domingo, 11 de setembro de 2011

Quanto custará Portugal sair do Euro?

É certo que Portugal vai sair do Euro e voltar ao Escudo.
Sabendo que 2/3 da despesa do Estado são pensões, transferências e salários e, no terço que sobra, 35% são despesas de saúde então, cortar a despesa é "destruir" o Estado Social como o conhecemos.
Cortando a despesa à força toda, já será bom se esta se mantiver ao nível de 2010.
Então, os impostos têm que subir pelo menos 20%: IVA para 30%, TSU para 14% + 28%, etc.
Se aos primeiros anúcios de corte na despesa já toda a gente está a berrar, imaginemos quando começarem a tomar efeito os números que, diz o Gaspar, toda a gente conhece porque estão no Memorando de entendimento com a Troika.
O ajustamento vai ser tão violento que o governo não tem capacidade nem vontade de o fazer.
Onde está o Primeiro Ministro? O ministro da Economia? E todos os outros que eu nem sei que existem?
Só vejo o Gaspar e o da Saúde. Os outros estão assustados e escondidos.

Fig.1 - Descobrimos, os ministros estão aqui.

Como já apresentei nuns cálculos, relativamente a 2010, o Estado tem que emagrecer em em 12.5 mil milhões de Euros que é equivalente a cobrar o "imposto extraordinário" sobre o subsídio de Natal todos os meses do ano. Os particulares também têm que reduzir o consumo noutros 12.5 mil milhões de Euros, o que corresponde a cortar em 1/3 o rendimento disponível (fonte: INE).

Os políticos na "fase terminal"
O nosso governo está a entrar na fase terminal do Sócrates de "não precisamos de pedir ajuda a ninguém porque isso destruirá a nossa reputação. Não, Não, Não, Não, Nunca, Já mais."
Já o Salazar tinha tido a sua fase terminal: "Portugal vai manter o império porque senão desaparece do panorama Mundial, mesmo que o façamos orgulosamente sós".
A monarquei já tinha sido vítima do "temos que lutar com unhas e dentes para manter os territórios históricos de Áfirica, o Mapa Cor de Rosa".
Depois, não foi possível manterem decisões impossíveis de manter e cairam nos descrédito.
O Passos Coelho também está na sua fase final do "não podemos sair da zona euro porque será o descrédito total do país" para quando, daqui a uns meses, termos que sair e o governo cair em total desgraça.

Quanto custará Portugal sair da Zona Euro?
Os especialistas dizem que "sair da Zona Euro tratá um grande prejuizo a Portugal" mas ninguém apresenta um número. Alegam, como justificativo da sua ignorância, que seria um caso único pelo que as repercursõses são imprevisivel mas terriveis.
Então meti-me a investigar este caso e cheguei à conclusão que o custo é ZERO.
Não terá qualquer custo.

Onde fui eu buscar este número?
A ciência não se pode reduzir a estudar os fenómenos do Passado tendo obrigação de se debroçar sobre o que vai acontecer no Futuro. Disse o Einstein que é mais importante a imaginação que o conhecimento porque o conhecimento abarca o que existe ou existiu  enquanto que a imaginação abarca tudo o que vai existir.
Se a humanidade se limitasse a estudar o que já aconteceu, ainda vivíamos em cavernas.
Os "bons" sabem muito sobre o passado mas aqueles que ficarão na História são irremediavalmente aqueles que concentram no futuro. Temos que ter paciência e aceitar menos rigor nos que falam sobre o futuro pois esse é o preço de entrar por caminhos desconhecidos.

Eu peguei em três casos do passado,  a URSS, a Checoslováquia e a Argentina, e generalizei-os.

A URSS
Em 31 de Dezembro de 1991 a Ucrânia e o Kazaquistão abandonaram a Zona Rublo e a Rússia e a Bielorrússia mantiveram-se. Nesse dia, em comparação com 1987, os países da ex-URSS já tinham  perdido pelo menos 40% do PIB havendo estimativas de que as perdas já eram superiores a 50%.
Depois deste dia, a Rússia teve perdas maiores que o Kazaquistão mas todos começaram a recuperar decorridos 4 anos.

Fig. 2 - Comparação entre os países que abandonaram o Rublo e os que ficaram

A Checoslováquia
Em 1993 a Checa separou-se da Eslovaquia dividindo a zona monetária. Nos meses seguintes a moeda da Eslovaquia desvalorizou 25% (relativamente à da Checa). No dia da separação, em comparação com 1987, os dois países tinham  perdido 30% do PIB mas retomaram imediatamente uma trajectória de recuperação

Fig. 3 - Os países que "abandonaram" a Checoslováquia

A Argentina
Em 1991 a Argentina dolarizou a sua economia ao câmbio de 1 peso/usd o que teve um efeito económico positivo até à crise brasileira de 1999. Entre 1999 e 2001 a Argentina perdeu 20% do PIB.
Em Janeiro de 2001 a Argentina separou-se do Dólar Americano com uma desvalozização administrativa de 29% (o câmbio passou de 1/1 para 1.4/1) e em Junho de 2001 o Peso tinha desvalorizado 80% (para 5/1). 
No entanto, nesse mesmo Janeiro 2001 a economia começou uma forte recuperação crescendo nos últimos 10 anos à taxa de 7%/ano (fonte: Banco Mundial).

Fig. 4 - A saída da Argentina da Zona Dólar

A crise Argentina é o que mais se parece com uma saida da Zona Euro: os depósitos estavam denominados em USD que também circulava como moeda corrente.

Generalização
Pegando nos quatro casos que estudei (sairam da Zona Rublo; Ficaram na Zona Rublo; Sairam da Zona Checoslovaca; Sairam da Zona Dólar), é aceitável pensar que as perdas da URSS se devem à restruturação da economia que precisou passar de uma "economia planificada" para uma "economia de mercado" e não pela saida da Zona do Rublo.
A imediata recuperação da Checa, Eslovaca e Argentina criaram em mim uma frote convicção de que não haverá perdas por um país sair da Zona Euro.

Mas as dívidas ficam denominadas em euros pelo que aumentam
Este é o principal argumento para nos "obrigar" a ficar na Zona Euro mas é falso.
Se ficarmos na Zona Euro o rendimento (salários) vai diminuir 25% e temos que pagar as mesmas dívidas.
Se saírmos da Zona Euro, o rendimento mantem-se mas as dívidas aumentam 25%.
Actualmente ganhamos 1000 e pagamos uma prestação de 250.
Se ficarmos na Zona Euro, passamos a ganhar 750 e continuamos a pagar 250.
Se voltarmos ao Escudo, continuamos a ganhar 1000 e passamos a pagar 333.
Isto é perfeitamente equivalente pelo que não haverá qualquer perda.

O mal já está feito
O prejuízo não resulta de saírmos ou ficarmos na Zona Euro mas já está feito e não há como o evitar.
Foi feito no dia em que decidimos gastar mais que o que tínhamos o que levou ao nosso enorme endividamento externo.
É como aqueles que fumam toda a vida e depois morrem numa "prova de esforço". Não foi a prova que os matou mas o facto de terem fumado toda a vida.

Pedro Cosme Costa Vieira

7 comentários:

Anónimo disse...

Eu não sou economista nem sequer da área, apenas um curioso. Mas com tantas opiniões diferentes não sei o que pensar. Este vídeo (abaixo) apresenta uma visão completamente diferente...
http://aeiou.expresso.pt/sair-da-zona-euro-seria-um-desastre=f672283

Luis Costa disse...

Se Portugal sair do Euro, no dia seguinte os funcionários publicos não irão receber os salários, a divida publica irá ser relativamente mais substancial, o recurso ao credito externo será inexistente (nao porque nao precisemos dele, mas porque nao temos a minima credibilidade). Vamos ser racionais: se fazem o que fazem a Portugal, Italia, Grecia que (por enquanto) fazem parte da zona EURO , o que farão os especuladores quando tivermos o velhinho escudo?

Económico-Financeiro disse...

Caros comentaristas,
Agradeço o vosso cuidado.
Mesmo sendo verdade que Portugal vai ficar mais pobre se sair do Euro mas essa perda acontece mesmo ficando no Euro: já aconteceu. Só as empresas do PSI20, pequena amostra da nossa economia, já perderam 40MM€.
Saindo a divida aumenta e os salário mantêm-se = ficando a divida mantem-se e os salários diminuem.
Neste momento já ninguém empresta 1€ a Portugal. Os funcionário públicos e reformados apenas recebem enquanto a "troika" nos der dinheiro. Se tudo correr muito bem, ainda assim precisamos de 420MM€. É muito dinheiro.
Um abraço, pc

Telmo Duarte disse...

Descobri o seu blog após ler o seu livro daí este comentário tardio a este poste.
Se Portugal sair do Euro, voltando hipoteticamente ao escudo, representará alguma vantagem cambial, neste momento, abrir uma conta em Espanha em francos suiços para depois conseguir comprar mais escudos do que se conseguiria com os euros? Ou em alternativa, investir euros em ouro, sempre numa expectativa de "obter" mais escudos no futuro?
Melhores cumprimentos

Económico-Financeiro disse...

Estimado Telmo, obrigado por ter comprado o livro e pela questão.
Tudo vai depender de como será concretizada a saida do euro. Em tese, o actual diferencial de taxa de juro cobre o prejuizo potencial (o risco de perda).
Por exemplo, comprar divida pública a 10 anos alemã recebe 1.7%/ano de juros e divida pública portuguesa 7.1%/ano (nos certificados do tesouro)ou 14% (nos fundos vendidos pelos bancos).
Agora é uma questão de como o Telmo vive o risco.
É como os homens ciumentos que optam por uma mulher feia e gorda. Não gozam o prazer da beleza mas não correm o risco de viver o desgosto da perda.
Um abraço, pc

Unknown disse...

Pelo que percebi, sairmos do euro ou não terá o mesmo custo.
Mas isso não será com certeza do interesse da U.E., isto porque o que dá valor ao euro é a dívida. É assim desde a sua criação, (só nunca nos disseram isso, embebedaram-nos com subsídios e europeísmo). Se deixasse de haver dívida na Europa, deixava de haver Euro, pois este desvalorizava. O que dá valor ao dólar é o petróleo, não é por acaso os E.U.A. mantém a todo o custo (mesmo bélico), colonizando todos os países produtores. É isso que lhes permite ter um défice abismal e uma dívida astronómica e continuar a imprimir as notas do Tio Sam. O mesmo aconteceu com o escudo, que estava indexado ao ouro, lembram-se do que dizia nas notas, "vale 1000 escudos em ouro?", era por isso que Salazar queria manter a todo o custo as colónias portuguesas, para ter reservas de ouro que lhe permitissem manter o valor da moeda. É o que a China e a Índia estão a fazer hoje para valorizar as suas moedas no futuro, comprando o ouro dos anéis que nós cá penhoramos. Pela Europa optou-se pelo mais "soft", destruiu-se a produção e endividaram-se os países e os europeus para dar valor a uma moeda - o euro. É por isso que fazem e farão tudo para manter a Grécia na moeda única, pois caso contrário perderiam poder e controlo financeiro do país(es) e o euro desvalorizaria a pique.

Anónimo disse...

Só digo isto perdemos no dia a seguir da saída do euro ,60 por cento do ordenado,as dividas ao banco continuam em euros impossível de pagar as nossas casas e os nossos carros,as reformas 60 por cento menos esse e o valor que ficara o escudo,os supermercados subirão os produtos,já que os compram em euros,só mais uma palavra não quero conhecer esse declive do país e muita fome
Os comunistas isso e o que querem para o nosso país,já que a pobreza da-lhes muitos votos viva a democracia e o nosso Euro viva Europa,sem ditaduras de esquerda ou de direita.

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