja pública ou privada).
Um pais que esgote todos os seus recursos, sejam eles muitos ou poucos, não tem a opção de gastar mais. Por isso, a política de austeridade não é sinónimo de pobreza.
Há países ricos que vivem em austeridade (gastando menos que as suas possibilidades) e países pobres que vivem na moleza (gastando mais que as suas possibilidades).

2) Será que em Portugal vivemos em austeridade?
Em termos macroeconómicos, O PIB pode ser dividido em três parcelas:

    Parcela 1 - Depreciação do capital;
    Parcela 2 - Consumo;
    Parcela 3 - Poupança.

Se for verdade que em Portugal vivemos sobe uma política de austeridade então, o consumo será pequeno e cada vez menor e a poupança será elevada e cada vez maior.
Mas, por incrível que pareça, nunca o consumo foi tão grande e, consequentemente, nunca a nossa poupança líquida foi tão pequena.
Se pegarmos na taxa de poupança interna bruta, retirarmos a depreciação do capital e somarmos os gastos em educação obtemos a poupança líquida que, no período 1970/2010, foi de 7.5% do PIB.
Em 1998, a nossa poupança líquida começou a diminuir rapidamente (e o consumo a aumentar) tendo passado a negativo em 2008 (ver, Fig. 3).

Fig. 3 - Taxa de poupança líquida em Portugal, somando a despesa em educação (dados: Banco Mundial)

Então, em Portugal não estamos em austeridade pois consumimos tudo o que produzimos e mais qualquer coisa, não havendo possibilidade de consumir mais porque não há produção.
Vejamos a Alemanha.
Como, alegadamente, na Alemanha não existe austeridade então, a poupança terá que ser ainda menor que em Portugal.
Por incrível que pareça, a taxa de poupança líquida na Alemanha é de 14% do PIB, maior que no ano de entrada no Euro e é quase o dobro do que conseguimos nos anos 1970/2008 (ver, Fig. 4).

Fig. 4 - Taxa de poupança líquida em Alemanha, somando a despesa em educação (dados: Banco Mundial)

Vejamos um país pobre: a China.
Mas há quem diga que a poupança na Alemanha é maior que em Portugal porque é um país mais rico. Vou então observar o que se tem passado na China que, em 1970,  era um dos países mais pobres do mundo (tinha um PIBpc que era 0.70 do da Guiné-Bissau e hoje tem um PIBpc 17 vezes o PIBpc dessa nossa antiga pobre colónia).
Por incrível que pareça, a China vive em grande austeridade pois apenas consome 50% do que produz e em 1970 a poupança chinesa era ligeiramente maior que a Alemanha (ver, Fig. 5).

Fig. 5 - Taxa de poupança líquida da China, somando a despesa em educação (dados: Banco Mundial)

Em Portugal não há austeridade porque consumimos tudo o que produzimos (a poupança líquida é mesmo negativa).


3) O que é a "politica de crescimento"?
Os três principais factores que causam crescimento económico são

F1) o trabalho.
Se mais pessoas trabalharem ou se as mesmas pessoas trabalharem mais horas, haverá mais produção. A evidencia empírica indica um crescimento proporcional: um aumento de 1% no número de horas trabalhadas leva a um aumento de 1% no PIB.

F2) o capital.
O capital (terrenos agrícolas, máquinas, instalações fabrís, veículos de transporte, infra-estruturas, educação, saber-fazer, etc.) são um factor importantíssimo na capacidade de produção de um país. A principal causa para a diferença de riqueza dos países resulta das diferenças na dotação de capital.
Como para um país se tornar mais produtivo tem que haver um aumento do capital, isso obriga a investimento.

F3) inovação tecnológica.
É o crescimento residual que fica quando retiramos o crescimento da população (pressupondo a estabilidade do horário de trabalho) e o crescimento induzido pelo investimento (aumento de capital).

Mas, para haver investimento é necessário haver poupança.
Então, a "política de crescimento" obriga a uma "política de austeridade" para que o consumo diminua e a poupança aumente.
Pode-se concluir que a "política de austeridade" é exactamente igual à "política de crescimento".
São as duas faces da mesma moeda.

Mas os comunas dizem que não.
Dizem que a poupança (que é a política de austeridade) implica a redução do consumo o que reduz as vendas das lojas, cafés e restaurantes o que leva ao desemprego e à recessão que leva a maior redução do consumo, queda dos impostos, aumento do défice, colapso da economia.
Mau. Então no que ficamos?

A austeridade (poupança) leva à recessão ou é exactamente a política de crescimento?
Vou ter que avaliar estas duas teorias usando dados disponibilizados pelo Banco Mundial.
Se for verdade o que eu digo (que a austeridade é a política de crescimento) haverá uma relação positiva entre o crescimento do PIBpc e a taxa de poupança dos países.
H1) Os países que poupam mais, crescem mais.

Se for verdade o que os comunas dizem (que a austeridade é um erro e que é preciso um outro caminho, a política de crescimento) haverá uma relação negativa entre o crescimento do PIBpc e a taxa de poupança dos países.
H2) Os países que poupam mais, crescem menos.

Pegando nos dados do Banco Mundial subtraí à taxa de crescimento  PIB  a taxa de crescimento da população.
Depois, subtrai a depreciação do capital à poupança bruta e somei-lhe a despesa em educação. Calculei a média destes valores para o período 2000/2011 (há países que têm menos anos disponíveis). Estão na amostra os países que acumulam 97.6% da população e 98.3% do PIB mundiais.
Calculando o coeficiente de correlação linear ponderado (o ponderador é a população total), observo uma correlação muito elevada e positiva (0.78).
Quando num país a poupança líquida é maior em 5% do PIB, o crescimento económico do PIBpc é maior em 1.0%/ano.
Quando não existe aumento do capital, o progresso tecnológico leva a um crescimento médio do PIBpc de 1.2%/ano.

Fig. 6 - A relação entre a taxa de poupança líquida e o crescimento do PIB é positiva (dados: Banco Mundial). Perdem os comunas.

Usando as estimativas da Fig.4, para Portugal aspirar voltar a crescer entre 2.5%/ano e 3.0/ano, terá que voltar a ter uma poupança líquida na casa dos 7.5% do PIB o que implica que as famílias poupem mais cerca de 10% do seu rendimento (porque o rendimento disponível é cerca de 75% do PIB).
Temos que passar de uma taxa bruta de poupança de 14% do PIB para 24% do PIB como tínhamos nos anos 1970. E as pessoas viviam com muito mais dificuldades financeiras que nós vivemos agora.

E será que esta relação também se observa ao longo do tempo em Portugal?
Em termos de valores, observam números diferentes mas a relação também é positiva:
Menos consumo (austeridade) leva a mais poupança e a mais crescimento económico (ver, Fig. 7).

Fig. 7 - A relação entre a taxa de poupança líquida e o crescimento do PIB é positiva (dados: Banco Mundial, Portugal)

4)  A política de austeridade é exactamente a política de crescimento.
Afinal, a "política de austeridade" leva ao crescimento e a "política de crescimento" nasce da austeridade (poupança).
O "outro caminho" dos comunas é o mesmo caminho do Passos Coelho.

Country NamePoup. LiqCresc.PIBCresc.PopCresc.pc
China38,6310,220,599,63
India22,397,131,515,62
Canada15,342,211,021,19
Germany12,631,31-0,041,34
Brazil11,713,621,122,50
France11,401,380,650,73
Italy9,800,670,550,12
United Kingdom8,011,850,541,30
Japan7,870,780,080,70
United States6,611,800,920,88
Portugal2,800,730,370,36

Quadro 1 - Comparação entre Portugal e as 10 maiores economias do Mundo (51% da população e 77% do PIB mundiais, dados: Banco Mundial)

Já só falta o endividamento externo.
Os comunas têm implícito que não será preciso pouparmos (a tal politica de austeridade) para investir e crescer porque os estrangeiros nos vão emprestar dinheiro (que depois não pagamos e eles ficam a tremer das pernas).
Então, vou ter que avaliar se
H1) os países que emprestam dinheiro aos estrangeiro crescem mais (que é a minha fezada) ou
H2) os que se endividam face ao estrangeiro crescem mais (que é o que afirmam os comunas).

Vou ao Banco Mundial buscar o Défice Corrente em termos de percentagem do PIB (que quantifica quanto dinheiro um país empresta/pede emprestado ao estrangeiro).
Se eu tiver razão, a relação será positiva (os que emprestam mais têm mais crescimento).
Se os comunas tiverem razão, a relação será negativa (os que se endividam mais crescem mais).

Fig. 8 - A relação entre a Balança corrente e o crescimento do PIB é positiva (dados: Banco Mundial). Perdem os comunas.

Temos que concluir que
O endividamento externo leva ao empobrecimento do país.
Um país que em média se tenha endividado 5% do PIB, cresceu menos 1% por ano.
Apesar de no imediato o endividamento externo melhorar o nível de vida das pessoas, como mais tarde é preciso pagar as dívidas mais os juros, a queda do nível de vida será maior (na parte dos juros).
Além do mais, o endividamento externo leva ao relaxamento das pessoas o que leva à destruição do sector produtivo dos bens transaccionáveis (que passam a ser importados) em favor dos não transaccionáveis.


Fig. 9 - Para o meu leitor devoto de Deus, se fosse garantido que o Céu tinha destes anjos, eu virava-me para a oração.

Acabei agora mesmo de receber informações confidenciais do Conselho de Ministros Extraordinário (e saber que o FCP ganhou).
No próximo poste vou explicar a visão que o Portas tem para o nosso país e como isso choca com o Passos Coelho.

A seguir, vou explicar porque a discussão em torno da transferencia da TSU "planeada" para  Portugal e qu vai ser implementada em França por um governo comuna está desviada do seu objectivo primário.
E recordo que, até prova em contrário, fui eu quem teve originalmente a ideia da passagem da TSU dos empregadores para os empregados (no meu livro, Acabou-se a Festa, pp. 19-25, agradeço à minha editora ter colocado este texto on-line).
Quero que isto se saiba para ver se arranjo um tacho, tipo consultor, de uma coisa qualquer.
Tipo "criativo" de asneiradas como o Santana Lopes que recebe 10mil€ por mês da GALP.


Pedro Cosme Costa Vieira

15 comentários:

Hugo C disse...

Caro professor Pedro Cosme,

Gostei muito da sua introdução filosófica, que se prende a meu ver com duas questões fundamentais, a complexidade (e dentro dela a retórica) e a procura da verdade. A política tem por base a retórica, aliás no limite, excluindo factos físicos, tudo é retórica, podendo esta transformar (aparentemente ou não) a verdade em mentira e vice-versa. Descartes, no seu livro Meditações Metafisicas escrito no final da sua vida, põe em questão aliás se tudo o que vivemos não é uma ilusão, um engano ou um sonho, e portanto Tudo seria uma espécie de retórica. Assim, o Homem tem vindo a aprender que a arte de argumentar passa a ser o "instrumento" mais valioso que se pode ter, e desta forma, a maior parte da sociedade, tende a limar as capacidades de argumentação, forçando-se inclusive a negligenciar a verdade, uma vez que na nossa sociedade esta surge como uma espécie de travão (a verdade não favorece o desenvolvimento como o conhecemos??). Estou em crer que se a nossa sociedade se construísse com base na procura de verdade, evoluiria de forma muito mais lenta, mas possivelmente mais sustentável. Mas a retórica venceu, e venceu em praticamente em todos os campos, mesmo em economia, de onde se destaca por exemplo a disciplina do Marketing. Não quero dizer com isto que a economia não tem ferramentas validas para trabalhar a "verdade", mas a matéria com que trabalha "os dados", são a meu ver argumentos, retórica proveniente das diversas fontes do Poder, dos vários interesses/forças. É aqui que reside a fraqueza da economia, é uma ciência pelo seu método, mas trabalha sobre argumentos disfarçados de verdade, e não sobre verdade que pode ser isolada e comprovada.(como o pode fazer por exemplo a física). Com isto queria concluir, de forma um pouco abrupta porque haveria muito mais a dizer, que sendo a economia uma forma de retórica (e é preciso assumir isso para se ter mais verdade em economia), a preocupação dos economistas deve neste momento visar o bem estar da população, e austeridade parece-me algo que todos teremos tempo de provar mais cedo ou mais tarde como o exigem as guerras convencionais. Mas não estamos em guerra pois não?? Simplesmente Portugal não tem mais margem para austeridade sem que esta não produza um sentimento de guerra (e se de facto se vive uma guerra económica/retórica, nunca se teve memória de um país que aniquilasse o próprio exercito). E é aqui que se pode e deve começar a pensar. Mas claro tudo isto que digo é retórica, é uma nuvem de conceitos abstractos...como o mundo?? :-) (cada um cria o seu mundo imaginado, mas apenas quem tem poder impõe o seu imaginário ao mundo) Um abraço.

Diogo disse...

«Mas, para haver investimento é necessário haver poupança.»

Falso! Mil vezes falso!

Em 1930 os Estados Unidos não tinham falta de capacidade industrial, propriedades rurais férteis, trabalhadores experientes e determinados e famílias laboriosas. Tinham um amplo e eficiente sistema de transportes ferroviários, redes de estradas, e canais e rotas marítimas. As comunicações entre regiões e localidades eram as melhores do mundo, utilizando telefone, teletipo, rádio e um sistema de correios governamental perfeitamente operacional.

Nenhuma guerra destruiu as cidades do interior, nenhuma epidemia dizimou, nem nenhuma fome se aproximou do campo. Só faltava uma coisa aos Estados Unidos da América em 1930: Uma adequada disponibilidade de moeda para negociar e para o comércio.

No princípio dos anos 30 do século XX, os banqueiros, a única fonte de dinheiro novo e crédito, recusaram deliberadamente empréstimos às indústrias, às lojas e às propriedades rurais. Contudo, eram exigidos os pagamentos dos empréstimos existentes, e o dinheiro desapareceu rapidamente de circulação. As mercadorias estavam disponíveis para serem transaccionadas, os empregos à espera para serem criados, mas a falta de dinheiro paralisou a nação.

Com este simples estratagema a América foi colocada em "depressão" e os banqueiros apropriaram-se de centenas e centenas de propriedades rurais, casas e propriedades comerciais. Foi dito às pessoas, "os tempos estão difíceis" e "o dinheiro é pouco". Não compreendendo o sistema, as pessoas foram cruelmente roubadas dos seus ganhos, das suas poupanças e das suas propriedades.

A Segunda Guerra Mundial acabou com a "Depressão". Os mesmos banqueiros que no início dos anos trinta não faziam empréstimos em tempos de paz para a compra de casas, comida e roupas, de repente tinham biliões ilimitados para emprestar para aquartelamentos militares, rações de combate e uniformes.

Uma nação que em 1934 não conseguia produzir alimentos para venda, repentinamente podia produzir milhões de bombas para enviar para a Alemanha e para o Japão.

Com o súbito aumento da quantidade de dinheiro, as pessoas eram contratadas, as propriedades rurais vendiam os seus produtos, as fábricas começaram a funcionar em dois turnos, as minas foram reabertas, e "A Grande Depressão" acabou!

Alguns políticos foram considerados culpados pela depressão e outros ficaram com os méritos por ter acabado com ela. A verdade é que a falta de dinheiro causada pelos bancos trouxe a depressão, e a quantidade adequada de dinheiro acabou com ela. Nunca foi dito às pessoas a simples verdade de que os banqueiros que controlam o nosso dinheiro e crédito usaram esse controlo para saquear a América e colocá-los a todos na escravidão.

Filipe Silva disse...

Primeiro excelente poste, conseguiu demonstrar de forma empírica o que já venho dizendo há bastante tempo (e o que a escola Austríaca defende), os meus parabéns.
Uma pergunta quando no seu circulo social exprime as suas opiniões não é visto com "maus" olhos, é que quando digo que austeridade não existe geralmente dá problemas :)


Muita confusão vai na cabeça do Caro Diogo.

A razão pode ler neste excelente artigo de Hans F.Sennholz sobre a grande depressão a ver se fica mais elucidado

Diogo disse...

Caro Filipe,

Não sei o que será maior. Se a minha confusão ou a sua ignorância. Milton Friedman corrobora o que eu afirmei acima.


Milton Friedman:

«Nunca tive conhecimento de nenhuma depressão económica séria em qualquer país, que não tenha sido acompanhada por um acentuado declínio da quantidade de dinheiro em circulação, e, de igual modo, nunca tive conhecimento de nenhum declínio acentuado de dinheiro em circulação que não tenha sido acompanhado por uma depressão económica séria.»

Diogo disse...

Vejo que o autor deste blogue escreveu o livro «Acabou-se a Festa».

E o que todos os portugueses veem é um bacanal entre banqueiros, governantes, legisladores, deputados, CEO’s e acionistas de grandes empresas que dependem de negócios com o Estado, etc.

Para esses a Festa não Acabou, evoluiu par um nível ainda mais pornográfico.

Gonçalo disse...

Caro Pedro,

A política de austeridade, é a política governamental que procura reduzir a despesa pública (fonte: infopédia).
Isso não implica necessariamente pouco consumo e muita poupança.

Se há crescimento económico então tanto a poupança como o consumo aumentam.
Numa recessão a tendência é a de a poupança aumentar e o consumo diminuir.

O seu F1) pode levar à conclusão que +trabalho significa +riqueza, no entanto lembro-me do seu exemplo dos comboios empurrados por uma multidão humana.

Para haver investimento é preciso poupança, mas não só. É preciso que haja quem converta essa poupança em capital.
Também não é preciso que a poupança seja interna. Pode-se investir com dinheiro estrangeiro.

Não havendo poupança "suficiente" temos de criar condições para que sejam os estrangeiros a investir, para termos mais empresas como a Auto-Europa.
A China cresceu por causa do investimento estrangeiro, não pelas poupanças que tinha acumulado antes de se abrir ao capitalismo.

Não concordo com a sua conclusão final:
é verdade que temos de pagar as dívidas mais os juros, mas está a ignorar o crescimento impulsionado pela dívida.
Aliás, quem vai a um banco e pede crédito para montar uma empresa é porque espera ter lucro capaz de pagar a dívida e o seu juro.

Para finalizar, anda agora o FMI a alertar a UE para aliviar a austeridade.





Diogo disse...

Caro Gonçalo,

Para haver investimento é necessário que os bancos injectem dinheiro no sistema.

Relembro aqui um excerto do meu comentário no post anterior:

O livro - Política Monetária e Mercados Financeiros - sintetiza a experiência de ensino ao longo dos últimos dez anos, dos autores Emanuel Reis Leão, Sérgio Chilra Lagoa e Pedro Reis Leão, na área da economia monetária e financeira:


A criação de massa monetária.

Concessão de crédito por um banco cria nova moeda na economia.

Em suma

Um banco concede crédito a uma família no valor de 100.000€ para a compra de uma casa, creditando a conta de depósitos à ordem dessa família no montante de 100.000€.

Para essa operação, um funcionário do banco altera os números que estão registados informaticamente na conta à ordem da família, somando 100.000€ ao valor que lá se encontrava anteriormente.

Esse dinheiro não existia antes em lado nenhum. O banco cria-o a partir do nada digitando essa quantia no teclado de um computador.

Como resultado desta «operação de crédito», passam a existir na economia mais 100.000€ de depósitos à ordem. Uma vez que os depósitos à ordem fazem parte da massa monetária, a operação de crédito fez aumentar o stock de moeda existente na economia.

Ao fim de 30 anos, a uma taxa de juro de 5%, a família pagou ao banco um total de cerca de 193.000€, dos quais 93.000€ são juros.

Resumindo, o banco inventou 100.000€ que emprestou com juros a uma família, e esta, ao fim de 30 anos, entrega os 100.000€ inventados pelo banco mais 93.000€ em juros, estes bem reais. A família foi espoliada pelo banco em 93.000€ de juros sobre um capital que o banco inventou e lhe «emprestou».

Esta fraude sem nome acontece quotidianamente em todos os empréstimos dos bancos comerciais às famílias, às empresas e ao Estado. Haverá roubo maior na história da civilização?


Continuo confuso, caro Filipe?

Gonçalo disse...

Caro Diogo,

Já tinha respondido a esse comentário, que pelos vistos não leu.

Para haver investimento não é preciso os bancos injectarem dinheiro no sistema ( já agora, fala de bancos centrais, comerciais ou de investimento?).

Ainda recentemente podemos ver empresas como a EDP e PT a recorrerem à emissão de obrigações junto da população.

Outra forma de financiamento é a emissão de acções.

Helder disse...

Filipe, esse disparate é quase criminoso.

Os empréstimos bancários são feitos de acordo com a quantidade de dinheiro que os demais agentes económicos têm lá depositado. Esse dinheiro em depósito (que deixa de fazer parte da massa monetária em circulação) constitui a reserva legal do banco, sendo cerca de 20% do que o banco pode emprestar, sendo uma das regras definidas pelos bancos centrais. Nada é feito discriminadamente, não faria sentido e colocaria em risco o próprio banco.

Naturalmente que a quantidade de dinheiro emprestada pelos bancos aumenta, mas tal será de acordo com a taxa de juro empregue pelo banco central, que define a massa monetária em circulação, a qual regula indirectamente a quantidade de dinheiro depositada, que, por sua vez, define o máximo de dinheiro que um banco pode emprestar. Sendo um máximo, tem de haver um limite, como se pode constatar, portanto a quantidade de dinheira emprestada tende sempre para um limite, de acordo com a tx de juro imposta pelo BCE. Há também uma noção de estabilidade no rácio de empréstimos feitos/empréstimos liquidados, pois obviamente à medida que uns terminam, outros começam...

Aqui tens uma pág para te reeducares: http://en.wikipedia.org/wiki/Fractional-reserve_banking

Diogo disse...

Caro Gonçalo,

Gonçalo - Quando o banco empresta 1000000 euros o dinheiro existe, não é "inventado" pelo banco. Não existe é em forma de moeda e notas. Muitas pessoas pensam que os bancos criam moeda do nada.

Diogo - Caro Gonçalo, essas pessoas têm toda a razão. Como descrito no livro - Política Monetária e Mercados Financeiros - um banco concede crédito a uma família (ou empresa) creditando a conta de depósitos à ordem dessa família. Para essa operação, um funcionário do banco altera os números que estão registados informaticamente na conta à ordem da família, somando o valor do empréstimo ao valor que lá se encontrava anteriormente. Esse dinheiro não existia antes em lado nenhum. O banco cria-o a partir do nada digitando essa quantia no teclado de um computador.


Gonçalo - O que acontece é que a as notas e moedas que temos no bolso, todas somadas, não chegam nem de perto nem de longe ao valor da riqueza produzida. Não existem 189 mil milhões de euros nos bolsos de todos os portugueses!!!! Mas é esse o nosso PIB.

Diogo - Não confunda PIB com massa monetária nem cash com bits.


Gonçalo - Se os bancos se pusessem a inventar dinheiro, e ninguém plantasse nem pescasse nem fabricasse nem construísse nem vendesse, o que aconteceria?

Diogo - Quando os bancos criam dinheiro criam dinheiro a partir do nada e o emprestam com juros, as pessoas estão convencidas de que esse dinheiro é real. Assim sendo, aceitam-no e utilizam-no para comprar e para investir e desenvolver a economia.


Gonçalo - Quando uma família vai a um banco e acorda um empréstimo, é espoliada porquê????

Diogo - Porque está a pagar juros de dinheiro que foi criado a partir do nada. Esse «dinheiro» desaparece assim que a dívida for paga.


Gonçalo - Ou concorda ou não concorda com os juros, é uma decisão que cabe à família fazer. Afinal, o benefício de consumo não é do banco.
Quando compro uma casa, e vou a um banco porque não tenho dinheiro que chegue, o banco empresta-me desde que eu garanta capacidade para reembolsar. Essa capacidade tem um risco, posso ficar doente ou até morrer e é esse risco que pago em forma de juro.

Diogo - Se você não conseguir reembolsar o banco, este não perde nada porque, no fim de contas, não lhe emprestou nada. O banco deixa é de receber os juros que contava embolsar.


Gonçalo - Mais a mais, ao pagar a 30 anos o banco tem de cobrar um juro que cubra pelo menos a inflação: 100000 euros daqui a 30 anos não compram o que conseguem comprar hoje.
Também posso comprar um apartamento por 100000 e vender por 120000 no mês seguinte.
Mas, se o Diogo não quiser contribuir para o que acha o maior roubo da civilização, vá poupando todos os meses até conseguir pagar 100000 a pronto.

Diogo - Eu não me importaria que existissem bancos comerciais privados que apenas pudessem emprestar a um juro superior o dinheiro que os depositantes lá tivessem a render a um juro inferior.
Outra forma, seria um único banco público que emprestaria dinheiro a uma taxa baixa definida pelo governo.
Mas nada de criação de dinheiro a partir do nada.

Gonçalo disse...

Caro Diogo,

Quando o banco concede crédito, ele não pode ultrapassar 90% do que lá tem depositado ( considerando que as reservas são 10%), pelo que a "criação" de dinheiro não pode ser infinita, nem pode partir do "nada".
O limite de crédito que um banco pode conceder depende das reservas.

Temos de diferenciar um sistema a arrancar, e um sistema em estado estacionário.

Os bancos operam já à bastante tempo, e estão no estado estacionário onde o que acontece é que neste caso o tecto dos 90% já foi atingido. Deste modo, o que podem emprestar em cada ano é o montante que lhes foi reembolsado mais os novos depósitos.

Deste modo, quando se paga ao banco esse dinheiro não "desaparece", longe disso. Esse dinheiro torna-se parte do montante disponível que um banco tem para fornecer crédito.

Sendo que somos nós quase todos que temos dinheiro no banco, se de repente todos os que contraíram crédito deixarem de pagar, o banco vai à falência. É isso que significa " o banco não perde nada"?
Não só o banco vai à falência, como quase todos os que lá tinham dinheiro ficam a sem ele.


Diogo disse...

Caro Gonçalo:

Gonçalo - Quando o banco concede crédito, ele não pode ultrapassar 90% do que lá tem depositado ( considerando que as reservas são 10%), pelo que a "criação" de dinheiro não pode ser infinita, nem pode partir do "nada".
O limite de crédito que um banco pode conceder depende das reservas.

Diogo - Supondo que as reservas obrigatórias são de 10%, o banco tem autorização de criar a partir do nada 90% de todos os seus empréstimos.


Gonçalo - Temos de diferenciar um sistema a arrancar, e um sistema em estado estacionário. Os bancos operam já à bastante tempo, e estão no estado estacionário onde o que acontece é que neste caso o tecto dos 90% já foi atingido. Deste modo, o que podem emprestar em cada ano é o montante que lhes foi reembolsado mais os novos depósitos.

Diogo - Falso! Os bancos podem criar a partir do nada 90% de todos os seus empréstimos. Se precisarem de reservas, podem pedi-las emprestadas ao BCE ou a outros bancos.


Gonçalo - Deste modo, quando se paga ao banco esse dinheiro não "desaparece", longe disso. Esse dinheiro torna-se parte do montante disponível que um banco tem para fornecer crédito.

Diogo - Falso! Informe-se melhor.


Gonçalo - Sendo que somos nós quase todos que temos dinheiro no banco, se de repente todos os que contraíram crédito deixarem de pagar, o banco vai à falência. É isso que significa " o banco não perde nada"? Não só o banco vai à falência, como quase todos os que lá tinham dinheiro ficam a sem ele.

Diogo - O banco não vai à falência! Porque o dinheiro que emprestou é quase todo criado a partir do nada e ainda tem os depósitos a prazo para fazer face ao que for necessário.

André Prata disse...

Diga-me, professor,

Se, nas Figuras 6 e 8, excluírmos as 10% piores e 10% melhores poupanças, o que acontece à correlação?

Económico-Financeiro disse...

Estimado André,
Excluindo os países extremos que somam 10% da população (seja no crescimento seja na poupança) é excluir a China(onde vive 20% da população mundial).
Em termos de poupança, continua a haver um efeito positivo (menor) e e termos de balança corrente, o efeito passa a zero.
Mas não existe nenhum razão plausível para justificar a exclusão da China da análise porque é uma economia semelhante às outra (os preços e as quantidades são determinados no mercado)e as metodologias estatísticas são as mesmas (e por isso, faz parte da OMC desde 11Dez2001).
Por haver iferenças significativas de metodologia, o BM não disponibiliza dados sobre inflação e PIB de países onde os preços são administrativos (URSS, RDA, Cuba, etc.).
pc

RIC disse...

caro sr pedro tenho lido alguns dos seus artigos com toda a atençao e reparo que aos meus olhos os seus argumentos sao bastante crediveis e da forma como escreve presumo que seja um seguidor da escola austriaca(estou errado?)porque de forma mais popular o que deeprendo é que defende a velha maxima "quem nao tem dinheiro nao tem vicios", porem , e inspirado no tirulo da sua obra que nao li o que me intriga nao é que a festa tenha acabado ,isso e evidente mas é:-PORQUE COMEÇOU A FESTA??!! .supostamente os mercados sao eficientes ,se o sao estavam doidos com o credito que nos concederam ate a crise do subprime?? gostaria que me podesse esclarecer .muito obrigado e parabens pelo blog

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