quarta-feira, 22 de abril de 2015

O PEC 5

O PEC5 é um trabalho desonesto.

Os autores, Mário Centeno (coordenador) Fernando Rocha Andrade, Sérgio Ávila, Manuel Caldeira Cabral, Vítor Escária, Elisa Ferreira, João Galamba, João Leão, João Nuno Mendes, Francisca Guedes de Oliveira, Paulo Trigo Pereira e José António Vieira da Silva, apresentam um texto que é desonesto na análise e um conto de crianças no impacto orçamental e no crescimento do PIB das politicas propostas.

Não passa de um PEC5.
Não passa do retomar da narrativa do PEC 4 em que o Sócrates se dizia capaz, sem qualquer austeridade, de diminuir o défice de 11,2% do PIB em 2010 para 1% em 2014. Seria capaz de uma consolidação orçamental de 2,55 pp por ano.
Agora até não são nada ambiciosos, vão reduzir o défice de 3,2% do PIB em 2015 para 0,9% em 2019 (0,4 pp por ano).
Como podem estas cabeça de vento dizer que o Passos "consolidou de mais" se o Sócrates se propunha consolidar 2,55 pp/ano e era totalmente possível e, agora que o Passos "só" consolidou 2,00 pp por ano (aceitando 1ue em 2015 o défice será de 3,2% do PIB) já é demais?
Os iluminados propõe-se consolidar 2,3 pp (ver, Fig. 1) e acham isso um grande feito mas o Passos ter consolidado 8 pp foram só "políticas erradas".
2,3 pp, até o Varofaquis era capaz de fazer melhor.
Além disso, o Passos consolidou 12 pp nas contas externas.
O PEC5 além de ser menos ambicioso que o PEC 4, também mudaram a causa da crise. Em 2010 a culpa era "da crise internacional" e agora é "das políticas erradas do governo de Passos Coelho". 

Fig. 1 - Comparação entre o conseguido pelo Passos Coelho (azul), o PEC4 e o PEC5 (vermelho tracejado).

As exportações (p.15).
Em termos de média semestral, em meados de 2008 o nível das exportações atingiu um máximo de 3265 milhões € por mês (normalizemos como 100%). Depois, motivado pela Crise-do-sub-prime, no prazo de 10 meses, as exportações caíram 30% para 2310  milhões € por mês.
Os autores fazem uma especulação sobre a razão desta crise mas sem qualquer fundamento. Esta quebra aconteceu um pouco por tudo o Mundo.
Em 2011, no fim do mandato do Sócrates, as exportações voltaram ao nível de 2008 mas no tempo do Passos Coelho, com a economia a contrair 6,7%, as exportações aumentaram 25% para os actuais 4060 milhões € por mês, 25% acima do máximo do socratismo e 75% acima do mínimo de 2009.

Fig. 2 - Evolução das exportações (a azul) e média móvel (a castanho)

Serão as exportações sustentáveis?
Aqui é que está uma tentativa para aldrabar as pessoas: "Tudo indica que os aumentos registados de exportações de bens e serviços não correspondam a uma evolução sustentada, visto que se registam taxas cada vez menores para o seu crescimento." (p.15)

Imaginem um jovem que mede 1,00m, começa a crescer rapidamente e, quando atinge 1,80 m, para de crescer. Será que podemos dizer que a altura não é sustentável porque ele parou de crescer?
Será que, porque ele parou de crescer fica logo certo que ele vai voltar a medir 1,00 m?
É isto que estes aldrabões estão a dizer. As exportações estão nos 4060 milhões € por mês mas vão cair porque as taxas de crescimento estão a diminuir.

Mas depois, na p.39.
No enquadramento macroeconómico, dizem que nos próximos 4 anos as exportações vão aumentar 25%.
Mas no que ficamos? Crescem ou não crescem?
Concerteza que as exportações não vão crescer 25%, 6%/ano. Olhando para a Fig. 2, é evidente que as exportações estão no último ano a crescer a uma velocidade na ordem dos 1,3%/ano e não será previsível termos valores muito superiores a este.

É a famosa "folha de cálculo do Gasparzinho". 
Estes aldrabões tanto poderiam dizer que as exportações vão crescer 6%/ano como que vão crescer 60% por anos, não passam de valores numa folha de cálculo.
E lembram-se do que estes esquerdistas diziam da folha de cálculo do Gasparzinho?
Pois meteram-na na p. 95.

O mercado de trabalho (p. 20).
"No que respeita à evolução do mercado de trabalho, verificou-se uma forte quebra do emprego entre 2011 e 2013"
Isto é totalmente desonesto porque omitem o período 2008-2011 (Sócrates) onde se verificou a maior parte da queda no emprego tendo sido mais do dobro do que se verificou no período  do Passos Coelho.
No segundo trimestre de 2008 atingiu-se o máximo de emprego com 5149 mil pessoas empregadas. Quando o Passos Coelho tomou posse, no segundo trimestre de 2011, o nível de emprego estava em 4788 mil empregos. Entre 2008 e 2011, o Sócrates, mesmo com endividamento massivo do Estado e do país face ao exterior, ambos os défices acima dos 11% do PIB, "destruiu" 9710 empregos por mês que omitem.
Não dão importância nenhuma ao facto de, entre 2008 e 2011, o Sócrates ter "destruído" 9710 empregos por mês mas já é um crime contra a humanidade o Passos Coelho ter "destruído" 4500 empregos por mês, menos de metade da velocidade a que o Sócrates "destruiu" empregos (ver, Fig. 2 onde a área a verde traduz a boa prestação do Passos Coelho relativamente à tendência que "herdou" da "política de crescimento e emprego" do Sócrates).

Fig. 2 - Evolução do emprego em Portugal comparando-se o governo de Sócrates com o de Passos Coelho (dados: INE)

Todas as medidas aumentam a despesa pública mas
na folha de cálculo da p. 95, a despesa pública diminui de 48,6% do PIB em 2014 para 43,1 do PIB em 2019! Conseguem diminuir a despesa pública aumentando a despesa pública.
Isto é um milagre, estes gajos têm que ser canonizados, que isto é um milagre nunca visto, muito mais difícil do que curar 100 paralícos.

Mas vejamos algumas medidas graves.

4.1 => Aumentar a rigidez do mercado de trabalho e a tributação das empresas  (p.31)
=> Fim dos contratos de trabalho a prazo (reduzidos à substituição temporária de trabalhadores efectivos)
=> Acabar com o Despedimento Colectivo (passará a haver um "regime conciliatório" em que a indemnização passa a 18 dias por ano de trabalho).
=> Vão acabar com o Subsídio de Desemprego e criar o Seguro de Desemprego (isto não será inconstitucional?).
=> São os empregadores que pagam para o Seguro de Emprego e quem despedir verá o prémio do seguro aumentado (como quando temos acidentes com o nosso carro).
Dizem que isto se vai traduzir num aumento da carga fiscal das empresas em 100 milhões € por ano (P. 34).
Os patrões que paguem a crise.

Vão criar 300 mil postos de trabalho!
Em 2005, o Sócrates contentou-se em prometer criar 150 mil postos de trabalho mas estes não vão com pequenos números. Têm um sonho que é o dobro do sonho, nunca concretizado, do sócrates: criar 300 mil postos de trabalho (p. 95, na linha do aumento do emprego em taxas).
Aumentar o número de empregos em 6,4% atendendo à normal destruição de emprego, vai ser preciso criar pelo menos 300 mil empregos, 75 mil por ano.
E como é que vão fazer isto aumentando a rigidez do mercado de trabalho?

Fig. 3 - Os "mais 150 mil empregos" transformaram-se em mais 150 mil desemrpegados

Isto está mesmo lá escrito!
Não sei como ainda pode nos dias de hoje haver uma cabeça que pense que proibindo os despedimentos faz aumentar o emprego e diminuir o desemprego. Faz lembrar a minha mãe, totalmente caquéctica da cabeça, que garante que se proibissem o divórcio, haveria muito mais casamentos e acabaria a violência doméstica.
Isto é o maior retrocesso mental que se pode imaginar, equivalente a obrigar as mulheres a ficar em casa para aumentar a natalidade. Tal e qual, a minha mãe e muitas como ela têm a certeza que o que causa a baixa natalidade são os abortos e as mulheres terem emprego.

4.1.4 => Sistema de pensões
É só conversa fiada que se condensa em duas medidas (p. 39):
=> aumentar o número de pessoas que descontam para o sistema
=> diminuir o número de pessoas que recebem pensão do sistema.

Mas isso não são medidas, são sonhos.
Para aumentar o número de contribuintes é preciso desviar os barcos com pretalhada que atravessam o Mediterraneo para o Algarve.
Para diminuir o número de pensionistas é preciso matá-las.
Isto é que seriam medidas não era dizer o resultado que queríamos que acontecesse.

4.1.5 Reposição dos mínimos sociais (P.41).
Isto vai custar muito dinheiro mas dizem que são menos de 100 milhões. Até podiam dizer que eram 50€ pois não juntam qualquer fundamentação nem metodologia de cálculo.

4.1.6 => Mais 790 milhões € de impostos
Chamam-lhe diversificação mas são mais impostos para financiar a SS. Se aumentam as pensões, têm que aumentar os impostos, uma coisa muito simples.
Aumentar o IRC em 240 milhões e por ano
Aumentar o imposto sucessório em 100 milhões € por ano
Aumentar o imposto sobre as transacções financeiras ("rotação excessiva" é isso) em 100 milhões e por ano.
Seguro de Desemprego, mais 100 milhões € por ano a pagar pelos empregadores
E ainda pelo menos 250 milhões € ano caídos do céu.
Só nestas linhinhas são 790 milhões € por ano de aumento de impostos.

De forma alucinada, metem isto juntamente com a redução da TSU!
Mas não tinham dito que os empregadores iriam pagar mais 100 milhões para o Seguro de desemprego?
Como é que vem agora a redução da TSU do empregador?

Já estou cansado de tanta porcaria.
Mas tem ainda aqui uma muito boa: "o relançamento da economia portuguesa. Este relançamento é feito através da dinamização da procura interna e da poupança das famílias."
Mas estas cabeças de vento não saberão que a poupança mais o consumo é igual ao rendimento e que, por isso, não se pode ao mesmos tempo dinamizar o consumo e a poupança?
Não saberão que cada euro a mais de poupança é um euro a menos de consumo?

Isto é muito pior que o Varofakis.
Muito pior que o fardo de palha que o Portas escreveu sobre a "Reforma do Estado".
É mesmo pior que o pior que o Sócrates pensava fazer (ou alguém pensava por ele).
São 95 páginas de lixo, de retrocesso a 1975, ao tempo do PREC.
A única diferença é, como disse o Santos Silva na TVI, "podemos fazer estas coisas sem tirar a gravata, andar de mota nem pegar na mulher ao colo à vista da Acrópole".
Isto é, são capazes de mandar um país à bancarrota usando sempre gravata (e tendo mulheres horríveis).

Mas existem boas notícias.
É que as taxas de juro estão a subir!
Podem os esquerdistas dizer que, voltando em finais de 2015 à governação do nosso país voltam às políticas socráticas mas não vão conseguir pois não vai haver como financiar.

Fig. 4 - Evolução das taxas de juro da dívida pública portuguesa a 10 anos.

Vai-se repetir o que se passa na Grécia.
Nós, dizem desde 2010, vivemos a situação da Grécia com 1 anos de atraso. Em agora mais uma vez, a nossa taxa de juro começou a subir quando a da Grécia começou a subir nos princípios de Setembro de 2014.
Felizmente o Costa vai perder mas, a ganhar, concerteza que seria esse o nosso caminho, seria esse o caminho do crescimento e do emprego.

Fig. 5 - Evolução das taxas de juro da dívida pública grega a 10 anos

Agora falar um bocadinho do problema da Líbia.
Eu resolvia isso facilmente.
A Etiópia tem 100 milhões de habitantes e um PIB per capita (em paridade do poder de compra) de 1500€/ano. Além disso, a população cresce 2,5 milhões de pessoas por ano.
A Libia tem 6,5 milhões de habitantes e um PIB per capita (em paridade do poder de compra) de 11500€/ano (era 16000 em 2008).
Como mataram na Líbia não sei quantos etíopes (cristãos coptas), isso servia de pretexto para financiar a Etiópia a invadir a líbia e dar cabo do canastro aos fulanos de lá.
Metia lá uns 10 milhões de etíopes e a coisa acalmava logo.
Um barco leva 5000 pessoas e faz a viagem em 7 dias entre a Eritreia e a Líbia em 7 dias. Com 20 barcos,  metia 200 mil pessoas por mês na Líbia, 10 milhões em 4 anos.
Depois, em todo o norte de África, entre a Líbia e o Atlântico, os etíopes (cristão) passariam a funcionar como "zonas tampão" entre a Euriopa Ocidental e o islão radical.
E também melhorava a situação no Egipto e na Africa Sub-Sariana (Mali, Niger, Chade e Nigéria).

Fig. 5 - Metia na Líbia 10 milhões de etíopes e aquilo arrefecia logo.

Pedro Cosme Vieira

10 comentários:

Luis Teixeira disse...

Sou Economista e sinto mesmo vergonha por este documento.O irónico disto é que quem coordenou o estudo é, supostamente, "especialista" em Economia do Trabalho. E faz um documento ao arrepio de tudo aquilo que nos ensinam na faculdade. Giro seria saber qual é a dispersão normalizada do modelo VAR utilizado. E também as várias assumpções e funções objectivo. Devem ser todas bem marteladas e cheias de fantasia, cuja aderência à realidade, deve rondar o zero absoluto...Luís Teixeira

Pedro Alexandre disse...

Caro Professor,

Ha uns dia o Costa disse que o PS veio resgatar o país da bancarrota duas vezes, é realmente engracado, só faltou dizer que o país foi à bancarrota em 2011 e que o mesmo sera resgatado uma terceira vez pelo PS em 2015.

O que os esquerdistas ainda nao perceberam é que esse dinheiro que nós tinhamos como o os salarios dos FP, os impostos, ou até a SS era dinheiro emprestado e que agora ninguem nos empresta mais dinheiro.

Agora crias riqueza com o que tens, por isso essas ideias de esquerda de criar uma economia de consumo insustentável e cada vez menos emprego não é possivel porque ninguem nos vai dar um tostao para isso.

Cumps


Portuendes disse...

Os socialistas até podem arriscar ter um discurso mais facilista e mãos-largas ainda: em Portugal há metade (ou menos) que são contribuintes líquidos (portanto, são os que pagam as contas) e o resto vivem (uns mais ou menos) há custa do OE (ou seja, dos contribuintes)... Portanto, a solução de prometer e dar mais reformas e salários à FP é sempre possível enquanto se for aumentando impostos - afinal, os que pagam impostos são menos dos que os que recebem, logo é óbvio que os que recebem não se importam com a subida de impostos!!

O Soberbo disse...

Professor, pode adiantar mais alguma coisa em relação ao impacto económico das suas soluções? Por exemplo, quanto a matar os pensionistas, que método propunha? A bala na nuca parece-me dispendioso, quer no que diz respeito à mão-de-obra (a menos que seja sempre o mesmo carrasco, mas isso contribuirá pesará na rapidez da solução), quer quanto à matéria prima, pois as munições são caras. A câmara de gás requer infraestruturas, e aí caímos no despesismo socialista.
E o desvio de barcos com pretalhada para o Algarve? É tarefa para a marinha ou para um organismo ligado à administração interna?
As melhoras para a sua mãe.

Cris disse...

Caro senhor..... Se o eliminarmos a si já se poupavam uns trocos, não lhe parece? Para mim seria poupança suficiente..... Será que a minha proposta vai ter "aderência ", Sr. Luis Teixeira? Deve ser a ver se cola, não????

Armindo Bento disse...

Qual a sua opinião
E já para finalizar, quando a jornalista lhe pergunta: "Que lhe parece a proposta do presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, de um comboio de alta velocidade Porto-Vigo que passe pelo Sá Carneiro e que ligue com Leixões?", Pires de Lima responde sem titubear: "É a ideia que temos em cima da mesa. Há vários milhões de euros de fundos europeus destinados para isto." Mentira. A última, a maior e a mais gritante de todas as mentiras que contém a entrevista. Porque não há em cima da sua mesa nenhum projeto de alta velocidade. Há uma petição a Bruxelas de 138 milhões de euros para a modernização da linha do Minho, pela terceira vez, e qualquer comum mortal sabe que com 138 milhões apenas se moderniza o Alfa Pendular. Mas até na sua mentira se contradiz a si mesmo, já que afirma estar a trabalhar na alta velocidade, quando, na mesma entrevista, afirma que o Governo renunciou à alta velocidade porque não a considera rentável. E nesses 138 milhões não se contempla nenhuma ligação com Leixões, não se contempla o bypass com o Sá Carneiro e não se contempla o bypass com Braga, terceira cidade do país.

Os portugueses não merecem um ministro que lhes minta. Nem um primeiro-ministro (boa pessoa e honesto, por certo) a quem os seus não obedecem. Asim que cando o Pires de Lima diga que fai sol, melhor apanhem o gardachuvas.

Tiago Mota disse...

Caro professor o seu blog acabou de ser citado por um deputado do ps na RTPi.
De uma forma critica mas vindo de quem vem acredito que é um elogio.

Luis Teixeira disse...

Gosto muito da coerência das pessoas...Se eu "malhar" no programa do PS, é porque sou defensor do PSD...é de rir...Enfim..Basta usar política comparada e ver que em Portugal não há partidos de centro direita ou de Direita.Mas senhor Cris não sei qual o seu problema com a palavra que usei.Mas se acha mesmo que vai conseguir criar mais de 300.000 empregos líquidos em 4 anos, está no seu direito.Não fique é depois desapontado.

Cris disse...

Sr. Luís Teixeira,

o termo correto devia ser "adesão". Era só isso, não pretendia ofendê-lo :)

Desapontada já estou há muito tempo....

Rui Filipe Lucas disse...

"a poupança mais o consumo é igual ao rendimento"... numa economia fechada e sem estado!

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code